#Música Anitta: nem tão Poderosa assim



Que atire a primeira pedra quem nunca se pegou cantando "pre-para" em algum momento do dia. Não adianta, certas músicas grudam na cabeça, por mais que você tente evitar. às vezes é pior. A equação matemática nesse caso diz que a probabilidade de uma música grudar na sua cabeça é inversamente proporcional ao seu apreço por ela. Traduzindo: quanto menos você gosta da música mais ela vai grudar. 

E se o assunto é músicas que grudam ninguém melhor que o fenômeno do momento. Sim, falo de Larissa de Macedo Machado, a atual Anitta dona do hit Show das Poderosas, que ganhou o Brasil graças a uma grande ajuda da Globo. Antes dessa "forcinha" Anitta era uma funkeira comum (era ainda a MC Anitta) que era conhecida apenas no Rio de Janeiro e na internet, mas sem nenhum pouco do prestígio que tem hoje. Ainda antes das cirurgias plásticas que transformaram seu rosto e da notável redução dos seios (sim, caras, os seios dela eram ainda maiores!), era possível ver a Anitta nos palcos da Furacão 2000, empresa responsável por divulgar o funk carioca, junto com outros nomes menos importantes do funk, como MC Pocahontas e MC Beyoncé. Como eu sei disso? Conversei com ela uma vez pela internet para um post que eu estava elaborando junto com a Maria Rita para o blog dela. Agora Anitta é celebridade. Por onde passa, Anitta arrasta multidões. Seus shows, com três formatos diferentes (incluindo aí o Chá da Anitta, com uma forte pegada funk), são cheios de apresentações que mesclam a sensualidade do funk, expressa nas suas roupas minúsculas e na batida das músicas, e o pop, presente nas letras mais "leves" que as do funk tradicional. Mas se no palco Anitta encanta, hipnotiza e prende a atenção, não se pode dizer o mesmo de seu CD. 

Lançado em agosto, o CD homônimo tem 14 faixas com letras que exaltam a moral feminina. As músicas, as mesmas dos shows, não tem o mesmo brilho quando só se tem a voz de Anitta. O poder de sedução, do gingado e da sensualidade da cantora se reduz a batidas estéreis e edições de voz que tornam as músicas artificiais e fracas. Falta ainda muito peso comercial às músicas dela.  

Anitta, na verdade, não é uma cantora. É uma artista da música. Sim, são coisas diferentes. Uma cantora encanta em qualquer situação, mesmo quando sua música é ouvida num CD, no celular ou em qualquer outra mídia. Uma artista da música precisa do palco para encantar. Anitta é o tipo de cantora que brilha e rouba a cena quando canta ao vivo, principalmente por suas caras, bocas e e pernas que exalam sensualidade. Mas todo esse brilho some se as músicas forem apenas ouvidas. Até porque a graça da Anitta é o show, não a música em si. Isso acontece com a Anitta e com boa parte dos nomes famosos da música brasileira atual. São artistas da música que ganham admiração no palco, mas que não reproduzem isso em seus CDs. Qual o problema disso? Os artistas da música tendem a desaparecer com a mesma rapidez com que ascenderam. Seu show logo perde a graça e é substituído por outro tão hipnotizante quando. 

Enfim, parece que agora é hora do show da poderosa. Apenas do show. 

Mas quem é o Amarildo?


Digamos que 40% do Brasil está perguntando: cadê o Amarildo? 20% não está nem aí pra quem é ou deixa de ser o Amarildo. E outros 40% querem saber outra coisa: quem é esse tal Amarildo que todo mundo fala?

É pra esses últimos que esse post é direcionado.

Vamos lá, quem é Amarildo? Algum cantor novo de funk melódico, tipo o Naldo e a Anitta?
Não, ele não canta nada, não. Na verdade é um pedreiro morador de uma favela do Rio que sumiu depois de ter sido levado pela Polícia para "averiguação".

Mas o que aconteceu com ele?
Ele foi abordado na porta de casa em 14 de julho por quatro policiais da UPP da Rocinha, que o confundiram com um traficante da região. Foi levado para a sede da UPP para averiguação, e depois disso sumiu. Ninguém teve mais qualquer informação sobre ele.

Ah! Mas só isso? Tanto barulho só por isso?
Pensa: um cara comum, sem nenhum antecedente criminal conforme foi confirmado pela Polícia, é levado por policiais e depois some do nada. Não existem câmeras que provem onde ele esteve, pra onde foi. Nada. 

Mas o que querem dizer: que ele foi morto pelos policiais?
Não é o que se diz, mas a Polícia precisa explicar o que aconteceu com ele. Chegaram a fazer um exame de DNA numa mancha de sangue encontrada numa viatura da Polícia, mas não era o sangue do Amarildo. Enfim, não é possível dizer o que aconteceu com ele, mas a história é muito estranha. 

Mas será que ele era tão inocente assim? Sei lá, morador de favela...
No Brasil todo mundo é inocente até que se prove o contrário. Mas na prática não é assim, e essa ideia está não só nas Instituições, mas na cabeça do brasileiro, como nessa pergunta. Sabemos muito bem que pobre, favelado, negro nem sempre é inocente até que se prove culpa. Na verdade, as vezes na prática acontece o oposto. Primeiro se acusa e se faz algum tipo de "justiça", depois averigua se o infeliz realmente tinha alguma culpa. 

Mas não pode ter sido algum traficante que tenha matado o Amarildo?
Quem sabe? Como não existem suspeitos nem nada que conduza a nenhuma linha de investigação, qualquer hipótese e levada em conta. O fato é que tem meio mundo atrás dele: Ministério Público, a Divisão de Homicídios da polícia, até a Anistia Internacional está de olho no caso. 

Mudando de assunto, esse Amarildo parece o Zina do Pânico, né?
É, parece... ¬¬

Onde está o Zina, agora?
Olha, não vamos perder o foco do assunto, OK?

#Música Clarice Falcão e a volta das músicas bonitinhas


Ela é, digamos, uma versão um pouco mais madura de Mallu Magalhães, e já tem lugar garantido na fofomusic brasileira, ao lado de nomes como O Teatro Mágico, Palavra Cantada e A Banda Mais Bonita da Cidade, entre outras bonitinhas. Que fique claro: a fofomusic não existe de fato. É bom avisar. 

Mas independente do estilo que ela escolheu cantar, ela é uma das vozes mais brilhantes do momento, na minha opinião. Clarice Falcão é pernambucana e filha do diretor João Falcão e da roteirista Adriana Falcão. Caiu nas graças do público após o sucesso do grupo de humor Porta dos Fundos. Mas Clarice é muito mais do que humorista. Na verdade ela mesma parece ainda não saber qual carreira pretende seguir, e por isso segue várias, todas de forma brilhante. Aos 16 anos dirigiu seu primeiro vídeo para a internet, Dois Menos Dois, e já escrevia canções. Aos 17 anos protagonizou o curta Laços, que não só ganhou um prêmio internacional do Youtube, mas a deu visibilidade a ponto de ser convidada pelo novelista João Emanuel Carneiro para participar de A Favorita, um dos maiores sucessos da história da novela brasileira. Em 2009 adaptou para o teatro o musical Confissões de Adolescente, onde também atuou cantando e dançando mesmo sem ser dançarina. Em 2011 escreveu a peça de teatro Inbox, com o marido Gregório Duvivier. Ainda em 2011 atuou no filme Eu Não Faço A Menor Ideia Do Que Eu To Fazendo Com A Minha Vida. Em 2012 participou de dois seriados para a TV paga, e também se lançou como humorista no Porta dos Fundos. Para alguém com 23 anos, Clarice Falcão tem um currículo invejável! 

Agora colocando em prática o lado cantora, Clarice trás o álbum Monomania, com 14 músicas assinadas por ela própria, onde narra as desventuras do amor sempre com um toque leve, agradável e as vezes até cômico. Diferente da maioria dos cantores que retratam o fim do amor sempre em tom de sofrimento, Clarice mostra uma leveza de quem sabe o que quer e usa isso ao seu favor, transformando o sofrimento em música. 

Vale a pena conferir uma das músicas e nossa dica de hoje do Sunday Music, Capitão Gancho: