#Cronica: Prefiro Morrer do que Perder a Vida

Roberto Gómez Bolaños, o "Chespirito"


Weslley Talaveira

A frase parece boba e sem qualquer sentido, ainda mais quando lembramos que foi dita por uma personagem de um programa que não tem a pretensão de fazer nada além de apenas divertir, mas quando pensamos que foi escrita por um filósofo que usou o humor para mostrar ao mundo seu pensamento, vemos que faz, sim, muito sentido. 

Até porque, se pararmos pra pensar, existe diferença entre morrer e perder a vida. Morrer é encerrar um ciclo de existência, que alguns dizem que se encerra por completo, outros dizem que continua em outra dimensão, seja no ceu ou onde quer que seja. O que todos concordamos é que a morte põe fim a uma etapa da existência, independente do que se tenha feito durante o tempo de vida. Morrer é interromper carreira, separar família, deixar vago algum cargo, encerrar projeto. Morrer é o "fim". Ao morrer, tudo que esteja relacionado ao falecido se encerra. Nada mais a se acrescentar. 

Perder a vida é algo mais profundo. Podemos sim perder a vida sem morrer. Alguns existem, mas perderam a vida. Perder a vida é viver à margem da vida. É existir, mas não usufruir do que a vida tem para nos oferecer de bom. É sobreviver, apenas. Perdemos a vida quando deixamos passar oportunidades importantes em nome da preguiça ou do medo do novo. Perdemos a vida quando não aproveitamos as amizades, os bons momentos. Perdemos a vida quando, em nome de projetos passageiros, abrimos mão da convivência com a família, com as pessoas que amamos. Perdemos a vida quando deixamos de aproveitá-la, quando deixamos de praticar o "carpe diem".

Perder a vida é deixar de acreditar, é abrir mão da esperança de uma existência melhor, de um mundo mais leve e menos tumultuado. Perder a vida é achar que tudo já está perdido, que nada tem jeito e que as coisas "são assim mesmo". Perder a vida é fazer de hino as palavras da música da Pitty, que diz: "a minha alma nem me lembro mais em que esquina se perdeu". Jesus de Nazaré falou sobre perder a vida, mas com uma expressão parecida: "de que adianta ao homem ganhar o mundo e perder a alma?" Algumas pessoas vivem, outras apenas existem. 

Roberto Goméz Bolaños existiu por um bom tempo - 86 anos - e mais do que existiu: viveu. Viveu para criar, para dar corpo à sua forma de ver o mundo. Viveu, aproveitou a vida e deu vida à sua vida, através de suas personagens, que são várias além do Chavo Del Ocho, cada uma com sua particularidade e característica. Claro, o mais conhecido é o Chavinho, o "burro à pão de ló", e por aí vai. Roberto conseguiu criar uma personagem que, como disse Clarice Lispector, viveu "apesar de". Apesar da pobreza, apesar da falta de uma família, apesar da falta de uma casa, o Chaves vive. É feliz, tem amigos que ama (quem nunca chorou com a carta que ele escreve ao Seu Madruga no dia de São Valentim?) e brinca mesmo sem brinquedos. Talvez o Chaves seja tão querido assim porque todos somos um pouco Chaves: lutamos para viver apesar de. Queremos mais que existir. Lutamos diariamente para não perder a vida. 

Roberto, descanse em paz. Obrigado por nos ensinar a viver. E lembraremos sempre de uma de suas lições: podem me vencer uma vez, mas não irão me vencer duas. Ou três, ou duas mil, trezentos e cinquenta e sete. 

Alis Grave Nil. 

#Crônica: Sem dizer adeus jamais



Weslley Talaveira

Será que Chespirito, nome artístico de Roberto Gómez Bolanõs, tem realmente a noção da dimensão que suas obras tomaram? Será que ele realmente soube o quão grandes era seus personagens? Fica difícil dizer. 

Em cenários simples, efeitos especiais avançados para a época mas precários para nossos dias, com diálogos curtos e vazios, Chespirito conseguiu criar personagens que trazem em si uma profundidade pouco vista na dramaturgia latina. Dentro da aparente simplicidade de suas personagens Bolânos trouxe lições de vida e pensamentos importantíssimos, como a famosa frase "prefiro morrer do que perder a vida" que carrega uma lição valiosíssima sobre aproveitar a vida

A América Latina está de luto. Bolanõs conseguiu vários feitos com suas personagens: levar a Televisa, canal onde os programas eram exibidos, em evidencia e fazer dela uma das maiores emissoras de TV do mundo. Além disso conseguiu mostrar que os latinos não são nem precisam ser meros consumidores de produtos norte-americanos. Mostrou que os latinos também sabem fazer dramaturgia, também sabem fazer humor. O criador de tantos personagens, como El Chavo e Chapúlin é, sem dúvida um gênio, e assim deve ser lembrado.

Descanse em paz, Chespirito. Nos despedimos, mas sem dizer adeus jamais, pois sempre encontraremos o Chaves, mesmo que seja "nos recebendo com uma pancada". 

Prefiro morrer do que perder a vida


A frase parece boba e sem qualquer sentido, ainda mais quando lembramos que foi dita por uma personagem de um programa que não tem a pretensão de fazer nada além de apenas divertir, mas quando pensamos que foi escrita por um filósofo que usou o humor para mostrar ao mundo seu pensamento, vemos que faz, sim, muito sentido. 

Até porque, se pararmos pra pensar, existe diferença entre morrer e perder a vida. Morrer é encerrar um ciclo de existência, que alguns dizem que se encerra por completo, outros dizem que continua em outra dimensão, seja no ceu ou onde quer que seja. O que todos concordamos é que a morte põe fim a uma etapa da existência, independente do que se tenha feito durante o tempo de vida. Morrer é interromper carreira, separar família, deixar vago algum cargo, encerrar projeto. Morrer é o "fim". Ao morrer, tudo que esteja relacionado ao falecido se encerra. Nada mais a se acrescentar. 

Perder a vida é algo mais profundo. Podemos sim perder a vida sem morrer. Alguns existem, mas perderam a vida. Perder a vida é viver à margem da vida. É existir, mas não usufruir do que a vida tem para nos oferecer de bom. É sobreviver, apenas. Perdemos a vida quando deixamos passar oportunidades importantes em nome da preguiça ou do medo do novo. Perdemos a vida quando não aproveitamos as amizades, os bons momentos. Perdemos a vida quando, em nome de projetos passageiros, abrimos mão da convivência com a família, com as pessoas que amamos. Perdemos a vida quando deixamos de aproveitá-la, quando deixamos de praticar o "carpe diem".

Perder a vida é deixar de acreditar, é abrir mão da esperança de uma existência melhor, de um mundo mais leve e menos tumultuado. Perder a vida é achar que tudo já está perdido, que nada tem jeito e que as coisas "são assim mesmo". Perder a vida é fazer de hino as palavras da música da Pitty, que diz: "a minha alma nem me lembro mais em que esquina se perdeu". Jesus de Nazaré falou sobre perder a vida, mas com uma expressão parecida: "de que adianta ao homem ganhar o mundo e perder a alma?" Algumas pessoas vivem, outras apenas existem. 

Roberto Goméz Bolaños existiu por um bom tempo - 86 anos - e mais do que existiu: viveu. Viveu para criar, para dar corpo à sua forma de ver o mundo. Viveu, aproveitou a vida e deu vida à sua vida, através de suas personagens, que são várias além do Chavo Del Ocho, cada uma com sua particularidade e característica. Claro, o mais conhecido é o Chavinho, o "burro à pão de ló", e por aí vai. Roberto conseguiu criar uma personagem que, como disse Clarice Lispector, viveu "apesar de". Apesar da pobreza, apesar da falta de uma família, apesar da falta de uma casa, o Chaves vive. É feliz, tem amigos que ama (quem nunca chorou com a carta que ele escreve ao Seu Madruga no dia de São Valentim?) e brinca mesmo sem brinquedos. Talvez o Chaves seja tão querido assim porque todos somos um pouco Chaves: lutamos para viver apesar de. Queremos mais que existir. Lutamos diariamente para não perder a vida. 

Roberto, descanse em paz. Obrigado por nos ensinar a viver. E lembraremos sempre de uma de suas lições: podem me vencer uma vez, mas não irão me vencer duas. Ou três, ou duas mil, trezentos e cinquenta e sete. 

Alis Grave Nil. 

Mandy & Andy


Desde há muito tempo Dan era acompanhado em seu dia a dia por Mandy e Andy, dois seres que só eram vistos por ele mesmo. Não lembrava direito como e quando eles haviam aparecido em sua vida, mas eram parte do seu dia a dia. Onde quer que fosse, lá estavam Mandy e Andy, um de cada lado. Ambos eram redondos e pequenos, e sempre se posicionavam sobre os ombros de Dan. Lembravam os antigos Tamagotchis, tão exorcizados pelos religiosos e amados pelas crianças na época. Mandy era branca como a nuvem e ficava do lado direito. Meiga, voz de criança inocente e de sorriso cativante, Mandy simbolizava o que havia de melhor em Dan. Já Andy era da cor das trevas e ficava do lado esquerdo. Tinha voz  rouca e usava muitas, muitas gírias. Andy representava o lado ruim de Dan, ou como o próprio Andy dizia, "a realidade da vida de Dan". Ninguém os via, os ouvia, nem imaginava sua existência. E Dan também preferia não contar, já que não tinha interesse em ser considerado louco pelos amigos. Não sabia bem o que eram: anjos, fadas, duendes, enfim, não fazia diferença. Sabia que era adulto o suficiente para brincar com a imaginação e inventar amiguinhos imaginários. Por isso tentava não levar a sério os dois seres que já haviam se tornado uma espécie de amigos. Sim, era uma loucura! Mas uma coisa era certa: Mandy e Andy existiam. E conversavam com ele. 

Mandy era a voz que o aconselhava, o motivava, o levava para frente. Mandy via o que havia de melhor em Dan e trabalhava isso com ele, o fazendo enxergar as possibilidades da vida. Para Mandy, Dan era um cara legal, interessante que tinha todas as chances de se dar muito bem na vida. Dan sabia se expressar bem, era educado e gentil com as pessoas, se relacionava bem com pessoas das mais diferentes culturas, desde os crentes da Deus é Amor aos Hippies cheios de dreads. Dan era daquelas pessoas que "todo mundo gosta", ou pelo menos ninguém tem o que reclamar. Não tomava partido de briga nenhuma, e sempre tentava levantar o moral dos amigos. Era o conselheiro da turma, a cabeça sensata dos amigos. Quando alguém precisava desabafar, era só procurar o Dan. Ele sempre tinha algo de bom para dizer, ou pelo menos era um ótimo ouvinte. Dan era uma boa pessoa, e merecia muito sucesso na vida.

Mas Andy via as coisas de outra forma. Para Andy, Dan não passava de um fracassado, um cara bobo que vivia sozinho por não ser interessante à ninguém. Exatamente por essa mania de querer ser legal com todo mundo era visto pelas pessoas como um mané que vive sorrindo e concordando com tudo. Dan era o motivo das risadinhas de corredor. Não interessava se Dan tinha uma boa formação, se era inteligente e culto, se era gentil com as pessoas, bom amigo e blá blá blá. Dan era um cara sem graça. Ponto final. Até podia ser alguém suportável para se conviver no dia a dia, já que o próprio Andy reconhecia que Dan não era o tipo que insiste muito em uma coisa a ponto de se tornar irritante, mas Dan era entediante e sem graça. E como todo cara sem graça, o destino de Dan era morrer sozinho rodeado de gatos miando e sujando a casa. "Olha só, bicho, fim de semana e você sozinho em casa dando banho em cachorro, cara! Todo mundo se divertindo e você aí assistindo vídeozinho do Porta dos Fundos no Youtube. Reconheça, malandro: você é um solitário idiota que ninguém quer por perto". 

Dan sabia que eram duas formas diferentes de ver a si mesmo, e sabia que o melhor a fazer era acreditar em Mandy e seguir em frente mas, por mais que tentasse fazer diferente, Dan pendia sempre a acreditar no que Andy dizia. Era verdade. Quantas vezes havia convidado pessoas para sair, para fazer algo legal e sempre ouvia as desculpas mais esfarrapadas? "Vou comprar ração para o cachorro / vou no mercado / vou na minha vó", e etc. As pessoas sempre tinham um motivo para rejeitar um convite de Dan. E Dan sabia o motivo: as coisas que ele gostava de fazer não eram interessantes a mais ninguém além dele mesmo. Ainda no tempo em que namorava se lembrava de ouvir conversinhas da namorada com os amigos, dizendo que iria fazer "programa de índio" com ele. Andy tinha razão: Dan era entediante. Ele não entendia de futebol, bebidas nem vídeo game, o que era motivo o suficiente para fazê-lo ser excluído de 99% das conversas. O que sobrava para se conversar com Dan? Nada além de conversas corriqueiras, dessas que se tem com o ascensorista no elevador ou com o porteiro da empresa. As pessoas não viam motivo para manter amizades mais sólidas com Dan. Ele não tinha nada legal a oferecer. Não conhecia ninguém influente que pudesse oferecer um final de semana legal em algum lugar divertido. Aliás, não sabia fazer nada divertido. E pra completar Dan sequer bebia. O que uma pessoa que não bebe espera da vida? Nada mais que a solidão, já que o álcool é o grande responsável por unir pessoas. Ninguém sentia vontade de estar perto de Dan.

E cada vez que Dan conversava com Andy e concordavam em suas conclusões pessimistas Mandy se entristecia, e percebia que já não tinha o que fazer ali. Dan havia acreditado piamente em tudo que Andy falava. Mandy repetia, repetia, mas não era ouvida. E resolveu ir embora. Chorou quando abandonou sua posição ao lado direito de Dan e saiu pela janela, para enfim procurar outra pessoa interessada em ver a vida de uma forma mais bela e menos depressiva. Mas ia sentir falta de Dan. Sabia que era um desperdício um cara com tantas qualidades se afundar em conclusões tão escuras como as que Andy lhe falava. Caso um dia Dan quisesse, Mandy voltaria.

Mas só se Dan quisesse. 

#Opinião Desinformados, despolitizados ou mal informados.



Ano de eleição é sempre assim: PT e PSDB se digladiam e disputam quem gosta mais ou menos de pobre, quem trabalhou mais ou menos pelos "menos favorecidos", quem é o candidato dos ricos e dos bancos, quem teve a origem mais humilde, quem é o mais religioso e por aí vai. Independente de quem seja o candidato, a estratégia sempre vai ser essa. 

A briga da vez tem raiz numa entrevista dada pelo ex-presidente FHC aos blogueiros Josias de Souza e Mário Magalhães onde, entre vários outros trechos bastante interessantes e lúcidos,  o presidente conclui que "o PT cresceu nos grotões porque tem os votos dos menos informados". Pronto, o circo estava armado para o petismo iniciar sua série de ataques de baixíssimo nível, associando - como sempre - o ex-presidente e o PSDB aos "ricos". Como sempre fazem, tiraram uma frase de seu contexto para atacar e criar novamente uma briga ridícula que não leva a lugar nenhum - alguns petistas já organizaram inclusive o "churrascão da gente desinformada"... tsc tsc. 

Acontece que FHC tem razão. Pelo menos em partes. O PT sabe que dialogar com pessoas esclarecidas é, sempre foi e sempre será uma pedra no sapato do partido. É difícil a um petista clássico explicar os rumos do partido a uma pessoa politizada, envolvida com assuntos políticos e informada sobre os bastidores do Governo. Mais difícil ainda é confrontar o momento atual do partido com sua história. 

O PT prefere, então, buscar votos em lugares com pessoas menos escolarizadas e menos politizadas, onde sabem que sempre será mais fácil convencer com argumentos sentimentais - nós cuidamos dos pobres, nós tiramos não sei quantos milhões da pobreza e por aí vai. 

Acontece que nem sempre uma pessoa com pouca escolaridade é uma pessoa desinformada. E nem sempre uma pessoa escolarizada, com superior e o raio que o parta é uma pessoa informada. Conheço bachareis ignorantes e não alfabetizados de uma lucidez incrível. O problema do brasileiro, na minha modestíssima opinião, não é a falta de informação. É a falta de politização. E é nessas pessoas que o PT finca suas raízes. 

O Brasil é um país completamente despolitizado. O brasileiro não dá a mínima para a política, não sabe sequer como funciona a divisão de poderes no país. Quer uma prova? Saia agora na rua - se não for tarde, claro - e pergunte para o primeiro que você encontrar se ele sabe a diferença entre as atribuições do prefeito e do governador do Estado. Se a pessoa se mostrar receptiva, continue o papo e pergunte se ele sabe o que faz um Senador da República. Se ele continuar receptivo, prossiga perguntando se ele sabe a diferença entre Legislativo, Executivo e Judiciário. Se a conversa render, pergunte a ele a diferença entre governo municipal, estadual e federal. Sim, você irá se decepcionar. 

Somos um povo que vota sem saber qual será a função do votado. Aliás, votamos e no dia seguinte sequer lembramos o nome de quem recebeu nosso voto. Temos muito o que reclamar, mas não sabemos a quem, e vivemos de reclamar pelas ruas e bairros, sem sermos ouvidos, porque não sabemos qual esfera devemos procurar, exatamente porque não sabemos essa diferença entre as esferas do poder - os protestos do ano passado deixaram isso muito claro, quando víamos pessoas reclamando com o Governador do Estado a má qualidade do transporte público municipal. Não sabemos o nome do vice-qualquer coisa, não sabemos quem são os suplentes dos que votamos e nem se a pessoa em quem votamos ficou no mandato até o final, se se manteve no mesmo partido. Aliás, partidos políticos são outra prova da nossa despolitização. Temos no Brasil hoje 31 partidos políticos. Se a mesma pessoa com quem você estiver conversando ainda não tiver te colocado pra correr, pergunte a ela de quantos partidos políticos ela lembra o nome. Aposto qualquer coisa que ela irá te dizer PT, talvez PSDB e numa possibilidade remota o PMDB. Mais do que isso é praticamente impossível! 

Sim, é nesses despolitizados que o PT encontra terremo fértil pra fincar suas raízes, pois são pessoas que sequer sabem a que o fulano está concorrendo, mas desde que seja do PT merece o voto. E digo mais: é do interesse do PT que o Brasil continue despolitizado assim, do contrário os paulistas saberiam que sua senadora Marta Suplicy deixou o cargo para assumir o Ministério da Cultura e colocou em seu lugar um poste chamado Antônio Carlos Rodrigues, candidato a tudo em SP que vive de se eleger e colocar suplentes em seu lugar, e que está no Senado sem receber um único voto. E esse é apenas UM dos vários exemplos que teríamos para dar.

Então discordo em partes de FHC. Concordo que o PT foge do debate ao máximo possível, mas não para se abrigar apenas entre os desinformados, mas principalmente entre os que, como Eduardo Jorge, pensam que "não tem nada a ver com isso".

Rodolfo quer tentar


Sim, Rodolfo passou a manhã ensaiando em frente ao espelho o que diria para Talita. Pensou, repensou, ensaiou caras e bocas, entonação de voz, postura corporal, filmou-se ensaiando seu discurso para ver o que tinha de melhorar. Mas sabia que tudo aqui seria em vão. Quando chegasse o momento Rodolfo seria mais uma vez surpreendido pela sua timidez e pela genética falta de habilidade masculina com as palavras do coração. Por isso resolveu escrever. Precisaria transmitir toda sua emoção em palavras. Mas antes de começar a escrever, sabia que teria de responder uma pergunta simples:

Por que a Talita?

Sim, Talita não era a única garota com quem Rodolfo tinha contato. Tinha amizades, e amizades bastante bacanas com outras garotas lindas. Desfrutava do privilégio de ter acesso fácil a meninas cobiçadas por todos. Sabia que alguns caras dariam de tudo para ter a amizade - e outras coisas mais - de algumas das amigas de Rodolfo. Mas ele escolheu Talita, a mais discreta, a que quase ninguém conhecia, a de poucas palavras. Por que ela?

Primeiro por motivos clássicos: ela era inteligente, falava bem, se expressava muito bem, além de ser linda. Talita não era mais uma como a maioria, que sequer sabe em que mundo vive e se deixa levar pela maré. Era uma menina culta, com formação acadêmica, mas sabia conciliar sua inteligência com uma simpatia que a fazia atraente. Além do mais, ela conhecia Persépolis, o livro preferido de Rodolfo, o que por si só a fazia diferente da maioria. Mas ainda assim esses eram motivos, apesar de bons, muito vagos para se interessar por alguém. Por que, então, havia se interessado por Talita?

Nem ele sabia. Só sabia que ela lhe inspirava bons sentimentos. Quando olhava para ela ou quando pensava nela se sentia alguém bom, alguém parte de um mundo onde as coisas valem a pena. Rodolfo não estava apaixonado. Tinha a convicção de que, como Renato Russo dizia, se a paixão fosse realmente um bálsamo o mundo não pareceria tão equivocado. E ele nem tinha mais idade para se apaixonar. Não era mais um adolescente que morre de amores e perde o apetite por conta de uma outra adolescente alvo de uma paixão doentia. O que Rodolfo sentia por Talita era maior, mais simples e mais leve que paixão. Mas ele não sabia dizer o que. Só sabia que era bom. Mas Rodolfo sabia que, a essa altura, teria de responder outra pergunta:

E o que ele queria com Talita?

Apenas tentar. Sem a obrigação de dar certo, Rodolfo queria tentar. Fazer parte do infinito particular  de Talita, desse mundo misterioso que chamamos "vida pessoal". Queria conhecê-la além do período de poucas horas diárias. Queria saber do que ela gosta e do que não gosta, aprender suas músicas preferidas, saber para qual time torcia (e desejar muito que não fosse são-paulina!). Queria saber se ela gosta de café, se prefere leite, se gosta de pão francês, como reage ao frio. Queria saber quais as manias dela. Queria poder ligar para ela antes de dormir para desejar boa noite, e lhe mandar SMS de manhã com um bom dia. Queria comentar com ela os livros que lia, os filmes que via, as notícias que acessava. Queria ligar para ela quando soubesse de algum show bacana e não muito caro que acontecesse na região, pra marcarem de ir e após o show tomarem milk-shake no Bob's (mesmo ele odiando tudo que venha do Bob's). Queria ter alguém para contar as coisas boas que aconteciam no trabalho e desabafar as coisas que o incomodavam. E queria ouvi-la. Ouvi-la reclamar da mãe que pega no pé, da irmã chata, do primo que faz brincadeiras bestas. Ajudar, se fosse possível, mas principalmente ouvir. Ser o par de ouvidos que toda mulher sonha ter, sem recriminar, apenas ouvir. 

Queria uma chance. Uma que fosse, mas uma boa chance de conhece-la melhor. Se não desse certo, pelo menos havia tentado e conhecido uma pessoa bacana. Se desse certo seria a pessoa mais feliz do mundo por ter ao seu lado alguém.

Rodolfo só queria uma chance, só queria tentar. 

Por que vou votar em Marina Silva



Já decidi: vou votar em Marina Silva para presidente. 

Confesso que a escolha não foi das mais fáceis. Antes da entrada dela na eleição estava bem difícil escolher um candidato. Dilma nunca passou pela minha cabeça, por uma série de motivos que vão da incompetência dela como gestora ao loteamento de cargos em que ela transformou o governo, entregue nas mãos de gente completamente desinformada que assume cargos de acordo com as alianças que a presidente e seu partido formam. Eduardo Campos - de quem Marina era vice - até me agradava, mas ele se parecia tanto com os velhos políticos que me assustava um pouco; ele apenas assumiu o discurso da "nova política" para atrair o apoio da Rede Sustentabilidade, mas não parecia tão convencido assim de que a política no Brasil precisa de mudanças. Restava o Aécio, uma mistura do "come quieto" mineiro com a malandragem carioca; Aécio pra mim nunca representou, nem de longe, o candidato perfeito, mas ele está se cercando de gente competente, o que pra mim faz toda a diferença para um governante - sou dos que pensam que o governante em si nem precisa ser tão competente, desde que tenha gente experiente do seu lado. resolvi então dar um "voto crítico" ao Aécio Neves - crítico porque para mim Aécio não era o melhor, era o menos pior.

Mas aí aconteceu o inesperado: Eduardo Campos morreu de forma trágica, o partido ficou alvoroçado sem saber como reagir, e por fim resolveu lançar a Marina candidata. Ainda resisti um pouco no início, pois não sabia se a Marina que estava surgindo era a mesma em quem votei em 2010, ou se surgiria uma nova Marina, aliada ao oportunismo eleitoreiro. Ainda mantive meu voto "crítico" no Aécio.  Mas em poucos dias vi que a Marina que eu acompanho desde 2006 e que admiro ainda está lá, agora mais forte e completa do que antes. 

Resolvi mudar meu voto. De um "voto crítico" no Aécio vou para um "voto confiante" na Marina. E digo o porque: 

1) Ser presidente não faz parte de um "projeto pessoal" da Marina. Até pensei que fosse quando ela resolveu criar a Rede Sustentabilidade. Mas aí o partido não foi criado - por interferência claríssima do PT - e ela teve todas as oportunidades do mundo para buscar outra forma de ser candidata (o PPS só faltou lamber os sapatos da Marina para que ela fosse a candidata deles). Mas ela preferiu agir pela sua consciência e se filiou ao PSB, partido com o qual ela se identificou mais ideologicamente, mas sem brigar por uma candidatura. Não queria ser candidata a nada, queria apenas estar dentro da política para auxiliar no debate. Por insistência do partido aceitou ser vice do Campos, e sabemos que a força do vice no Brasil é algo próximo de zero; vice não dá entrevista, vice não vai a debate, ninguém procura o vice pra nada. Agora, como candidata, já declarou que se for eleita fica apenas quatro anos no cargo, mesmo sabendo que esse tempo é pouquíssimo para realizar as reformas que o Brasil precisa realizar. Marina quer dar sua contribuição. Não quer se profissionalizar como política. 

2) Diferente de 2010, Marina agora é uma candidata completa. Aborda todos os temas necessários para a governabilidade de um país, incluindo o meio ambiente, seu tema preferido. Marina e sua equipe elaboraram um programa de governo completo, com algumas erratas, é claro, mas que aborda todas as áreas do governo, de forma clara. Sem fugir de suas convicções mas sem deixar que elas influenciem em seu programa, Marina vai da homossexualidade à fonte de energias em seu programa de governo. É algo interessante de ler. 

3) Meu medo era de a "presidente Marina" criar uma instabilidade no Congresso devido suas posturas políticas. Sabemos que o Congresso brasileiro é, hoje, um verdadeiro puteiro onde ganha mais dinheiro a puta que se vende mais (desculpem a expressão, mas não encontrei outra melhor). Negociar com esse lixo de gente de nível ético tão baixo, gente para quem a Dilma se dobrou com menos de um ano de mandato, seria algo impensável para alguém como a Marina - não consigo ver a Marina sentada na mesma sala que o Maluf negociando apoio. Mas seus acenos aos partidos tem sido algo interessante de ver. Já demonstrou querer dialogar com PT e PSDB. Marina não negocia com pessoas, mas com ideias. Quem tiver ideias boas, de qual partido for, terá espaço em seu gabinete presidencial. Claro, ela não vai ter vida fácil como presidente, pelo menos a vida fácil que o PT teve em todos esses anos. Mas pelo menos está aberta ao diálogo. 

4) Apesar de sua história ligada à esquerda e de estar filiada a um partido que carrega o socialismo no nome, Marina já deu sinais claros de que o radicalismo esquerdoide está longe de seus planos. Sua proposta de abertura para a economia, independência do Banco Central e menos interferência do Estado em questões econômicas são um vento de ar fresco num ambiente tomado pela burrice socialista que o Brasil vem respirando nos últimos anos. A aproximação ideológica do Brasil a países de mentalidade pequena e equivocada como Equador, Venezuela e Bolívia só fez mal ao nosso país - tivemos a pior geração de empregos dos últimos anos e agora estamos em recessão econômica. Mesmo sem admitir, Marina está muito próxima dos conceitos liberais que tantos benefícios trouxeram a outros países. 

Viram que em nenhum momento citei as coisas genéricas de sempre que os candidatos prometem? "Saúde" "educação", "moradia" e essas baboseiras que os candidatos papagaiam sem sequer saber exatamente do que falam.  Tenho motivos sólidos para votar na Marina Silva. 

Se ela é a "messias" da política brasileira? Claro que não. Ela sozinha não vai mudar muita coisa, e sei que sempre há o risco de me decepcionar com ela - não confio nem em mim mesmo, quanto mais nos outros. Mas, no momento, ela é a candidata que inspira mais segurança, tanto pelo que ela diz como pelo que ela já fez e pelas pessoas de quem ela está se cercando. 

E vamos juntos com Marina!

#Crônica: Viver, enquanto dá tempo

Eduardo Campos



Weslley Talaveira

Na terça-feira a noite assistimos Eduardo Campos, candidato do PSB à presidência da República, sendo entrevistado no Jornal Nacional pelos supertendenciosos apresentadores Willian Bonner e Patrícia Poeta. No final do mesmo dia, Campos deu entrevista à Globo News. Estava em plena campanha. Na quarta-feira pela manhã Eduardo Campos volta ao noticiário, mas não com boletins sobre sua agenda de campanha. Se discutia a melhor forma de encontrar seus restos mortais em meio à destruição causada pela queda do avião que o transportava de volta do Rio. Rio onde ele esteve na terça a noite, dando entrevista no Jornal Nacional e Globo News. Notou a proximidade dos acontecimentos? Em menos de 16 horas Eduardo Campos sai das páginas políticas para as páginas de tragédias que tanto tesão dão a apresentadores sádicos como Datena & derivados. Em menos de 16 horas Eduardo Campos deixou de ser o candidato à sucessão presidencial para virar restos mortais espalhados em Santos. Hã?!

Sim, a notícia da morte de Eduardo Campos, 49 anos, me chocou profundamente. Não necessariamente por ter ligação com ele, pois nunca me envolvi diretamente com sua história nem tinha planos de votar nele. Sim, ele é muito querido no Pernambuco - não foi difícil encontrar pessoas chorando sua morte pelas ruas de Recife - mas o que me chocou foi mais do que a morte de Eduardo Campos em si. A dor da perda deixo para a família e pessoas ligadas diretamente a ele. A perda política deixo para os demais candidatos, para seu partido e especialistas no assunto, que terão muito a comentar e analisar pelos próximos dias - sem dúvida é uma perda enorme para o Brasil. O que me chocou mesmo foi a forma frágil com que ele deixou esse mundo. Um homem cheio de vida e de planos - e de filhos, pra não esquecer - de repente vira um monte de carne queimada numa tragédia. De repente. 

As vezes nos esquecemos o quão frágil é a nossa existência nesse mundo. A alegoria bíblica da criação do homem a partir do pó da terra - claro que não acredito que o homem veio de Adão - tem o objetivo de mostrar exatamente isso: somos seres pensantes, inteligentes, que criam, planejam, executam, mas somos pó. Apenas pó. Pó que pode ser espalhado com uma brisa qualquer. Em um minuto podemos deixar essa vida, e tudo o que havíamos feito fica aí, à merce de outros que queiram ou não continuar. Uma outra frase bíblica diz que nossa existência é como a nuvem: você olha e está de um jeito, olha de novo e não está mais. Nossa existência é muito incerta. Não sabemos o que irá nos acontecer no próximo dia, na próxima hora. Você pode até não voar para evitar que uma tragédia dessas aconteça com você, mas você pode ser atingido por um ônibus desgovernado num ponto. Pode ser vítima de um assalto besta. Um piano pode cair na sua cabeça, e tudo pode se acabar. De repente. 

Sim, isso angustia a qualquer um, e me angustiou o dia inteiro. Digamos que esse não é o melhor pensamento a se ter exatamente na semana do aniversário, mas me ajudou a lembrar de coisas que eu vinha me esquecendo: que posso ter toda uma vida pela frente, e posso não ter. O próprio avô de Eduardo Campos, o ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes, morreu aos 89 anos. Viveu muita coisa. Mas o neto morreu com 40 anos de antecedência. Morreu, depois de dar uma entrevista no Jornal Nacional, na Globo News, voltar para o hotel, dormir, acordar e se arrumar para viajar para Santos e dar outra entrevista. Cara, isso é muito louco. Desculpe pela gíria, mas é a expressão que define o que estou sentindo no momento. Essa sensação de impotência diante do acaso, diante do imprevisto. Imprevisto, esse deus perverso que não escolhe dia nem hora para atacar, que vem sobre qualquer um, independente da idade ou do estilo de vida. 

Parece meio mórbido falar sobre morte, mas é a consciência que temos da morte que define como lidamos com nossa vida. Só levamos a vida a sério quando temos a consciência de que ela não irá durar para sempre. Pra usar outra alegoria bíblica, não sabemos quando irão bater a nossa porta e perguntar: "louco, o que você tem preparado?". 

Agora só resta refletir. E viver, enquanto da tempo. 

#Livros: A verdade sobre o caso Herry Quebert, de Joël Dicker



Weslley Talaveira

Terminei de ler essa semana A verdade sobre o caso Harry Quebert, do suiço Joël Dicker. Tanto o  livro como o autor são completamente desconhecidos no Brasil, e confesso que comprei o livro por acaso, andando na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Enquanto fuçava as prateleiras vi o livro, gostei da capa e comprei. Foi a melhor compra por acaso que já fiz até hoje! rs Posso dizer que o livro é um dos melhores que já li. 

Marcus Goldmann se tornou um escritor de sucesso nos EUA depois do lançamento explosivo d seu primeiro livro, que o rendeu, além de fama, um bom dinheiro. Mas como toda fama, seu nome logo sai da mídia para dar lugar a outros acontecimentos, e a pressão por um livro novo aumenta. Mas Marcus, na ansiedade de criar uma nova história, passa a sofrer do mal de todo escritor: o bloqueio intelectual que impede que qualquer história vá para o papel. Na tentativa de se inspirar e encontrar algo que renda uma boa história, Marcus vai para a pequena Aurora passar uns dias em companhia de seu antigo professor de faculdade e melhor amigo Harry Quebert, um também conhecido e talentoso escritor que teve seu auge ao escrever As Origens do Mal, uma história de um amor proibido. Mas, ao conviver com seu professor e amigo, Marcus se depara por acaso com um acontecimento do passado de Harry que o mesmo tentava manter escondido ao máximo possível: há 30 anos atrás Harry, então com trinta e dois anos, se apaixonou por uma adolescente de quinze anos, Nola Kellergan, que desapareceu na época sem deixar qualquer vestígio. Mas a história é revivida novamente quando Harry contrata um serviço de jardinagem para sua casa e, em meio as escavações para o plantio de novas mudas, os operários encontram um cadáver enterrado que, dias depois, se confirma ser o de Nolla. Sim, Nolla Kellergan, desaparecida ha 30 anos, estava enterrada no quintal de Harry Quebert, seu namorado na época. Para piorar a situação de Harry, junto ao corpo enterrado foi encontrada uma bolsa de couro que tinha dentro o original de As Origens do Mal, com a frase "adeus, Nolla querida". Harry logo é considerado culpado e preso, e assim vê sua carreira e imagem desabarem. Programas de TV dedicam horas para o caso, livrarias tiram As Origens do Mal de circulação e o livro passa a ser proibido nas escolas dos EUA. Mas Marcus, que conhece seu professor e amigo como poucos, tem certeza: não foi Harry quem matou Nola, e parte então para uma investigação particular em busca de respostas. Essa busca acaba revelando muito mais do que Marcus imaginava descobrir, ao revelar segredos escondidos por anos entre os habitantes da pacata Aurora. Mas, se por um lado Marcus descobre coisas desagradáveis sobre os habitantes de Aurora, por outro lado ele se surpreende a cada dia com seu amigo e mestre Harry Quebert. 

Confesso que não esperava muito do livro. Primeiro porque a narrativa é em primeira pessoa, e na minha opinião não combina com o estilo investigativo da história. Segundo porque li uma crítica sobre o livro que simplesmente acabou com a história, chamando o livro de "leitura de banheiro". Realmente a narrativa cai na autoajuda em alguns momentos, além de girar muito sobre uma história de amor piegas que chega a dar náuseas as vezes (os relatos de Harry sobre Nola cairiam bem em qualquer novela mexicana), mas a crítica me parece mais obra de despeito, de alguém que tentou escrever uma história investigativa mas não conseguiu. A verdade sobre o caso Harry Quebert é uma história bem escrita, cheia de detalhes, com tramas que parecem ficar mais complicadas a cada momento, mas todas explicadas e bem alinhadas no final. Nenhuma história do livro fica sem explicação. Joël Dicker conseguiu criar uma história envolvente, que prende, faz o leitor se envolver a ponto de tentar desvendar junto o mistério sobre Nola. E quando tudo parece resolvido, varias reviravoltas tornam o livro ainda mais empolgante. 

Se tiver interesse em ler, só vai precisar de um pouco de paciência com os relatos apaixonados de Harry sobre Nola - os diálogos de Nola e suas declarações chegam a ser infantis: "oh, meu Harry querido"... Aff! Mas é uma história envolvente. Esse foi um dos únicos livros que li em casa, tamanha era a vontade de entender o desenrolar da história. Lia no ônibus sentado ou em pé, na pausa do trabalho, na rua, na fila para esperar o ônibus - se alguém aí viu um bobo nos ônibus de Santo André em pé quase caindo com um livro grande na mão, era eu! rs

Enfim, recomendo o livro!

#Opinião: Por que só na Copa?



Weslley Talaveira

Contrariando todas as expectativas, a Copa do Mundo no Brasil foi um sucesso - apesar de não termos o prometido trem-bala da Dilma, mas que não fez a menor falta. Estádios completamente prontos a tempo, por mais que falaram que não ficariam. Aeroportos funcionaram perfeitamente, transporte público à disposição, hospedagens dentro do esperado, serviços de turismo funcionando perfeitamente, estádios impecáveis, organização sem igual, o que fez com que vários frequentadores dissessem: foi uma das melhores Copas do mundo. O técnico holandês Van Gaal foi direto: a organização foi impecável, em todos os detalhes. A infraestrutura em torno dos estádios não ficou pronta a tempo, é verdade, mas nem deu pra perceber. O básico para a realização da Copa funcionou. Até mesmo o presidente da Fifa Joseph Blatter disse que essa foi a melhor copa em que ele já esteve. Tudo que dependeu do serviço público e do Governo funcionou perfeitamente, e fizemos bonito para o mundo. 

Nem parece que estamos falando do Brasil, né?

Por aqui estamos acostumados ao serviço público "mal e porcamente" feito. Serviços públicos de ducentésima categoria, servidores públicos mal humorados que parecem trabalhar amarrados a bolas de ferro apesar dos bons salários e a estabilidade que têm, hospitais que mais parecem matadouros, transporte público que parece carregamento de gado, escolas que parecem currais, burocracia burra para todo lado que se olha, políticos analfabetos com a responsabilidade de conduzir os rumos do país. No Brasil, tudo que é feito pelo poder público já vem com o carimbo de "mal feito". Todo brasileiro sabe disso. Para ser um pouco sensacionalista, poderia dizer que o serviço público no Brasil é um "lixo", salvo raríssimas exceções. Por isso compramos carro mesmo pagando pelo transporte público. Por isso contratamos convênios médicos mesmo pagando pela saúde pública. Por isso matriculamos nossos filhos em escolas particulares mesmo pagando pela manutenção das escolas públicas. No Brasil nos acostumamos a pagar duas vezes para ter um mínimo de conforto: pagamos a nossa obrigação para a manutenção do que é público, mas pagamos também "por fora", pois o público, que nós pagamos, não funciona como deveria funcionar, apesar de pagarmos por isso. What? 

Por que a competência e a organização que vimos na Copa do Mundo não funciona para o resto das coisas? 

A Copa do Mundo é a prova de que o serviço público podem sim ser de primeira qualidade. Quando há vontade política, gente competente no comando e parte da iniciativa privada trabalhando junto as coisas podem ser sim bem feitas. Nos países que consideramos "primeiro mundo", e que invejamos sempre, funciona assim. E por isso invejamos os países de primeiro mundo. Quem não tem vontade de ter um transporte público igual ao da Alemanha, que apesar de ser o país das principais montadoras de veículos, tem metrô à vontade e linhas de ônibus inteligentes que convergem e servem ao país inteiro? Quem não tem vontade de ter a educação pública da Suíça, que lidera qualquer ranking em níveis escolares? Por que isso não acontece sempre no Brasil? Falta de dinheiro? E o dinheiro investido na Copa veio de onde? Não veio dos mesmos bolsos que pagam por hospitais sem maca, ônibus destruídos e servidores públicos mal humorados? Por que não dar um "padrão Fifa" ao que temos aqui no nosso dia a dia? Por que não dar ao serviço público brasileiro o mesmo tratamento recebido pela Copa do Mundo? 

Dá sim, pra fazer bem feito. Há dinheiro e gente competente. Basta querer!

Direita X Esquerda e a nova massa de "politizados" brasileiros

Fonte: Humor Político 

Estamos em meio à memória de 50 anos da Ditadura Militar, que governou o Brasil por 21 anos com mão de ferro. Então é mais do que normal que sentimentos da época voltem à tona, ainda mais com a TV explorando o tempo todo o período da Ditadura como um tempo sanguinário em que coitados inocentes cheios de boa intenção sofreram nas mãos de carrascos crueis. Sim, a parte dos carrascos crueis é verdade e é verdade também que muita gente torturada não tinha o menor envolvimento com política. Porém, como em qualquer outra área, o exagero é sempre um erro que nos leva para a ponta de um ponto de vista, sem observar o outro lado. 

É o que temos visto atualmente no Brasil. A nova modinha entre os internautas brasileiros é se posicionar como "esquerda ou direita". Termos como "nazistas", "fascistas", "nazi-facistas", "burgueses", "bolcheviques" e outros são repetidos aos milhões em coro todos os dias nas redes sociais por gente que sequer sabem o significado dessas palavras acima, e que nunca leram nada sobre o Nazismo. Repetem porque ouviram alguém aparentemente inteligente falando. É o famoso comportamento de boiada, agora repaginado: se um critica a Sheherazade, todo mundo vai atrás - até o Boechat, quem diria! Se um critica a Copa, todo mundo também critica. Se um diz que o PT é culpado de tudo, todo mundo joga a culpa no PT. Se um diz que tucano é de direita, todo mundo chama tucano de direitista. Se a "TV Revolta" publicou um vídeo legalzinho no Youtube mostrando "o que os políticos não querem deixar você saber", todo mundo repassa em suas redes sociais como se aquilo fosse a verdade suprema, claro que sem buscar saber se o conteúdo é verdadeiro ou não. "Ah, deve ser verdade, porque parece verdade, então eu acredito que é verdade e digo a todos que isso é verdade porque a TV Revolta disse que é verdade". É a versão política do pezinho de carambola do Chaves. E assim montamos nossa consciência política, baseada em reportagens da revista Veja ou em "matérias" do CQC com políticos em Brasilia, e em vídeos ou imagens cheias de conteúdo raivoso publicadas no Facebook e compartilhadas por milhões de "engajados". Sim, essa é a nova massa dos politizados brasileiros. Gente que nunca estudou qualquer coisa sobre política, sobre a história da política no mundo, sobre os conceitos de Direita e Esquerda, que nunca buscou saber as diferenças entre o liberalismo e o socialismo - aliás, gente que sequer sabe o que é liberalismo, nunca leu sobre as democracias ao redor do mundo, nunca leu sobre as ditaduras comunistas, sobre a força da religião sobre o pensamento político ao redor do mundo, sobre a Guerra Fria (o melhor exemplo de guerra ideológica política levada às últimas consequências). Gente que sabe sobre política o mesmo que sabe sobre a vida sexual dos ursos pandas do Ártico, mas gosta de chamar a Sheherazade de "fascista" ou a Globo de "vênus platinada" pra posar na internet como "politizado". Podemos dizer que os novos politizados da internet brasileira são como os que se declaram fãs da Clarice Lispector, mesmo sem nunca ter lido nenhum dos livros dela. 

Isso pode ser bom? Sim, se servir como motivação para despertar nos jovens brasileiros a curiosidade e o interesse pela política. A partir do momento em que os jovens desejam o engajamento,desejam se envolver com alguma coisa que faça realmente alguma diferença, consequentemente começam a pesquisar mais sobre o assunto. Desde que pesquisem todos os lados da história com a cabeça aberta, livre de preconceitos e estereótipos formados pelas redes sociais, e só formem opinião depois de conhecer a fundo o que cada lado diz, isso é sim, muito positivo.

Mas há um lado perigoso nisso. A falta de informação e de conhecimento base pode nos levar a erros imbecis, como os que pedem a volta da Ditadura, sob o argumento de que "no tempo dos Militares não tinha corrupção", ou os que vivem de elogiar as "democracias" cubana e venezuelana. Os que vivem de afanar países socialistas se esquecem que algumas das maiores ditaduras do mundo foram de esquerda, como a URSS e seu bloco gigantesco que levou metade da Europa ao fracasso econômico, fracasso esse até hoje ainda não recuperado por vários países como Ucrânia, Sérvia e Bósnia (Sarajevo ainda hoje é uma cidade que tenta se reconstruir depois do desastre da URSS).

Não, não há espaço no mundo atual pra divisões bobas entre Esquerda e Direita. A Esquerda já não é mais tão esquerda, pelo menos a Esquerda comprometida com sua ideologia, que reconhece que vários conceitos marxistas só dão certo no papel, e a Direita já não é mais tão direita - a crise econômica dos últimos anos e os extremismos direitistas europeus são prova disso.

Alguns conceitos da Direita e Esquerda ainda permanecem presentes ativamente em nosso dia a dia, e quem se envolve um pouco mais com o assunto percebe isso, mas dividir o mundo entre "nós" contra "eles" é uma forma pequena e até mesmo perigosa de ver o mundo. Quando fechamos as pessoas em rótulos corremos o risco de taxar como inimigos os que pensam diferente, e por vezes nos pegamos falando asneiras como "extirpar" o outro, coo se disse há uns anos atrás.

Maturidade política é ter sua própria ideologia, mas estar ciente que algo em suas convicções pode sim, estar errado, e que pode sim haver coisas boas no pensamento do outro. Antagonismos sim, rivalidades e guerras, não, Por favor!

#Opinião: Em cima do muro com Valesca

Valesca Popozuda. Fonte: M de Mulher

Weslley Talaveira

Eu gosto de pensar que o Brasil está numa fase de transição. Historicamente somos conservadores. Fomos colonizados por portugueses católicos e nossos maiores herois nacionais são padres e santos (São José de Anchieta, Padre Antônio Vieira, São Paulo, por exemplo). Somos um país onde a religião e todo o conservadorismo que sempre a envolveu tem muita força como formadora de opinião de massas, mas os tempos modernos nos tem colocado em contato com o extremo disso tudo. Se por um lado sempre tivemos a influência do conservadorismo, por outro lado bombam todos os dias pessoas e situações que nos questionam, nos tiram da nossa zona de conforto e nos fazem pensar sobre tudo aquilo em que acreditamos. Nossa atual situação é a prova de que nem sempre os opostos se atraem. Pelo contrário. As vezes os opostos travam guerras intensas. 

Penso que estamos numa ponte bastante frágil que liga o conservadorismo extremo à libertinagem total, e ainda não encontramos um ponto seguro onde nos apoiar. Sim, ainda balançamos bastante, sem saber se voltamos atrás e nos seguramos novamente no lado conservador ou se corremos para frente e chegamos na falta total de limites. E essa insegurança nos incomoda, pois não gostamos de riscos. Queremos um lugar certo para estar. Não gostamos da dúvida. Queremos certezas, mesmo que para isso não precisemos questionar muito. E o momento atual é de dúvida: continuamos conservadores? Aceitamos tudo como normal e dane-se o universo? Se preocupar com o futuro ou ativar o foda-se e ser feliz?

Só isso explica tanta polêmica, tanta opinião contrária, tanto debate inútil que não leva a lugar nenhum. Todos os dias vemos extremos se conflitando, opostos se atracando. As opiniões conflitantes resolveram entrar no ringue e disputar a tapa quem leva o cinturão que dará ao vencedor o título de "lado certo". Gays e héteros, esquerdistas e direitistas, moralistas e libertários, homens e mulheres, todo dia vemos uma polêmica diferente. E isso é bom. Não porque um dos dois lados tem que vencer e lançar o outro no calabouço da ideia morta, mas para encontrarmos um meio termo entre o "nem tanto" e o "nem tão pouco". Sim, estar "em cima do muro" muitas vezes é bom. Nos dá uma boa visão de ambos os lados. 

Sim, tudo isso me veio à mente a partir da Valesca Popozuda. Não só por causa dela, mas pelo que ela representa atualmente. A tal prova de filosofia aplicada no DF que a tratou como "pensadora" - uma clara e divertida ironia - trouxe novamente ao debate - leia-se "ringue" - a questão do politicamente correto e da moral e bons costumes. Bater de frente é o que? Tiro, porrada e bomba? Eis uma questão que nem Sófocles poderia responder. Mas a Valesca respondeu. 

A Valesca por si só não diz muita coisa, até porque ela não tem quase nenhum dos atributos que classificaria alguém como "artista": canta mal, interpreta mal, tem uma voz horrível e nem é tão bonita assim. Até a fabricada Anitta ganha dela nesses quesitos. Mas, muito diferente da Anitta, ela representa um outro lado da nossa sociedade, que sempre existiu mas esteve quieto até agora: o da liberdade total, o da "vadia", a "periguete", que está se lixando pra moral e bons costumes, e só quer mesmo é viver conforme suas próprias regras. 

Sim, é um outro extremo, mas ele existe, e veio novamente ao debate depois do "beijinho no ombro" que vem marcando presença em todo lado. Mandar beijinho no ombro é moda, principalmente se o alvo forem as invejosas de plantão. Os conservadores enlouquecem com essas coisas. Os "moderninhos" vibram. Os que não são nem um, nem outro? Bom, esses ainda estão tentando entender o que está acontecendo no Brasil. Eu me enquadro entre esses, que não são tão chatos, mas não conseguem ir tão além assim. 

Onde isso tudo vai dar? Não sei. Mas quero acompanhar. Esse conflito só tem coisas boas a oferecer. Sem saber, Valesca Popozuda está contribuindo para o nascimento de uma nova sociedade, uma legião de pessoas que assumidamente querem estar em cima do muro, sem se fecharem em qualquer rótulo, abertas a experiências novas. Que mal há em ser apreciador de Chico Buarque e ouvir algum funk carioca? Ou vai dizer que você nunca se contagiou com aquela batida que parece virar chiclete? Gosto dessas mistura. Gente completamente diferente que se junta de vez em quando pra fazer alguma coisa. Clássico e popular. Sofisticado e simples. É legal!

Vai, quebra um pouquinho esse preconceito e aprecie o muro. E pra quem gosta de viver no chão, fechado em apenas um lado da história e gosta de reclamar  de tudo, "late mais alto, que daqui eu não escuto". 

Dona Neli: a boa árvore dá bons frutos #Mulheres2014



Pelo Facebook, o Blog Novas Ideias lançou a proposta de leitores enviarem histórias inspiradoras de mulheres comuns, para encerrar a série Mulheres com Novas Ideias desse ano. Entre todas as histórias enviadas a selecionada foi a da curitibana Letícia Lima, que contou a história de dona Neli, sua avó que faleceu em 2013. 

Acompanhe:

***

Na música “Todos os defeitos de uma mulher perfeita”, Chorão descreve em seus versos algumas qualidades de uma “mulher perfeita” – Com força, sensibilidade e garra. Entre outras qualidades, é a partir desses versos que conto a história de minha avó – aquela que possui todos os “defeitos” de uma mulher perfeita. 

Nascida em meados de 1949, no interior do estado do Paraná, Neli, desde a sua adolescência, sempre pensou diferente das condições em que vivia em Ibaiti. Vivendo com pais com problemas psíquicos e irmãs “garota de programa”, resolveu cedo começar sua aventura de sobrevivência, indo á capital paranaense, com o objetivo de trazer bons benefícios aos seus parentes com seus estudos. 

Enfrentou fome, humilhação, e exploração, sobrevivendo como doméstica de tios, em suas horas livres se empenhava em estudar cursos e línguas. Aos 15 anos, já era fluente no alemão. 

Na vida adulta, conheceu o homem com quem vivera o resto de sua velhice: Aristeu. 

Começaram sua jornada aos 23 anos, morando em um quarto alugado, comendo os restos de alimentos do lixo, e ajuntando o resto do que tinham. Meu avô trabalhando com toras pesadas de madeira (o que causou hérnia no futuro) e minha avó de “sacoleira” batendo em porta em porta em busca de sustendo. 

O fruto do suor trouxe um terreno avaliado em mais de um milhão de reais. Sua promessa foi comprida: cuidou de seus pais até a morte. Cuidou de suas irmãs até quando sua doença permitiu. 

Ajudar parentes não foi o bastante para ela, em sua casa, passaram mais de 30 jovens desabrigados, que assim como ela, não tinham o que comer, ajudou-os para que eles tivessem uma vida digna, assim como ela conquistou. Evangelizou milhares de pessoas, no Paraná e afora, mostrando que Jesus, foi o pilar de onde ela chegou. 

Infelizmente, o antônimo de perfeição é a falha, e ela como humana, morreu aos 64 anos com problema pulmonar e indício de câncer. E é a ela a quem dedico meu texto, a mulher que foi a heroína do meu viver, que por meio de dificuldades me ensinou a ter valor a um prato de comida e a ela, a quem me incentivou ao meu estudo, a ela, a minha entrada numa faculdade pública, obrigada vó, sem você eu não teria tantos bons frutos . 

Descanse em paz.

Por um mundo com mais "Malalas" #Mulheres2014

Malala Yousafzai


Por Liesel Hoffmann


Já havia ouvido falar na paquistanesa adolescente que vinha revolucionando seu país antes dos acontecimentos de 2012, em que Malala Yousafzai foi atingida por tiros disparados por fundamentalistas islâmicos. Mas até então nunca havia dado muita atenção ao que ela tinha para falar, por pensar que era uma realidade tão distante da minha que suas palavras não iriam me impactar em nada. Foi com esse pensamento que resisti a comprar o livro publicado por ela após se recuperar quase milagrosamente. Só o fiz por causa da insistência de amigos que o leram e comentavam tanto que me vi sem assunto em alguns momentos. 

Ainda bem que comprei o livro. O li em menos de uma semana, e a vida dessa garota ainda está me impactando. 

Malala, desde o início, lutou contra um regime forte e poderoso no mundo árabe. Ainda pré-adolescente se viu obrigada a assumir uma briga por uma causa linda: estudar. Tudo o que a pequena moradora do Vale Swat queria era o direito de ir à escola com seu uniforme seus livros e lá absorver um pouco da cultura. Bem diferente do que pensavam os fundamentalistas, que viam nessa atitude uma rebeldia contra a religião islâmica e uma certa "aproximação com o Ocidente". Malala, que viu seu direito ameaçado, se sentiu obrigada a assumir a luta pelo direito à liberdade de expressão, luta essa defendida também pelo seu pai, dono de uma pequena escola na região. 

As coisas só complicaram com a chegada do Taleban na região, que obrigou as meninas a abandonarem a escola sob ameaças de morte, além de destruírem diversos estabelecimentos. Milhares morreram em confrontos e outros vários foram obrigados a saírem de suas casas, entre eles a família de Malala. Mas essa garota não desistiu de sua luta e, ao voltar para casa, tratou logo de organizar de novo seus livros e procurar sua escola, para que pudesse retomar seus estudos. 

Por conta da tentativa de assassinato por parte do Taleban, Malala mora hoje em Londres com a família, mas continua em sua luta para que outras meninas tenham o direito a educação. 

Malala é um exemplo de força e apego a uma causa nobre. Vivemos num mundo tão relativo, onde as pessoas não defendem mais nada, não lutam por mais nada, e encontrar alguém como a Malala é confortante. Nos faz pensar que nem tudo está perdido. 

Tomara que hajam outras Malalas no mundo, só assim podemos ter um pouco mais de esperança no futuro. 



Liesel Hoffmann é alemã e mora em Berlin. Chefe de redação de jornalismo esportivo da Deutsche Welle, principal rede de notícias da Alemanha e uma das principais do mundo, Liesel admite que quando aceitou a vaga não gostava de esportes. Mal sabia o elenco do Borussia, time do coração, mas vem se destacando há um ano na função. Tem planos de estar no Brasil para a Copa do Mundo. 

Liesel já escreveu em várias outras oportunidades no Blog Novas Ideias. 

Mulheres machistas. Sim, elas existem #Mulheres2014

Fonte da imagem: Sexplicando

Por Larissa Oliveira

Olá, amigos do Blog Novas Ideias. 

Se você conhece algum caso de uma mulher que foi agredida pelo companheiro, provavelmente você já ouviu alguém dizer que ela apanhou porque "deu motivos". Eu já ouvi isso. Mulheres comentando entre si (salão de cabeleireiro é o point perfeito pra isso) sobre uma outra que supostamente teria apanhado do marido, e uma comentou: "também, irritante como ela é, até dá pra entender porque o marido dá uns petelecos às vezes". 

Se pararmos para pensar, o machismo vem de família. Nenhum homem nasce machista. Ele aprende a ser. Como aprende? Principalmente dentro de casa, e é lá que a mãe tem sua parcela de culpa. Mães como essa que eu descrevi acima, que ainda veem a mulher como um produto submisso ao homem (e aí a religião tem grande culpa). Lembra de comentários como "quando seu pai chegar vou contar tudo para ele"? Pois é, por que o pai é quem tem que resolver? E a autoridade materna, onde fica? Por mais simples que pareça, o machismo está presente em detalhes do nosso dia a dia. E ele pode ser perpetuado. Aprendemos a ser machista e ensinamos nossos filhos. O início do machismo está na divisão de tarefas em casa: qual mãe coloca o menino para limpar a casa? Poucas. Por que? "isso é coisa de mulher". Quem disse?

É triste ter que assumir, mas ainda há muitas mulheres que reforçam conceitos machistas no dia a dia. O sociólogo Gustavo Venturi diz que o machismo só existe ainda porque é perpetuado pela própria vitima. As pessoas passam a achar tão comum aquele comportamento que o incorporam, e passam de geração em geração. Isso se aplica não só ao machismo, mas a homofobia e outros problemas da nossa sociedade, ainda tão fortes. E não é difícil ver atitudes machistas em mulheres. Não pagar a conta, não tomar a iniciativa num relacionamento, casar-se com homens que ganham mais, escolher homens que tenham mais experiências sexuais que a mulher, não escolher e outras coisas que são consideradas "coisas de homem". Quer ver o machismo presente de forma viva? Observe um casal em que a mulher é mais alta e veja a reação das pessoas em volta. 

Pois é, o machismo ainda está presente, e no subconsciente feminino, pra piorar. Antes de cobrar dos homens atitudes mais igualitárias, nós temos que nos ver como iguais. Iguais em tudo. Só assim poderemos cobrar. 


Larissa Oliveira, 23 anos, é paulistana e estudante de Direito. Membro da Juventude Tucana, do PSDB, e irá fazer campanha intensa pela candidatura de Aécio Neves esse ano. Gosta de Rock, Mallu Magalhães e Criolo. Assume já ter cometido vários erros na vida (ter votado no PT na eleição para governador em 2006 foi um deles, diz ela). 

#Mulheres2014: Não quero flores, quero respeito!



Lorena Sterblitch
Weslley Talaveira

Todo dia da Mulher é igual: as empresas dão flores e algum mimo bobo que você poderia muito bem fazer para si mesma em casa, homens posam de bons meninos e dão "parabéns" às mulheres que conhecem com textos copiados de algum site fofinho encontrado no Google. A TV fica mais insuportável do que já é todo dia, com mensagens ridículas e músicas melosas, contanto historinhas de mulheres que venceram alguma adversidade na vida, com a intenção clara de fazer chorar quem está em casa e ganhar uns míseros pontos no Ibope. Enfim, eu poderia passar o dia 8 de março inteiro dormindo e quando acordasse no dia 9 saberia muito bem o que aconteceu no dia anterior. 

E esse é o problema do Brasil: a realidade não muda. 

Hoje, enquanto o Raul Gil estiver fazendo aquelas homenagens insuportáveis naquele programa que cheira a naftalina, milhares de mulheres no Brasil estarão apanhando, sendo violentadas ou morrendo. Sabe por que? O Brasil ainda não sabe tratar suas mulheres. Enquanto a vitrine mostra um Brasil igualitário, com uma mulher na presidência, o interior mostra um palco de guerra contra uma vítima que é fraca sim, apesar de ser a maioria. Duvido aparecer uma pessoa nesse país que nunca tenha tido contato com uma história de uma mulher que tenha apanhado, seja do marido, do namorado, ou violentada no metrô, no ônibus. 

Desculpem, mas não quero flores. Guarde seu botão de rosa para outra ocasião. Eu quero ser respeitada como mulher. Quero ter liberdade pra andar pelas ruas da minha cidade com a roupa que eu quiser sem o medo de ser estuprada por um maluco. Quero ter a garantia de que terei minha competência remunerada de igual para igual com os homens. Quero ter a certeza de que terei um relacionamento em que sou respeitada como mulher. 

Nós somos fortes. Podemos até ser fracas fisicamente, mas temos uma força que o mundo ainda não conhece, e é essa força que quero ver respeitada. Por homens e por outras mulheres. 

Só pra encerrar: só seremos um país desenvolvido de verdade quando tivermos tratamento igual entre todas as pessoas, sejam homens e mulheres, gays e héteros, negros e brancos, religiosos e ateus e por aí vai. Não é tão difícil assim!


***


Lorena Sterblitch tem 22 anos, mora em SP e estuda Publicidade e Propaganda. É filiada ao Partido Verde desde 2010. 

Ü-Berlin - R.E.M.

 
Se eu precisasse eleger uma música que resume bem meu momento atual, o que sinto e o que espero do meu futuro, pelo menos o futuro não muito distante, essa música seria Ü-Berlin, do REM, tanto pela letra como pela referência à Alemanha. Sim, "Ü-Berlin" é uma referência ao "ü-bahn", metrô alemão.

 

Agora, pegue seus remédios e
Agora, faça seu café da manhã
Agora, penteie o cabelo e vá trabalhar
Terra de surpresas, sem ilusões, sem colisões, sem intrusos
A minha imaginação se esvai

Eu sei, eu sei, eu sei o que estou buscando
Eu sei, eu sei, eu sei que isso está me modificando
Estou numa estrela, voando em direção a um meteoro essa noite
Estou voando numa estrela, estrela, estrela Vou sobreviver ao dia
E aí o dia vai virar noite E eu vou sobreviver à noite

Agora, pegue o U-Bahn, cinco paradas, mude de estação
Agora, não se esqueça de que a mudança vai te salvar
Agora, conte mil milhões de pessoas, um número incrível
Correndo pela cidade com suas estrelas brilhantes

Eu sei, eu sei, eu sei o que estou buscando
Eu sei, eu sei, eu sei que isso está me modificando

Estou numa estrela, voando em direção a um meteoro essa noite
Estou voando numa estrela, estrela, estrela
Vou sobreviver ao dia E aí o dia vai virar noite
E eu vou sobreviver à noite

Não me importo de repetir, eu não sou completo
Nunca fui do tipo que tem um dom
Aí, cara, me diz, você está indo para algum lugar?
Você quer vir comigo essa noite?

Eu sei, eu sei, eu sei o que estou buscando
Andamos na rua para sentir o chão, estamos perseguindo:
Uberlin

Estou numa estrela, voando em direção a um meteoro essa noite
Estou voando numa estrela, estrela, estrela
Vou sobreviver ao dia E aí o dia vai virar noite
E eu vou sobreviver à noite

Mulheres com Novas Ideias 2014


Está no ar, pelo quinto ano consecutivo, a edição 2014 da série Mulheres com Novas Ideias. Quem lê o blog desde o começo já conhece essa série que já se tornou uma marca do blog. Todos os anos, na semana da mulher, o Blog Novas Ideias convida blogueiras para participarem do blog e darem aqui sua visão de mundo, sua forma de encarar a sociedade e o que nos rodeia. 

Veja aqui a edições de 2010 / 2011 / 2012 / 2013.

Teremos a participação da estudante de Direito Larissa Oliveira, que já participou outras vezes aqui no blog e nos presenteia com sua visão de mundo. Membro da juventude do PSDB de São Paulo, a Larissa é do tipo que sonha em fazer a diferença no mundo. 

Nos dando o privilégio da participação teremos novamente aqui a jornalista alemã Liesel Hoffmann, atualmente diretora de jornalismo esportivo de uma importante rede de notícias de Berlim. A Liesel já foi colunista oficial do blog e já participou em outras edições do Mulheres, e esse ano nos presenteia novamente com sua inteligencia. 

Para encerrar, teremos a história de vida de dona Neli, enviada pela Letícia Lima, uma das leitoras do blog, uma história de superação e amor pela família. Vale a pena conferir. 

Começa hoje, aqui no Blog Novas Ideias. 

Acompanhe! 

Alain Resnais, inovador aos 91 anos | Vamos Mostrar Cultura #12




Por Wes Talaveira


Muita gente torceu o nariz quando o Festival de Berlim atribuiu a Alain Resnais o prêmio Alfred H. Bauer por Aimer, Boire et Chanter. E há que se entender o estranhamento: um prêmio de inovação a um cineasta de 91 anos que traduziu para o cinema, de forma completamente artificial, uma peça de teatro.

Mas quem conhece o histórico de Alain Resnais sabe que ele merece esse e qualquer outro prêmio que se possa entregar, por sua obra composta por quase 50 filmes, entre eles Hiroshima Meu Amor e O Ano Passado em Marienbad. Resnais foi a grande estrela da Nouvelle Vague, movimento responsávle pela renovação do cinema francês nos anos 50, que culminou por influenciar todo o cinema cult ao redor do mundo.

Aqui no Brasil, mais precisamente me São Paulo, Resnais marcou história entre os amantes do bom cinema com o filme Medos Privados em Lugares Públicos, de 2006, que ficou mais de três anos em cartaz e acabou por se tornar parte da história do extinto Cine Belas Artes, na esquina da Paulista com a Consolação.

Falecido na madrugada de sábado 01 de março, Resnais é a prova de que algumas pessoas são, sim, insubstituíveis. Sua maior capacidade era conseguir retratar, de modo singelo e delicado, a profundidade humana, com suas dificuldades e medos. Cada diálogo, muitas vezes mais parecendo monólogos, e suas cenas longas de silêncio total, combinadas com cenas panorâmicas que nos fazem sentir parte do elenco, são a prova de sua sutileza e sua sensibilidade ao criar roteiros.

Alain Resnais vai fazer falta.


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Wes Talaveira
Publicitário, escritor e blogueiro há mais de 8 anos, já escreveu no Insoonia quando o blog ainda estava hospedado no servidor da MTV, além de outros portais de opinião. 

Freakpedia #1 Toda a beleza e sensualidade da Sexy Angel Stripper @SexyAngel_Strip



Com colaboração de Larissa Oliveira


Sim, meus amigos! O Freakpedia tá de volta! #TodosComemora \O/

Pra quem lembra da gente, nós éramos um blog de humor que deixou de existir no final do ano passado, mas aqui estamos de volta, graças ao apoio do querido e lindo Wesley Talaveira, que cedeu o espaço no Blog Novas Ideias. A partir de hoje estaremos aqui todo primeiro domingo do mês como um espaço dedicado ao humor e ao besteirol que povoa a internet brasileira! #TamoDeVolta #Uhuuuuuu!

E pra marcar nossa volta trouxemos aqui uma participação especial deliciosa pra os marmanjos - e umas meninas aí, também: ninguém menos que a maior deusa da internet brasileira: a gata da Sexy Angel. Ela já esteve presente aqui no blog, na coluna BloGirl. Não lembra? Corre lá!

Ela é stripper virtual e faz a alegria de homens todos os dias graças a bendita webcam. Aliás, um momento de agradecimento a deus pela Connectix, a criadora da primeira webcam, em 1994. Graças ao gênio que criou esse equipamento maravilhoso hoje temos a oportunidade de ver maravilhas como a Sexy Angel.

[ Acesse o Site Pessoal da Sexy Angel] [ Visite o Blog da Sexy Angel ]
[ Acesse o Diário Virtual da Sexy Angel

Ah vá, que você não sabe o que é uma stripper virtual. Bom, nós explicamos! Por um valor fechado e pago  antecipadamente ela se exibe para você via MSN ou Skype, fazendo tudo o que foi combinado na hora do acerto, que pode ir desde um strip simples até o uso de brinquedinhos ou de amigas!!!

Quando isso começou? Bom, quando ninguém nem sabia direito o que era isso, uma menina linda chamada Emanuelly Raquel, que já alegrava meninos nas salas de bate-papo com nicks como "ninfetinhashowcam" viu aí uma oportunidade de negócio. E dessa brincadeira virtual nasceu a maior stripper virtual do Brasil - e talvez do mundo, a nossa Sexy Angel. Ela hoje é mais que apenas uma stripper: é uma marca de sucesso na internet, com um trabalho cheio de bons resultados e digno de ser respeitado. Ela leva a sério o que faz, e isso faz toda a diferença.

Depois dela surgiram outras várias - e várias mesmo, tem de todo tipo de cor de pele, cabelo, e até forma física... haha Mas igual a Sexy Angel não tem ninguém. Sabe por que? Quando ela está na frente da webcam ela se dedica, se entrega por inteira.

E aí, tá curioso? Corre nos links ali em cima, manolo! Fecha um horário com ela e divirta-se! Só te falo uma coisa, mano: você não vai se arrepender! Corre, antes que outro marque no seu horário!

Não vou falar sobre a beleza dela. Qualquer coisa que eu disser aqui vai ser pouco, cara! Sério! Você mesmo vai conferir isso no ensaio EXCLUSIVO que ela fez para o Freakpedia, no Blog Novas Ideias. É, nós estamos podendo!!! hahaha

Duvido você não se hipnotizar com as fotos que verá agora. Guenta aí:










Ah, e ela ainda fez DUAS fotos exclusivas pra o chefinho Talaveira. Tá podendo, hein?! kkkk




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Repito: corre lá no site dela e fecha um horário com a Sexy Angel. Vale a pena cara. Ela é linda - como você acabou de ver - e a simpatia em pessoa.

Encontre a Sexy Angel pelos links:

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Os 5 principais arrependimentos de quem está no leito de morte.


Já fui criticado por isso, mas eu gosto muito de lembrar que a vida não dura pra sempre. Não que eu seja pessimista e viva esperando a morte às portas, mas gosto da ideia de que não temos todo o tempo do mundo, como dizia Renato Russo. Aliás, ter consciência da brevidade da vida não é pessimismo. Pelo contrário. Quando lembramos que a vida um dia irá se acabar, temos mais vontade de vivê-la com mais intensidade.

E pegando carona nessa ideia achei uma coisa muito bacana num blog americano esses dias: uma enfermeira especializada em cuidados paliativos de pacientes à beira da morte, que são enviados para "morrer em casa", revela algumas das experiências que já viveu ao lado de pessoas assim, e fez uma lista incrível: os 5 principais arrependimentos dessas pessoas, que estão à beira da morte. 

É impressionante:

1) Gostaria de ter tido a coragem de ter tido uma vida mais fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros queriam que eu tivesse.
Esse foi o arrependimento mais comum de todos. Quando as pessoas se dão conta de que sua vida está quase no fim e olham para trás, percebem como muitos sonhos não foram realizados. A maioria das pessoas não tinha honrado nem mesmo uma metade de seus sonhos e morreram sabendo que era devido às escolhas que fizeram, ou não fizeram. É muito importante tentar realizar pelo menos alguns de seus sonhos ao longo da vida. A partir do momento que você perde a sua saúde, é tarde demais. A saúde traz uma liberdade que poucos percebem ter, até o momento em que a perdem.

2) Queria não ter trabalhado tanto 
Isto veio de todos os pacientes do sexo masculino que cuidei. Eles perderam a juventude de seus filhos e o companheirismo do cônjuge. As mulheres também falam sobre esse arrependimento. Mas, como a maioria era de uma geração mais velha, poucas mulheres tinham sido chefes de família. Todos os homens de quem eu cuidei lamentaram profundamente gastar tanto tempo de suas vidas na esteira de uma existência de trabalho. Ao simplificar o seu estilo de vida e fazer escolhas conscientes ao longo do caminho, é possível não precisar da renda da qual você corre tanto atrás. E criando mais espaço em sua vida, você se torna mais feliz e mais aberto a novas oportunidades.

3) Gostaria de ter tido coragem para expressar meus sentimentos
Muitas pessoas suprimiram seus sentimentos a fim de manter a paz com os outros. Como resultado, tiveram uma vida medíocre e nunca se tornaram quem realmente eram capazes de tornar-se. Muitas doenças relativas à amargura e ressentimento que carregavam são resultado disso. Nós não podemos controlar as reações dos outros. No entanto, embora as pessoas possam inicialmente reagir à honestidade dos seus sentimentos, no final a relação acaba caminhando para um nível totalmente novo e saudável. Ou então elas liberam o lado doentio de sua vida. De qualquer maneira, você ganha.

4) Gostaria de ter mantido contato com meus amigos
Geralmente as pessoas não percebem os benefícios de manter amizades até que se encontram no leito da morte e não conseguem sequer localizá-los para avisar. Muitos se envolveram tanto em suas próprias vidas que deixaram amizades de ouro se acabarem. Haviam arrependimentos profundos por não terem dedicaado o tempo necessário à grandes amigos.

É comum para qualquer um, no estilo de vida corrido que tem, deixar amizades se escaparem. Mas quando você se depara com a morte em sua porta, as coisas materiais perdem importância. AS pessoas até querem ter suas finanças em ordem, se possível, mas não é o dinheiro ou o status a real importância para essas pessoas. Eles querem ajudar mais aqueles a quem amam, mas sempre estão muito doentes para fazerem isso. E é o que sobra no final da vida: amor e relacionamentos.

5) Gostaria de ter-me feito mais feliz
Essa é uma coisa comum, mas surpreendente. Muitos levam a vida inteira para perceberem que a felicidade é uma escolha. Eles haviam ficado presos em seus velhos hábitos. A chamada "zona de conforto" os paralisou, fisica e emocionalmente. O medo da mudança os faziam fingir, para si mesmo e para os outros, que suas vidas eram completas, quando la no fundo tinham vontade de rir despretensiosamente e de fazer tolices. Quando você está no leito de morte, o que os outros pensam de você não tem mais significado nenhum. Ah, como é bom ser capaz de sorrir de novo antes do fim da vida. A vida é uma escolha. É a sua vida. Escolha conscientemente, com sabedoria, com honestidade. Escolha a felicidade.