Cartas Para Mim Mesmo - IV

Olá,

Pensou que ia se livrar de mim no fim de ano? Estava enganado! Aqui estou eu para nossa conversa de sempre! Aliás, não tanta frequência assim, mas ainda assim nossos diálogos tem sido bem produtivos.  E eu gosto de dar um intervalo em nossas conversas para que você possa ter um tempo para analisar os rumos da sua vida. Nosso bate-papo hoje talvez seja um pouco mais longo, pois hoje é dia de fazer um balanço do seu ano, e isso pode levar um pouquinho de tempo. Paciência, tá?   

É bom ver que agora você tem colegas, pessoas para jogar conversa fora. Isso é bom, faz falta no nosso dia a dia. Só tome cuidado para não confundir colegas com amigos, pois são coisas totalmente diferentes. Jean-Bertrand Pontalis diz que "coleguismo e camaradagem são formas de amizade que, se não nos fazem sentir mais fortes, pelo menos afastam um pouco a solidão". E é bem isso mesmo, meu caro. Um colega não tem a profundidade de uma amizade, mas é uma companhia legal pra jogar conversa fora na mesa do bar, ou do restaurante. Pelo menos não nos sentimos deslocados do mundo quando temos alguns colegas, não é mesmo? 

Mas amizade é algo maior. É aquela pessoa para quem você conta coisas mais íntimas suas. Aquela que não te olha com ar de deboche quando você conta alguma bizarrice sua, que toma por si só a liberdade para opinar sobre coisas na sua vida que nenhum outro opinaria. Aquela pessoa que se identifica com você em coisas que você achava que só você fazia ou sentia. E você tem alguns amigos - bem poucos, mas tem. Aliás, você ainda está descobrindo se eles são amigos de verdade ou não, mas sua pesquisa está no caminho certo. Acho que o resultado vai ser bem positivo.

Só tome cuidado para não confundir as coisas. Por favor! Você já se decepcionou outras vezes, lembra? E pelo que vi nos últimos dias quase se decepcionou de novo! Você não aprende?! Como você é difícil, companheiro! Mas eu te entendo. Você passou um bom tempo sem contato com o mundo exterior. Viveu quase enclausurado, e ainda tem dificuldades em entender suas reações em relação aos outros. E é difícil de entender mesmo, às vezes. É como estudar música: você só aprende fazendo. Continue como está. Mantenha a mente aberta pra novas pessoas, mas protegido contra decepções. Coloque cada pessoa que passa pela sua vida em seu devido lugar: se é um amigo, que ele (ela...) ocupe o espaço dedicado aos amigos. Nada mais que isso, OK?

Aliás, percebi em você uma capacidade de se blindar contra decepções que ao mesmo tempo pode ser boa e pode ser ruim. Pode ser boa porque você analisa antes de se deixar levar. Antes de afirmar qualquer sentimento por uma pessoa você consegue avaliar e pesar se o que está sentindo deve ser levado em frente ou não. Isso se chama prudência, e é bom. É qualidade de poucos. Só tome cuidado para você não acabar se fechando de novo para novas possibilidades. E você sabe bem do que eu estou falando. 

Uma coisa legal: aos poucos - bem aos poucos mesmo - você está se aceitando como você é. Isso faz muita diferença na sua vida. Entenda que quem quiser gostar de você terá de gostar do que você é agora. Claro, sempre há uma coisinha aqui e ali para acertar, mas grandes mudanças na personalidade são impossíveis, e você mesmo é prova disso. Lembra quando tentavam te mudar a ponto de você mesmo não saber direito quem você era? Não é bom se vestir do jeito que você gosta, ouvir as músicas que quer, sem uma pessoa importunando e dizendo "use roupa tal, não gosto dessa música"?

Estamos começando mais um ano, e com ele você tem mais uma vez uma oportunidade de levar a vida adiante. Parece frase bonitinha da Marta Medeiros, mas é a vida, querido. Você já esteve estacionado um bom tempo e precisa correr atrás do prejuízo. Vá, não tenha medo da mudança. Arrisque mais. Tente. Se declare. Se ela não quiser paciência, outras irão querer. Planeje, ou faça sem planejar. Se tudo der errado tentamos do zero de novo. Já não começamos do zero uma vez? Vamos outra, se precisar, mas não fique parado. A vida não vai bater na sua porta. A vida é uma esteira: ou você sobe e caminha com ela ou fica parado de fora olhando ela se movimentar. Vamos lá, amigo. Mexa-se. Movimente essa gordura corpórea excessiva - que eu espero que você perca nesse ano - e corra em direção ao seu futuro. O tempo não para!

Chega de bronca por hoje, né? Mas você sabe que tudo isso é para o seu bem. Aliás, eu sou o maior interessado no seu bem, pois somos a mesma pessoa. 

Feliz 2013, de quem torce pelo seu sucesso,

Mim mesmo.

Namore uma garota que lê



"[...] Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela SEMPRE VAI TER UM LIVRO NÃO LIDO NA BOLSA. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas. 

[...] Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice. 

É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as PALAVRAS SÃO AMOR. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade, mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa. É que ELA TEM QUE ARRISCAR, de alguma forma. [...] 

Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois. [...] 

Se você encontrar uma garota que leia, É MELHOR MANTÊ-LA POR PERTO. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, CHORANDO E APERTANDO UM LIVRO contra o peito, prepare uma xícara de chá e ABRACE-A. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo. [...] 

Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar POR QUE É QUE SEU CORAÇÃO AINDA NÃO EXPLODIU e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a ASLAM, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, E ELA RECITARÁ KEATS, NUM SUSSURRO, enquanto você sacode a neve das botas. 

Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a VIDA MAIS COLORIDA que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê. 

Ou, MELHOR AINDA, namore uma garota que escreve.

Texto original: Date a Girl Who Reads - Rosemary Urquico

Recebi esse texto pelo Facebook, por indicação da amiga Angelica Vancini

We All Go Back To Where To Belong - R.E.M.

Hoje eu disse no Facebook que minha música preferida do R.E.M. é ÜBerlin, mas eu me enganei. ÜBerlin é minha segunda preferida. A preferida mesmo é We All Go Back To Where To Belong:


Cat Power e seu novo álbum, "Sun"



Quem me lê aqui há algum tempo sabe que sou admirador do trabalho da Cat Power. Não digo fã porque ela não é do tipo que junta pessoas fanáticas pelo que ela faz. Mas gosto muito de tudo que ela faz. Mesmo sendo louca como é... rs

E fiquei muito, muito feliz ao saber do novo trabalho dela, Sun, depois de 6 anos sem produzir nada novo. O novo álbum é totalmente diferente de tudo que ela já fez: mais pop, com uma pegada mais animada e cheio de letras positivas, bem diferente de álbuns como os antigos Myra Lee e What Would the Community Think? com letras melosas, quase perturbadoras.

O novo álbum reflete bem a nova fase que Cat Power vive agora: vida estabilizada, sem qualquer problema com drogas ou coisas do tipo. Um álbum "leve", se é que posso chamar assim.

Pra quem curte, aí vai uma das músicas do álbum, Cherokee:


"Tento transmitir leveza e paz". Entrevista com Isabella Crociolli



Ela é linda. Aliás, não apenas linda. Incrivelmente linda. E é com essa beleza que ela vem construindo uma sólida carreira como modelo. Teve o reconhecimento da sua capacidade na própria cidade onde nasceu, ao ser eleita Miss Dracena - SP 2011. Isabela Crociolli é a prova de que talento e força de vontade são a fórmula para o sucesso profissional. Além de ter sido eleita a garota mais bonita de Dracena-SP, Isabella já venceu outros concursos como Miss Anglo Cid 2008, Garota Destaque 2011, 1° Princesa do Oeste Paulista, além de uma participação muito forte e ativa na rede social MeAdd. Já foi entrevistada pelo estilista Gerson Brito no programa De Bem Com Você, da Band e por várias revistas especializadas e, para completar o ótimo momento em que vive, foi convidada para ilustrar o livro Poemas para a Juventude, do poeta rondonense Augusto Branco, bastante conhecido principalmente na internet por poemas como "Já perdoei erros imperdoáveis". Enfim, uma série de conquistas que só provam que Isabela está no caminho certo. Como gratidão a esse reconhecimento e sucesso a modelo lançou uma promoção em seu site pessoal que dá direito a um dia inteiro com ela, incluindo ida à danceteria e jantar à luz de velas. O felizardo será o que vencer o sorteio que será feito entre os compradores do e-book do livro de Augusto Branco. Várias pessoas já estão participando da promoção, o que só prova ainda mais o sucesso da carreira de Isabela Crociolli.

Entre um trabalho e outro ela topou conversar com o Blog Novas Ideias. Leia a entrevista:

1) Como a carreira de modelo surgiu na sua vida? Tudo começou com 15 anos de idade. Participava de desfiles e eventos da cidade, mesmo! O up que minha carreira deu foi no ano de 2011 , após o concurso Miss Dracena. 

2) Como a família vê sua carreira? E o namorado, tem ciúmes?Minha família apoia muito, e claro tudo com muita calma e limites. Tento de varias formas transmitir leveza e paz para as pessoas. Meu namorado entende a forma de trabalhar e conseguir as coisas através de meus objetivos. É claro, algumas vezes ele sentiu ciumes, mas isso é normal do ser humano, todo mundo sente isto! 

3) Você foi eleita Miss Dracena 2011. Qual foi a sensação de representar sua cidade no concurso de beleza mais importante do estado de SP?Muito legal, foi uma experiencia unica para mim, que poucas meninas tem. Muito interessante mesmo, ainda mais com minha cidade se orgulhando de mim, com certeza farei sempre o melhor para Dracena-SP e sempre representarei, eterna cidade milagre. 

4) Você participou do livro de um poeta de Rondônia, Augusto Branco. Como vocês se conheceram? Qual é a sua participação no livro?O poeta Augusto Branco , me conheceu por redes sociais, através de perfis falsos. A partir disso ele se interessou por minha imagem e decidiu procurar a verdadeira. Ele é um ótimo poeta, é meu preferido. Sou muito feliz por trabalhar com ele e estar vinculada aos poemas dele. É um sucesso. 

5) Se não fosse modelo o que você faria?Não sei , eu já estudo , faço faculdade , acho que o minimo eu já faço. Sou satisfeita com o que tenho.

6) Qual o requisito fundamental para quem sonha em ser modelo? A beleza é realmente tão importante?Juízo! Acho que toda menina ou menino que quer ser modelo profissional precisa ir para o caminho certo e duradouro. Infelizmente muitas pessoas acham que indo para o caminho fácil consegue, mas a fama engana, e com isto fica passageira. Em todos os ensaios que fiz, o máximo das minhas fotografias era ser sensual, apenas isto. 

7) Quais os planos para o futuro? Pretende seguir na moda ou tem outra carreira em vista?Não sei, procuro não pensar muito no futuro, pois a cada dia que passa a vida e os caminhos se modificam, então vivo a vida e deixo rolar. 

8) Vários concursos de TV elegem garotas para modelos. Temos o tradicional Menina Fantástica, da Globo, e o novo Top Model, da Record. Qual sua opinião sobre esses programas?São muito bons, é uma oportunidade para as meninas que sonham em ser modelo. Porem, preferiria que esse mundo da moda fosse mais justo. 

9) Pra encerrar, qual seu conselho para quem sonha com a carreira de modelo?Não desistir, nada é fácil, uma carreira demora anos para dar certo, "e se der".


Conheça mais do trabalho da modelo Isabella Crociolli pelo Facebook ou pela página do MeAdd.

Ouvi e gostei: Jazz MacFarlane



Ela é linda. Aliás, incrivelmente linda, como são a maioria das australianas. Mas como para algumas mulheres ser bonita apenas não é o suficiente, ela se completa a si mesma com uma voz impecável e um dom incrível para a música. Essa é a minha definição para Jazz MacFarlane, cantora e multiinstrumentista australiana que chegou ao Brasil com uma proposta totalmente nova de música e que tem tudo para em breve despontar no cenário musical tupiniquim. Sua voz potente e firme com o inglês carregado do delicioso sotaque australiano fazem da voz dela algo muito agradável de se ouvir. Completa as músicas com uma equipe de músicos impecável, que só fazem melhorar a voz que já é ótima.

Entre as músicas dela minha dica é Be The Love:


Estevam Hernandes: o papa, ops, apóstolo do Gospel Rock brasileiro



Numa época em que o Rock nacional de protesto fervilhava com Legião Urbana, Ira!, Paralamas do Sucesso e outras, ele resolveu levar o rock'n'roll para dentro da igreja evangélica, até então totalmente avessa ao estilo. Nascia aí o Gospel Rock, incentivado principalmente por Estevam Hernandes, o fundador da igreja evangélica Renascer em Cristo e um dos maiores compositores de rock cristão da atualidade.

Mesmo ainda antes de lançar seu CD próprio ele incentivou bandas de rock importantes como Katsbarnea, Resgate, Rodox, Praise Machine e outras. E só agora, depois de mais de 20 anos de atuação no mercado musical resolveu lançar seu álbum: Inesquecível, um título bem sugestivo para um CD que pretende resgatar toda essa história do bom rock cristão.

Estevam Hernandes topou dar uma entrevista para o blog. Segue:

***

O sr foi o precursor do que se conhece como gospel rock nos anos 80, uma época em que ainda havia muito preconceito entre os religiosos com respeito à música. Como surgiu a ideia de juntar o rock'n'roll com temas cristãos?
Estevam Hernandes: Eu sempre gostei de rock. Não acredito que exista nenhuma restrição em relação ao ritmo através do qual louvamos a Deus. O importante é o que estamos cantando e com qual sentimento. A ideia surgiu naturalmente, fruto de um sentimento que sempre tive de alcançar os jovens e levar salvação a todos.


O Rock sempre foi visto pelos cristãos como "música do diabo", devido algumas bandas ou músicas serem associadas ao satanismo, como é o caso da música "Sympathy for the Devil", dos Rolling Stones. Qual foi a reação do público evangélico ao "gospel rock"?
No princípio enfrentamos preconceitos, é claro. Muitos não aceitaram e criticaram. Mas o número daqueles que foram tocados e transformados foi muito maior do que o número dos que nos criticaram. Fazíamos noites de evangelismos às segundas-feiras com muito rock e os jovens enchiam a Igreja. Começamos a tocar em casas de shows e muitos jovens foram restaurados, se livraram de drogas e outros vícios.


A igreja abriu as portas para o rock justo numa época em que o Brasil vivia o auge do rock nacional de protesto, com bandas como Legião Urbana, Ira!, Ultraje a Rigor, Paralamas do Sucesso e outros. Além disso, o Rock sempre foi associado a um estilo de vida desregrado (sexo, drogas & rock'n'roll). Podemos dizer que o gospel rock foi uma alternativa cristã à febre do rock da época?
Ele não foi concebido com a intenção de ser uma alternativa ao rock secular, mas sim ser mais um ritmo usado por Deus para que o louvor chegasse ao povo. Como comentei anteriormente, acredito que todos os ritmos e sonoridades foram feitos por Deus e por isso não há limitações para essa adoração.


Nesse mesmo período o senhor fundou uma igreja evangélica, a Igreja Renascer em Cristo, que além de todo o investimento em rock e outros ritmos mantém até hoje um grupo de louvor próprio, o Renascer Praise, já com 17 CDs gravados. Pode-se dizer que sua igreja é uma igreja musical?
Com certeza é uma Igreja marcada por uma visão de louvor e adoração. Nossa vida sempre foi marcada por louvores maravilhosos, por sons que nos foram entregues por Deus e que influenciaram a vida de milhares de pessoas. Pessoalmente fui marcado por uma música em muitas fases do ministério e da minha vida pessoal. Recentemente gravei o CD Inesquecível, que reúne várias dessas músicas, muitas em ritmo de rock´n´roll, como “Extra, Extra”, “Sepulcro Caiado” e “Revolução”. Cada música tem uma história que marcou uma etapa das nossas vidas. Todas as letras que fiz sempre tiveram o objetivo de levar a Palavra de Deus, isso é o mais importante.


A igreja evangélica sempre teve dificuldades em atrair jovens, em partes pelo estilo de vida cristão cheio de limitações. O rock foi uma forma de atrair novamente os jovens?
Acreditamos num evangelho que liberta e não que aprisiona. O rock foi um instrumento usado por Deus para alcançar os jovens, com certeza, mas o que liberta é a salvação em Jesus Cristo.


O Gospel Rock fez a igreja debater temas até então evitados pelos religiosos, como sexo, vícios em álcool e drogas e etc. Dá pra dizer que o Gospel Rock fez a igreja repensar sua existência?
A Visão do ministério que iniciamos há mais de 25 anos foi revolucionária em todos os sentidos e não apenas na música. Até então, não se viam muitos jovens nas igrejas e a religiosidade aprisionava as pessoas com regras impostas. O evangelho que liberta começou a ser pregado em todos os lugares e isso gerou esta grande revolução. Uma das músicas que está no CD Inesquecível, Revolução diz exatamente isso: “Revolução está no nome de Deus, seu Filho Jesus, que agora conheci, me libertou das cadeias, dos enganos deste mundo que sabe muito bem como iludir”.


Hoje a música evangélica em si atrai a atenção da mídia especializada e inclusive de gravadoras não-evangélicas, que já sentiram que esse é um nicho importante para se investir. Qual foi a receptividade do gospel rock entre a mídia secular nos anos 80?
Nas gravadoras e rádios seculares realmente houve muita dificuldade de penetração naquela época, mas atualmente este cenário está mudando. Cada vez mais rádios e gravadoras estão reconhecendo a qualidades destes músicos e dos trabalhos realizados por eles e abrindo espaço para que aconteça esta divulgação.


Além das músicas evangélicas, quais são suas referências musicais?
Tenho um gosto musical eclético, que abrange não apenas o rock, passando por Rita Lee, Ivan Lins, Mutantes, Ira, Paralamas até Bob Dylan, Beatles e Rolling Stones.


Apesar de ter escrito tantas músicas para tantas bandas de rock o senhor nunca havia gravado um CD. Só agora veio o CD "Inesquecível", que resgata toda essa história do rock gospel brasileiro. Por que só agora a gravação do CD próprio?
Acredito que este foi o tempo preparado por Deus para que esta gravação acontecesse. Sempre quis que ela fosse diferenciada, produzida com muita qualidade. A ideia surgiu de uma conversa recente com o Déio Tambasco, que produziu o CD. Acredito que este foi um trabalho muito especial, que com certeza nos deixou muito satisfeitos.


Para encerrar, como o sr avalia o Rock nacional, tanto o gospel como o secular?
O Brasil produz música de muita qualidade, que não deixa nada a dever a nenhum outro país. O brasileiro tem ainda uma criatividade aguçada e talento especial para arranjos e composições. É um país abençoado com músicos de muita qualidade e talento.

Vida de Mercedes Sosa vai virar documentário



Sim, sou grande admirador do trabalho da grande Mercedes Sosa, cantora argentina falecida em 2009 as 74 anos e uma das grandes defensoras de causas humanitárias e da unidade latinoamericana. Mercedes era maus que uma voz: era a personificação dos latinos que clamam por mais justiça num continente marcado pela pobreza e pelo descaso. 

Qual não foi minha surpresa ao saber do documentário La Voz de Latinoamérica, que estás sendo preparado sobre a vida dela, a ser lançado em março de 2013. Narrado por Fabián MAtus, filho da cantora e por ela própria em entrevistas feitas, o documentário começou a ser produzido em 2009, e já passou por diversos países, inclusive pelo Brasil, com depoimento de Chico Buarque sobre a "La Negra". 

Dirigido pelo argentino Rodrigo Vila, o documentário mostrará uma Mercedes íntima. Trará momentos de alegria e de sofrimento da cantora, além de cenas inéditas. 

Se eu estou na expectativa? Claro!

Veja o trailler:




Vi no Ópera Mundi

Brasileiros em Berlim

Muito bacana esse programa sobre Berlim. Bom, tudo que é feito sobre Berlim me chama a atenção, mas o programa foi muito bem feito. Pra quem curte cultura alemã fica a dica:











Criança 44 - Tom Rob Smith



Imagine-se em meio ao regime Stalinista da União Soviética, onde se acredita que todos tem direitos iguais e, exatamente por isso, não haja a "necessidade" de se cometer crimes, pois todos tem acesso igual aos recursos públicos. Mas em meio a esse regime comunista opressor, disposto a cometer as maiores atrocidades em nome de um "bem maior", o Estado, uma onda de assassinatos inexplicáveis vem assustando as já traumatizadas famílias de cidades pequenas da URSS. Entre essas crianças está o filho do soldado Fiódor, que teve de acreditar que a morte do filho foi um "acidente", explicação dada pelo Estado para não assumir que ainda existem crimes no regime comunista. Essa é a trama de Criança 44, que terminei de ler ontem.

No meio de tudo isso surge o Oficial Lieve Stepanovit, um idealista que acredita realmente que o Estado Comunista é a melhor forma de se comandar o país e que entende que os excessos são necessários em nome da estabilidade. Porém toda essa idealização comunista de Liev cai quando ele é rebaixado de cargo e transferido para uma pequena cidade, pelo simples motivo de não entregar para o governo a pessoa a quem amava, e por quem ele acreditava ser também amado. 

A partir daí segue uma investigação paralela sobre a morte dessas crianças, casso esse que, a cada nova informação se revela ser mais complicado do que se imagina ser. Essa investigação coloca Liev diante de ua realidade até então desconhecida por ele, além de levá-loa a confrontar sua própria história, o que ele vinha evitando fazer há anos.

O livro é mais que um romance. É uma denúncia a um sistema político que, apesar de se autoproclamar perfeito e igualitário, não é nada mais que outra forma totalitária de impor opinião e medo sobre uma nação inteira - uma nação gigante, como era a antiga URSS. Esse comunismo, mesmo provado historicamente que é uma forma fracassada de ver o bem público, ainda continua sendo defendido com unhas e dentes mundo afora. 

Criança 44 mostra como é viver num país onde qualquer pessoa - qualquer pessoa mesmo - pode se transformar num "inimigo do Estado" em segundos e sofrer toda a penalidade que isso implica num regime totalitarista e completamente indiferente à pessoa humana. Além disso mostra também como os regimes totalitaristas podem cegar uma pessoa a ponto de fazê-la crer que qualquer ação violenta pode ser justificada em nome de algo "maior". Criança 44 vem carregado de uma aura claustrofóbica, talvez pela descrição perfeita do rigoroso inverno russo, mas também pela sensação de medo ao se andar na rua sendo vigiado por militares cujo objetivo é apenas encontrar traidores e entregá-los ao Estado. 

A narrativa do livro é perfeita. Em determinados momentos me senti como se estivesse realmente andando pelas ruas de Moscou, em meio à neve e a militares de arma em punho. Além disso o autor consegue como poucos transmitir o sentimento das personagens que criou. 

Indico!

Cinema Paradiso



Após chegar em casa depois de um dia de trabalho, Salvatore é informado pela sua namorada que a mãe, a quem não vê há anos, ligou avisando que um tal "Alfredo" morreu. Para a namorada, mais uma das tantas que ele provavelmente já tenha tido, "Alfredo" é apenas mais um nome, mas para Salvatore representa toda a sua história, que passa a ser contada a partir daí num flashback em Cinema Paradiso, que assisti nesse fim de semana.

Salvatore, ou Totó, ao contrário das crianças de sua idade que gostariam de brincar na rua, prefere passar as tardes após a missa no Cinema Paradiso em companhia do velho Alfredo, que mesmo contra a própria vontade, ensina ao garoto como operar os complicados equipamentos do velho cinema. Isso cria no garoto um amor incondicional pela sétima arte, que o acompanha durante toda sua vida. Ainda criança, depois de uma tragédia, Totó assume o cinema no lugar de Alfredo, que passa a ser apenas sua companhia. Alfredo ouve, fala, aconselha e ensina coisas surpreendentes sobre a vida ao garoto, que segue à risca o que o amigo o ensina.

Agora, depois da morte de Alfredo, Totó volta à pequena cidade e, num misto de saudade e nostalgia, se vê de frente com seu passado e percebe que, mesmo depois de tantos anos, ainda há coisas das quais não gostaria de lembrar e memórias mal resolvidas, inclusive Elena, seu amor de adolescência. 

Cinema Paradiso é um filme metalinguístico. Um filme que fala sobre filmes, um cinema sobre cinemas. Mostra a importância que o cinema tem na vida daqueles que entendem e amam a sétima arte e que essa importância as vezes vem desde a infância. É um clássico do grande Giuseppe Tornatore. Mostra o cinema como muito mais do que um espaço físico onde se reproduz filmes: é um templo onde gerações se encontram, onde vidas opostas se combinam, onde rico e pobre se encontram, todos com o objetivo comum de admirar a arte de reproduzir histórias. 

Cinema Paradiso é também um filme sobre a amizade. Mais do que uma amizade comum, mas a amizade entre uma criança e um senhor (um idoso, digamos assim). Uma amizade pura e verdadeira baseada no respeito, algo raro de se ver hoje. 

Cinema Paradiso é um filme ímpar, um clássico do cinema mundial. Consegue ser ao mesmo tempo atual e nostálgico, sem cair no melodrama barato. 

Vale a pena ver!

Sim, eu gosto da Avril Lavigne



Quando digo que minha cantora preferida é a Avril Lavigne sempre ouço coisas como "você não tá meio velho pra gostar de Avril?", ou "nossa, mas você não tem cara de quem curte Avril" e coisas do tipo. Mas já me acostumei com esses comentários. Concordo que a grande maioria dos fãs da Avril tem até 10 anos a menos que eu, é só ver o que essa turma escreve nos fóruns dos sites por aí :-p mas isso não me impede de gostar do que ela faz. 

Não, não sou de acompanhar vida pessoal de artista nenhum, nem mesmo da Avril. Não sei como está a vida amorosa dela, quanto vale a casa onde ela mora nem quais baladas ela frequenta. Também não curti o corte de cabelo novo, mas isso não me interessa. Também não estou nem um pouco preocupado em saber que roupas ela veste ou o que ela mais gosta de comer. Esses detalhes da vida pessoal dela não me chamam a atenção nem um pouco. Gosto dela pelo trabalho e pela carreira dela. 

A Avril é autêntica, reflete em suas músicas o que ela vive: os dois primeiros álbuns da Avril Let Go e Under My Skin refletem o momento da Avril na época: adolescente recém saída de uma pequena cidade do Canadá, criada no mundo religioso e ansiosa por conhecer o que a "cidade grande" tinha para oferecer. Como garota que cresceu na igreja ela teve a mesma rebeldia de qualquer adolescente norte-americano e usou o estilo punk para mostrar isso. Suas músicas revelam seu medo e insegurança com o mundo que estava conhecendo. Músicas como Mobile e How Does It Feel mostram bem isso. Já o terceiro álbum, Girlfriend, tão criticado por quem estava acostumado com uma Avril moleca, com roupas largas e músicas sombrias, mostra uma nova fase: uma Avril madura, segura de si, que agora sabe que é bonita o suficiente (e como é!) e que não precisa se esconder debaixo de roupas de adolescente rebelde; uma Avril que agora se arruma, se maquia, usa roupas curtas, como forma de mostrar ao mundo que ela, apesar de manter a mesma atitude rock'n'roll, agora é outra pessoa. Como ela mesma disse numa entrevista, Girlfriend foi a forma que ela encontrou para mostrar que "cresceu". No quarto Álbum, Goodbye Lullaby, Avril mostra seu lado sensível: uma garota que, apesar de gostar da vida que tem e das pessoas que a rodeiam, sente falta de algo maior, de uma companhia fiel, para chamar de sua; vale lembrar que esse álbum foi gravado pouco tempo depois do divórcio dela. Isso fica bem claro nas músicas Everybody Hurts (que não tem nenhum plágio da música de mesmo nome do Coldplay) e Goodbye, onde em um momento, quando se presta bastante atenção, da pra sentir uma respiração ofegante, de quem está cantando emocionado. A própria Avril disse que ao gravar essa música chorou várias vezes, e de tanto interromper e regravar optou por deixar assim mesmo, com a respiração ofegante. 

Escrevi isso porque hoje, 27 de setembro, ela completa 28 anos. E é legal ver que a cantora que você gosta chega aos quase trinta passando por transformações enormes em sua vida, da adolescente punk a mulher decidida de si, e refletindo cada uma dessas transformações em suas músicas. Ela é autêntica. Não tenta fingir um estilo de vida que não tem para agradar um grupo específico. Ela canta o que ela gosta, sem se importar com crítica. Não teve medo de mudar de gravadora quando a anterior achou que Goodbye Lullaby era triste demais e que não iria vender. Ela mesma sabia que talvez o CD não venderia tanto (mas já esteve várias vezes entre os mais vendidos), e dizia que não se importava com isso, pois queria um álbum que refletisse o que ela vivia naquele momento. Ouvir as músicas da Avril é sentir o que ela sente, talvez por isso seja tão fácil se identificar com as letras das músicas dela.

Tá, nem todas as músicas são profundas assim. Como qualquer cantor ela tem aquelas músicas feitas para ser single, para divulgar o álbum e vender. O grande erro de quem critica é julgar o CD inteiro pelo single. 

E só pra não perder o costume: a pronúncia correta é AVRIL (como se escreve) e não EIVRIL, ou EIVROL! É só lembrar que o nome Avril é francês, e não dá pra tentar pronunciar como se pronunciaria um nome americano. Por favor! rs

Em tempo: o slogan do meu blog é o trecho da música How Does It Feel, da Avril. 

Lena Olim



Assisti hoje o filme A Insustentável leveza do ser, de 1987, baseado no livro do mesmo nome de Milan Kudera, que eu também já li. O filme, como era de se esperar, é impecável, tanto pela direção brilhantíssima do grande Jean-Claude Carrière como pelo elenco também brilhante. Uma das minhas atrizes preferidas está no filme: Juliette Binoche interpreta a jovem e confusa Tereza. Mas, mais do que isso, quem me chamou mesmo atenção foi uma outra atriz que eu desconhecia até hoje: Lena Olim interpreta a jovem Sabina, um dos grandes amores de Tomas.

Pra quem não ainda não leu o livro nem viu o filme, Sabina é uma artista plástica que se relaciona com Tomas, mas não um compromisso como entendemos. Ela tem - não só com ele, mas com todos que se aproximam dela - uma espécie de relacionamento aberto, onde ela está livre para sair a hora em que quiser - "eu adoro ir embora", ela mesma diz. Ao saber do relacionamento de Tomas com Tereza ela pede para conhecer a namorada de seu "amante", mas não em tom ofensivo, mas como uma amiga. E, ao conhecer Tereza, Sabina percebe como sua vida é regida por uma leveza inexplicável: conhece e se torna amiga da namorada do homem que ela acredita também amar. Sabina viaja, sua vida dá voltas enormes, mas vez por outra sempre cruza com Tomas, nem sempre em boas circunstâncias. 

A atriz Lena Olim, que interpretou Sabina no filme, me chamou a atenção pela perfeição com que ela fez o papel. Ela não apenas fez uma encenação, mas é como se ela tivesse encarnado Sabina e dado vida à personagem emblemática de Kundera. Cada gesto, os olhos "de cigana oblíqua e dissimulada", como diria Machado de Assis, a forma como se comporta, a forma dissimulada como age, a sensualidade natural ao posar para as fotos de Tereza, cada detalhe de Sabina parece ter sido feito para Lena Olim. Parece até que Milan conhecia a atriz quando criou sua personagem do livro. 

Em poucas vezes vi uma atriz encarnar tão bem o papel de sua personagem. Na época da gravação do filme a atriz tinha 32 anos, uma jovem lindíssima e sensual. Não havia atriz melhor para encarnar uma personagem tão complexa e profunda como Sabina.

Como em todo filme feito à partir de um livro, quem não leu o livro pode se perder em certos trechos do filme, além de detalhes importantes do livro simplesmente não existirem no filme, mas nada disso apaga o brilho de Lena Olim e Juliette Binoche - que também estava tão novinha no filme que quando comecei a assistir levei mais de 15 minutos para identificá-la... 

Indico!

Amizade X Conveniência



O que é amizade?

Pode não parecer, mas essa é uma palavra difícil de ser definida. Difícil não no sentido gramatical, pois é só consultar o dicionário (alguém ainda usa dicionário?) para se encontrar uma definição teórica da palavra. Falo do sentido abstrato, da forma como definimos na nossa vida o conceito de amizade. O que faz com que consideremos uma pessoa nossa "amiga"? O que o outro precisa ter ou fazer para que faça parte do nosso círculo de amizades? Qual é o perfil de pessoa ideal que traçamos para que ela faça parte de nosso mundo?

Infelizmente, talvez devido à nossa geração consumista e egoísta, temos baseado nossas amizades no conceito da conveniência. Assim como uma loja de posto de gasolina de estrada que serve para suprir nossas necessidades num momento de aperto (comprar algo pra comer, uma bebida, um cigarro) escolhemos nossos amigos à partir daquilo que ela tem a nos oferecer e do quanto ela exige em troca. Ao conhecer uma pessoa buscamos saber, antes de a considerarmos "amigo", qual será a vantagem de conviver com ela. Queremos como amigo pessoas que tenham lugares interessantes para nos levar. Queremos pessoas bonitas, que quando estão ao nosso lado nos fazem pessoas também tão interessantes como elas são. Gostamos de pessoas que tenham os endereços das melhores baladas ou os mais descolados. Buscamos amizade com pessoas "top", que façam com que nossa existência seja um pouco mais interessante. Fazemos amizades com a intenção de formar não necessariamente amigos, mas uma teia de contatos, para que numa hora de aperto eu tenha alguém para pedir ajuda - quando ficar desempregado, tenho alguém para distribuir um currículo, por exemplo. Calma, não estou dizendo que isso é errado. Claro que todos queremos estar bem acompanhados e ter bons contatos. Mas isso às vezes gera relacionamentos superficiais. Quando nos relacionamos com outra pessoa e percebemos que ela não é tão interessante como parecia ser, quando ela não é conhecida nas melhores festas, não tem sempre viagens impressionantes para contar, não tem necessariamente os mesmos gostos, não tem contatos que poderiam me servir numa ocasião de necessidade ou quando a convivência com ela exige mais do que recebemos simplesmente a abandonamos e buscamos outra parceria. Já ouvi pessoas dizerem que deixaram de ser amigas de outra pessoa porque ela "não tinha nada de interessante". E é assim que agimos, as vezes. Buscamos não pessoas de confiança, mas pessoas "descoladas" (ainda se usa essa gíria?). Não queremos compromisso, queremos a eventualidade. Não queremos amizade, queremos conveniência.

Ou há ainda um outro tipo de amigo: aquele que busca no outro apenas um conselheiro - quase sempre amoroso. O amigo é apenas o oráculo que ele consulta quando esta confuso com algo. Recebido o conselho o amigo é desprezado e procurado novamente quando houver a necessidade. Se o amigo também tiver uma dificuldade e, por ser o conselheiro da turma, achar que pode contar com o amigo para pedir ajuda, recebe como resposta as desculpas de sempre: "depois a gente se fala", "estou ocupado, agora", e coisas do tipo.

O sociólogo Zigmunt Bauman chama isso de "relacionamentos líquidos", ou seja, os relacionamentos frágeis, sem compromisso, sem consistência. Aquela amizade que pode ser desfeita com um simples "block" no Facebook. Desfazemos amizades como desfazemos as malas depois de uma viagem. Basta que ela não seja tão interessante como parecia ser no início. Um celular não atendido hoje, um convite não feito e pronto, o recado está dado: sua amizade não me interessa mais.

Qual o resultado disso? Não é difícil encontrar pessoas que tem uma agenda de contatos gigante no celular, mas que quando precisam de um conselho não tem para quem ligar, pois não tem intimidade com nenhum dos "amigos". Gente que tem diversas companhias diferentes para a balada, mas que não tem quem chamar quando precisa ver um parente doente no hospital. Temos amigos para bons momentos, mas nos maus momentos todos desaparecem. Sabe por que? Nós formamos amigos a partir do conceito da conveniência e do egoísmo. Ao escolher amigos pensamos em como o outro pode me ser útil. Não criamos vínculos, criamos contatos.

Entendem como o conceito de amizade é confuso? Eu tento definir "amigo" como aquele com quem gostamos de conversar, estar perto, independente do que ele tenha para me oferecer em troca. Não procuro saber que conveniência pode me trazer a companha do outro, quero apenas estar perto. Amigo é aquele que, mesmo depois de descobrir quem eu sou de verdade, ainda se interessa pela minha pessoa. É aquele que está comigo mesmo sem eu ser tão interessante quanto parecia ser no começo. E quando o outro precisar estarei lá, independente do que ele já tenha me oferecido.

Certo está o Milton Nascimento, quando diz que "amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves", pois sao tão difíceis de se encontrar que quando encontramos não devemos perder nunca.

#Música Eduardo Mano



Descobri por acaso hoje o trabalho de Eduardo Mano, cantor carioca que usa temas cristãos em suas letras. Guarda o Teu Coração é um trabalho independente, simples, até, sem arranjos mirabolantes e sem edições na voz. Conforme fui ouvindo as músicas entendi o porque.

Guarda o Teu Coração não é um álbum para ser curtido, para se ouvir enquanto se passa o tempo ou para distrair. É um álbum para ser sentido. Cada uma das músicas e a forma como são interpretadas nos levam à meditação, à uma autoanálise. São músicas para o momento  em que se está sozinho, afim de refletir um pouco sobre a vida e sobre a forma como vivemos. Cada estrofe é uma oração, cada refrão é uma reza à Deus. 

Não dá pra classificar as músicas de Eduardo Mano como "gospel", pois ele se distancia quilômetros do que os cantores evangélicos vem produzindo atualmente. Sem os chavões e frases de efeito dos demais, cada canção dele representa uma forma responsável e sincera de produzir música. Eduardo Mano resgata a reverência e o "temor" nas letras das canções. Cada música é uma forma bonita e autêntica de se relacionar com Deus. 

Indico a qualquer pessoa que goste de boa música, independente da religião, mas que se interesse por canções com temas cristãos. Fica a dica.

Faça o download aqui.

Carta Para Mim Mesmo III

Olá,

Nossa, faz tempo que não nos falamos, hein! Mas na verdade eu fiz isso propositalmente, para ver como você se comportava sem algum apoio direto. Sabe que o maior sinal de maturidade de uma pessoa é saber viver sem precisar de ajuda de terceiros? E eu gostei do que vi em você nos últimos meses. Claro, temos coisas para acertar (é, sou chato... rs) mas você tem evoluído bastante.

Gosto de ver você com seus amigos. Estar bem relacionado com outras pessoas é sinal de estar bem consigo mesmo. Você ainda dá seus tropeços, mas isso é normal, só a convivência é que vai te fazer melhorar a cada dia. Só tome cuidado com elogios. Um elogio às vezes pode esconder um sarcasmo, ou um enorme cinismo. Não se deixe levar com pessoas que dizem te admirar, que gostam do seu trabalho. Sim, é claro que é bom ser elogiado, mas não se deixe levar por eles. Se o elogio for falso ou o elogiador te decepcionar, você já estará preparado para entender que as pessoas são assim mesmo. 

Meu amigo, mas você tem se relacionado bem, hein! Até em balada tem ido! kkkk E as companhias são ótimas, esteticamente falando! É, rapá, é isso mesmo! rs Gostei de ver você assim, principalmente porque independente da companhia seu caráter permaneceu íntegro. Você sabe o que fazer com cada pessoa que se aproxima de você, com o devido respeito e os limites exatos. Isso é muito bom. 

Me diz uma coisa: e aquela "nossa conversa", não deu certo? Me lembro de você ter contado que foi até lá, mas se decepcionou pela quase nenhuma atenção que recebeu, pelo dia constrangedor ao lado dos amigos estranhos dela e tal, mas depois disso não deu mais certo? Perderam o contato, ou apenas pararam de se falar? Você me disse que ela começou a trabalhar, certo? Talvez seja isso. Você mesmo ficou com muito menos tempo depois que começou a trabalhar. Já considerou isso? E se naquele dia ela tiver levado os amigos apenas para fazer companhia, e também não esperava que o dia iria ser como foi? Às vezes ela tem dificuldade em dividir atenção com várias pessoas ao mesmo tempo, e acabou dando mais atenção à quem já faz parte do dia a dia dela. Você mesmo me disse que recebeu uma mensagem de "desculpas", depois... Não sei, às vezes penso que você não tenha deixado claro o suficiente o que você queria com ela. Eu sei das suas boas intenções. Não quer tentar mais uma vez? Uma última, vai! Quem sabe agora dá certo.

Mas se não der certo agora vá em frente. Ficar tentando o tempo todo em quem não dá retorno é perca de tempo, sabe? Tente mais uma vez para você mesmo ter a certeza de que deixou claro o que sentia por ela. Se mesmo assim ela não der retorno nenhum procure outra. Demora um pouco, mas você encontra alguém. 

Bom, acho que hoje não tenho muito o que falar. Ah, só uma coisa: seja você. Sê inteiro, como diz o Fernando Pessoa. Quem quiser gostar de você que goste como você é. Meio bizarrinho, às vezes... rs Mas seja você! Você só será uma pessoa completa quando aceitar que é assim. 

Fique bem,

Mim mesmo.

#Entrevista Conheça Mayara Juliana, a "MC Mayara"



Ela mal começou a carreira e já se envolveu em polêmicas. Mayara Juliana, a MC Mayara, é curitibana, tem apenas 18 anos e uma carreira em crescimento no funk, com uma proposta diferente: apresentar ao Brasil o Eletrofunk, mistura de funk com pegadas eletrônicas. Até aí nada de muito diferente. O problema é o fato de ela ter a famosa "carinha de bebê", que lhe faz parecer ter muito menos de 18 anos, e isso despertou a curiosidade do Conselho Tutelar de Curitiba, pelo teor de suas músicas cheias de duplo sentido. Ela teve de se apresentar ao Conselho e apresentar cópia de seu RG, pra provar que é, sim, maior de idade, portanto, tem liberdade para escrever e cantar o tipo de música que quer. Feito isso, ela segue na carreira que vai de vento em popa, e vai se apresentar pela primeira vez em SP no próximo sábado 04 de agosto no Clube Emma, em Pinheiros. 

Antes da apresentação acontecer ela topou dar essa entrevista bem bacana ao Blog Novas Ideias:

Antes de tudo, o que é o eletrofunk? Qual a diferença do entre o eletrofunk e o funk comum?  A diferença do Eletrofunk para o Funk Carioca é que o eletrofunk não é apelativo, as musicas são mas no duplo sentido, e também foi criado aqui em curitiba pelo Dj Cleber Mix, é Conhecido tambem como funk curitibano.

Seu Clipe "ai como eu tô bandida" já tem mais de 2 milhões de acessos no Youtube. Vc esteve até no Youpix, maior evento de internet do país. Vc se considera um fenômeno da internet?  Não me acho um fenomeno da internet, acho que um bom trabalho vem os frutos do sucesso, só isso mesmo, pra ser fenomeno eu tinha que estar no Faustão... hehe E ainda falta um longa estrada na minha carreira de Mc.

A grande maioria dos funkeiros de sucesso no Brasil vem do Rio de Janeiro. Vc sentiu alguma dificuldade no começo por não ser carioca? Não vejo dificuldade, ate porque faço o som que nasceu na minha cidade, hoje tem mais funkeiro carioca querendo entra no Eletrofunk Brasil do que funkeiros do sul querendo ir pra o Rio.

Aquele incidente com o Conselho Tutelar de Curitiba, que quis a comprovação da sua maioridade, te fez sentir medo de seguir a carreira de funkeira? Achou que isso deixaria as coisas mais difíceis? Não tive medo até porque sei exatamente o que quero, iria fazer o que faço, mesmo que tivesse que mudar de país.

O fato de parecer ser mais nova do que é te atrapalha ou te ajuda na carreira? Olha, acho que ajuda, porque dá tempo de ver os erros e consertar, e a proposta do eletrofunk Brasil era essa de ser bem jovem a minha aparência, tanto que tem gente que ainda acha que tenho 14 anos. E na verdade vou fazer 19.

Você vai se apresentar em SP pela primeira vez. Qual a expectativa de se apresentar por aqui? Sim, vou fazer show no Studio M em Pinheiros, to muito animada, acho que vai ser muito legal.

Quais os próximos planos na carreira?  To terminado o CD que ja era pra ter saido, mais mudamos algumas coisas, seria 12 e vai sair com 16 musicas, mais vai sair agora em Agosto.

Gostaria de deixar uma mensagem aos leitores do blog? Quero agradecer a todos, criticas é sempre bem vinda, se não fosse elas eu não seria a "bandida" rs Beijos a todos, e continuem vendo meus videos e postando eles... acesse meu site www.mcmayara.com.br










Eu, pai




Não, não serei pai por agora. Nem agora nem num futuro próximo. Por vários motivos, mas entre eles o principal: ainda não tenho quem seja a mãe... haha Não que eu esteja à caça de futuras parturientes para meus futuros rebentos, mas hoje de manhã senti vontade de ser pai.

Hoje cedo na igreja vi uma cena que me chamou a atenção: durante o louvor de uma música bastante animada (Viva Chama, do Jorge Camargo), um rapaz quase da minha altura, cabelos pretos, não muito magro, que aparentava ter uns 35 anos, mais ou menos, cantava e dançava ao lado de uma criança, uma menininha loira, cabelos lisos, magrinha, que não devia ter mais de 7 anos, provavelmente sua filha. Os dois cantavam juntos, batiam palmas e balançavam o corpo de um lado para o outro em sincronia e riam juntos. Ao acabar a música os dois se abraçaram e a menina gargalhava de felicidade. Logo em seguida uma moça se juntou a eles e foi aí que percebi que eram uma família, pois a moça, também loira como a filha, deu um selinho no rapaz e abraçou a menina.

Talvez seja porque na minha casa apenas eu frequente a Betesda, e talvez seja porque fico sempre sozinho nos cultos, já que ainda não tenho tantos amigos assim na igreja, mas achei aquela cena muito interessante. Tenho lido muita coisa sobre pais e filhos e visto muitos exemplos errados de como ensinar uma criança, isso sem falar naqueles pais que sequer dão algum exemplo, pois somem de casa e obrigam a criança a crescer sem a figura masculina em casa - eu sei o que é isso. Isso sem falar na infinidade de crianças mundo afora que sofrem abusos daqueles que deveriam dar amor. Ou talvez nem abusos no sentido sexual, mas crianças que apanham, são ofendidas em sua integridade e moral e crescem com a ideia de que família é o pior lugar do mundo. Aquele casal e aquela criança resumiram um pouco do que penso ser o modelo perfeito de família: marido e mulher juntos, e principalmente: pais que se sentem bem em estar com os filhos. E, entre os pais, destaco principalmente a figura do pai, o homem que sempre tem uma desculpa qualquer para deixar os filhos com a mãe e sair, seja para jogar bola com os amigos, seja para trabalhar, seja para qualquer outra coisa. Em geral os homens pensam que estar ao lado de um filho é apenas necessário no momento de dar alguma lição de moral, ou de corrigir algo errado. Raros são aqueles que gostam de estar com os filhos, de se divertir com o que eles se divertem. O resultado disso são crianças que crescem com a figura paterna como uma pessoa rígida, ríspida de quem não se deve esperar carinho. E quando os pais são cristãos a coisa piora ainda mais. Sabe-se lá qual o grau de sanidade da pessoa que, há alguns anos atrás, achou de espalhar entre os evangélicos que a diversão deve ser evitada, já que estamos nesse mundo com uma missão e a vida é muito curta para executá-la. Cansei de ouvir isso nos púlpitos da igreja evangélica em que cresci. Entre os evangélicos, bom pai é aquele que briga, é enérgico e repreende o filho o tempo todo (distorcem até um versículo bíblico que fala em "corrigir o filho com varas"). Ou ainda, bom pai é aquele que leva o filho sempre à igreja e o ensina a buscar Deus nas orações sacrificadas e cansativas. Isso gera crianças que vão à igreja obrigadas pelos pais, e que mal esperam a hora de poderem tomar decisões por si só para, em primeiro lugar, deixarem de ir à igreja. Hoje vi uma família diferente. Sim, estavam na igreja, mas a menina parecia feliz de estar lá. Estava feliz porque estava com o pai. Cantava com ele, ria com ele. E o pai parecia feliz em estar cantando e dançando com a filha. Não se importou se as pessoas em volta olhavam um rapaz dançando com uma criança. É a filha dele, e como pai ele não tinha o menor constrangimento em se divertir com sua filha.

Já disse e repito: não vou ser pai por agora, mas hoje cedo tive vontade de ser. Me imaginei um dia dançando com minha filha e cantando com ela, enquanto ela me acompanha e ri. Imaginei minha filha olhando e rindo da minha incapacidade inata de dançar e bater palmas ao mesmo tempo. Me imaginei dançando e erguendo minha filha pelos braços, enquanto ríamos juntos. Me imaginei sendo para meus filhos o pai que não  tive. 

Quem sabe se um dia eu realmente for pai e esse texto ainda existir até lá e eu possa mostrar a ela isso. Seria interessante que ela (ou ele) soubessem que num passado distante, no dia 01 de julho de 2012, eu já tive vontade de ser pai. E caso esse filho um dia venha a existir, ele saiba que foi desejado e amado antes de nascer.

Disse que não estou à procura de mães para meus filhos, mas isso não significa que eu queira ficar sozinho. É bom deixar claro... rs

Assisti e gostei: Suburgatory



Essa semana foi ao ar o último episódio da primeira temporada de um dos melhores seriados do momento: Suburgatory.

A série da ABC exibida no Brasil pela Warner tem um nome bem sugestivo: Suburgatory - uma junção clara das palavras suburb (subúrbio) e purgatory (purgatório). A trama explica o título: um homem bonitão e sua filha adolescente resolvem se mudar da agitada Manhattan para o subúrbio de New York, depois de o pai encontrar uma caixa de preservativos na gaveta da filha. O pai, George Altman (Jeremy Sisto) pensa que a vida tranquila do subúrbio fará bem à filha Tessa Altman (Jane Levy). Porém, o que eles pensara ser uma vida pacata com gente simples e modesta acabou por se revelar totalmente o oposto. Aliás, oposto é uma boa palavra para se referir à Chatswin, subúrbio onde os Altman resolvem morar. Ao mesmo tempo em que conservam valores esquecidos da metrópole, os moradores do vilarejo tentam buscar um identidade confusa, sempre baseada no luxo e glamour das cidades ricas, mesmo que isso não combine em nada com os moradores de lá. O resultado dessa vida em Chatswin é pessoas totalmente estranhas, com comportamentos que não condizem com a vida que tem. Tessa e George são sempre cortejados pelos vizinhos como os novatos vindos da metrópole, e tentam sempre impressionar os novos vizinhos, numa tentativa desesperada de mostrar que no subúrbio também há glamour, assim como nas grandes cidades. Tudo isso gera uma confusão gigantesca na cabeça da adolescente Tessa, que não consegue entender o que pensam os moradores de Chatwsin. E essa tensão está presente em todos os lugares: na escola, entre os vizinhos, em uma simples reunião de pais na escola, nas datas especiais. Chatswin, em alguns momentos, é um lugar tão confuso que se torna impossível morar lá, daí ser considerado um "purgatório". Enfim, Chatswin é um lugar de gente confusa, mas ao mesmo tempo acolhedora e boa. 

O seriado mostra uma tensão claríssima entre os estilos de vida que fazem parte do velho "American Way of Life": enquanto pessoas ricas e bem posicionadas buscam tranquilidade, pessoas medianas tentam uma vida de extravagâncias. Mas, mais do que isso, o seriado consegue cumprir com aquilo que promete ser: em nenhum dos episódios a trama perdeu o rumo (como vem acontecendo com Two and a Half Men, por exemplo) nem suas personagens deixaram dúvida sobre quem são de fato. Apesar de ter uma adolescente como atriz principal e um dos cenários da série ser uma High School a série não pode ser considerada um "seriado adolescente" por vários motivos: Suburgatory não é um seriado de enredo oco e sem sentido, como se costuma ver em algumas séries adolescentes (como os seriados adolescentes brasileiros), além disso a confusão da cabeça de Tessa é também a de qualquer pessoa, independente da idade. Quem nunca se viu confuso ao tentar entender o mundo onde vivemos?

George, Dalia, Dallas e Tessa

Além disso, ao mesmo tempo em que tem um humor bastante discreto (em alguns momentos até imperceptível para os mais desavisados) Suburgatory tem uma trama clara: como sobreviver ao que se considera ser o "bairro ideal" - aliás, esse é o slogan que a Warner usa para anunciar a série no Brasil. A série deixa uma dúvida no ar: como seria o lugar ideal? Existe um lugar perfeito, onde todos se dão bem e tudo funciona corretamente?

Além disso o elenco é perfeito. Nenhum, mas nenhum mesmo, dos atores da série deixa a desejar. Tessa Altman tem um quê de Kristen Stewart, mas uma Kristen que sabe sorrir - o que é um ponto MUITO positivo. Tessa é a adolescente desencanada que não se deixa abater mesmo quando é rejeitada para o estágio que a poderia fazer mudar de vida. George é o solteirão que sabe que tem facilidade para conquistar as mulheres, mas que evita os romances por causa da filha, a quem tenta proteger a todo custo, mesmo que essa proteção custe sua própria felicidade. Entre se ver bem e rodeado de belas mulheres e ver Tessa feliz com seus amigos, George prefere a vida solitária, mesmo com as investidas pesadas da vizinha Dallas Royce (Cheryl Hines), a gostosa que tenta a todo custo manter a aparência de mulher feliz e bem resolvida para seduzir o vizinho bonitão, mas que no fundo é uma mulher solitária, já que a filha Dalia (Carly Chaikin) é uma adolescente fútil que não pensa em mais nada a não ser manter o visual impecável e que faz o maior esforço possível para ser a patricinha de Chatswin. Lisa Chay (Allie Grant) é uma das pouquíssimas amizades que Tessa conseguiu em Chatswin. Loira e bonita, mas tão confusa quanto qualquer morador de Chatswin, Lisa é o tipo de menina que se impressiona fácil e que vive com medo. Não é pra menos, já que Lisa é filha do casal Sheila e Fred, o típico casal incomum onde a mulher é a ditadora da casa e o marido um simples serviçal que cumpre ordens da mulher, apesar de não se ver assim. Malik (Maestro Harrell) também amigo de Tessa, é tão estranho como Lisa, mas consegue fazer uma ponte melhor entre a confusão das pessoas do vilarejo e Tessa. Noah é um antigo colega de faculdade de George e que coincidentemente se reencontram em Chatswin. Metrossexual assumido, Noah é o dentista da região e não perde qualquer oportunidade de divulgar seu negócio, mesmo que essa oportunidade seja o aniversário de Tessa, onde ele mandou distribuir bebidas feitas com beterraba, apenas para que as pessoas ficassem com dentes amarelados e o procurassem par aclareamentos dentários.

Lisa, amiga de Tessa, tentando entender uma "opinião" de Malik

Enfim, para mim Suburgatory é um seriado perfeito: enredo coerente, humor sutil, elenco bem escolhido e episódios com começo, meio e fim, todos com lições importantes sobre a vida mas sem a pieguice tão explorada na TV brasileira. E nessa semana a Warner exibiu o último episódio da primeira temporada. Para mim foi o episódio perfeito para um seriado: encerrou todo um ciclo iniciado desde os primeiros episódios, mas deixou uma larga margem para uma continuidade. Aliás, a própria trama deixa espaço para outros enredos na série: o crescimento de Tessa, algum possível namoro, um possível reencontro com a mãe, entre outras coisas. Parabéns à Emily Kapnek e Michael Fresco, produtores do seriado.

Que essa seja a primeira de muitas temporadas de Suburgatory!

Coisa de fã...

Meu momento fã! rs



Essa foto é de 2003, quando a Avril ainda estava no começo da carreira com Let Go, o primeiro trabalho dela e que a fez ficar conhecida no mundo inteiro com músicas como Complicated e I'm With You.

E pra que está no blog pela primeira vez e ainda esteja com dúvidas: sim, eu sou fã incondicional da Avril!

República Imbecilizada



Estava aqui pensando com meus botões sobre a força da mídia em criar assuntos. Não, não sou desses chatos que vivem de falar da "manipulação da mídia", ou da "imprensa golpista" como o babaca dao Paulo Henrique Amorim vive papagaiando por aí. Mas é inegável a força da mídia em criar assuntos e desviar o foco de outros. E quando o assunto é desviar o foco os programas de entretenimento tem papel fundamental.

Não é de hoje que a mídia tem a força de tirar o foco do que realmente importa. Na Ditadura Militar os programas de entretenimento tiveram um papel importantíssimo para que o Regime tivesse apoio popular. Flávio Cavalcanti, o eterno apresentador de TV, passava dias a elogiar os generais da ditadura, exaltando-os como "guardiões da família" e outras baboseiras. Sílvio Santos, apesar de nunca apoiar abertamente, foi peça-chave para desviar o foco das atrocidades cometidas pelos generais. Com seus programas dominicais onde vivia a distribuir presentinhos e se apresentar como o grande amigo dos mais pobres ele acabava por levar o brasileiro a não prestar atenção no que acontecia do lado de fora da porta de casa. Dizem as más-línguas que a concessão da TVS, hoje SBT, ao Sílvio Santos foi um presente dos militares a Sílvio Santos pelos "serviços" prestados ao Governo. E a Globo, então? Segundo o que se consta o tal "Padrão Globo de Qualidade" surgiu exatamente para mostrar aos brasileiros uma imagem irreal do país: novelas ambientadas em mansões habitadas por gente bem sucedida e feliz, para levar ao brasileiro a mensagem de que tudo estava muito bem, obrigado. Sim, todas essas emissoras sofreram com a censura do Regime, mas eles mais ajudaram que atrapalharam o Governo.

Hoje talvez a TV e a mídia não sirva tanto para apoiar atrocidades, mas serve para criar notícias fúteis e trata-las com uma importância indevida. Qualquer porcaria vira notícia. Qualquer zero-à-esquerda vira celebridade. Se um guri desafinado grava um vídeo berrando coisas sem sentido enquanto a irma ri descontroladamente e a mãe exibe uma pancinha desorientada logo os três viram celebridades, dessas que povoam os programas dominicais na TV. Ou uma menina até então comum vira celebridade porque o pai diz num comercial que ela "está no Canadá". Aliás, programa dominical na TV virou até divã. Artistas fazem cara de suspense para contar ao Brasil inteiro que foram abusadas na infância...

Para onde estamos caminhando? Não, não sou contra o entretenimento. Eu também ri da família de estúpidos gritando "para nossa alegria" e também fiz piadas sobre a Luiza estar no Canadá. Mas tudo tem limites. Uma coisa é rirmos de um meme da internet. Outra é isso virar notícia e a TV explorar isso ao máximo, tudo em nome de uma audiência sofrida. Ao invés de nos divertirmos estamos nos imbecilizando. Quanto mais estudamos, quanto mais os brasileiros ingressam na faculdade mais idiotas nos tornamos. O Brasil, o país que diz estar enriquecendo, está virando uma república de idiotas. Não questionamos mais nada. Desde que tenha futebol e bunda rebolando o resto é resto. Sim, eu gosto de futebol e não ligo se vez por outra uma bunda rebola na TV. Mas repito: tudo tem limites. Estamos nos tornando seres impensantes, irracionais. E nem falo da questão de brasileiro ser ligado em futebol, porque o europeu também é, mas lá se sabe moderar a paixão pelo futebol com a crítica. Aqui idolatramos um garoto que joga - muito - bem e o tratamos como celebridade. Ligo o jornal de manhã e ouço a âncora do jornal anunciando como notícia do dia que jogador tal gravou o clipe de "Tchu Tchá". Que país é esse?

Que tipo de "país desenvolvido" estamos nos tornando?

God Bless America

Cena do filme God Bless America. Penso o mesmo sobre Faustão, Pânico, Raul Gil, Ana Hickman, Rodrigo Faro, Eliana, Celso Portioli, CQC e qualquer outro tipo de programa de "entretenimento" da TV.


Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...


Ah, como me sinto meio "Ismália", as vezes. Essa confusão entre ser "normal" e "louco". Aliás, o que é ser louco?

Bazar do Zé



Era uma vez um homem comum, desses que a gente tropeça na rua e nem repara no rosto. Esse homem era dono de um bazar, um bazar simples de vila, desses que você só percebe que existe quando usa o toldo para se proteger da chuva. Vamos chamar o homem de José e seu bazar de Bazar do Zé.

Há alguns anos, com uma certa folga no orçamento depois de ter se aposentado, José viu que deveria investir o dinheiro que havia juntado. Pensou então em abrir um pequeno bazar na rua de sua casa. Nada muito elaborado: um simples bazar de vila, onde crianças pudessem comprar lápis, borracha, caneta, onde pessoas tirassem cópias de documentos, onde desesperados por presentes de última hora encontrassem algo charmoso e ao mesmo tempo não muito caro. Sabia como fazer isso.

Resolveu, fez seus contatos e abriu o bazar. Sem inauguração nem nada disso. José era discreto demais para essas festas. Além do mais tinha a consciência de que seu bazar não era nada de mais, apenas um simples estabelecimento que as pessoas só notariam que existia quando precisassem dele. Num dia comum como qualquer outro abriu a porta de bar e colocou a placa: bem-vindo ao Bazar do Zé. As pessoas, que estavam acostumadas a verem ali nada mais que um salão fechado viram uma lojinha bonita, bem cuidada, com produtos bonitos. Veio o primeiro cliente: um homem que voltava da padaria de manhã com o pãozinho no saco marrom e um embrulho, talvez com presunto e muçarela. Entrou apenas para conhecer a pequena loja, e acabou comprando um jogo de canetas bonito, e não muito caro. E fez amizade com José, o proprietário do bazar. Depois desse homem, várias outras pessoas vieram, movidas pela curiosidade do novo bazar no bairro. Aos poucos, umas iam avisando as outras e com alguns dias o Bazar do Zé era referência no bairro. As pessoas passavam por lá para ver o que havia de novo. Compravam, conversavam, levavam panfletos para as amigas. Os alunos do colégio do bairro já haviam adotado o Bazar do Zé como seu ponto de socorro quando as canetas do material escolar sumiam, talvez roubadas por algum aluno inescrupuloso. O bazar ia bem. A vida de José, sem muitos luxos, ia bem, também. O faturamento já era o suficiente para manter o bazar sempre abastecido de mercadorias e José já conseguia sobreviver com o lucro do bazar.

Como as coisas iam razoavelmente bem José pensou, certo dia: nunca estudei para ser empresário e consegui um pequeno comércio de sucesso no meu bairro. Devo realmente ser muito bom. Sua esposa o alertou a tomar cuidado, para que o sucesso do seu comércio não afetasse sua personalidade. José, num ímpeto de raiva por ver seu sucesso ser questionado, mandou que a mulher calasse a boca. Essa foi a primeira de uma série de discussões que culminaram numa crise no casamento de José. Os filhos, que nunca tinham visto os pais brigarem, estavam cansados de verem os dois todos os dias discutirem por motivos bobos: a toalha de banho que estava com cheiro forte, o sabonete que era de uma marca barata, um cantinho empoeirado na sala. José passava mais tempo no bazar do que de costume. Mesmo sem clientes, ficava até tarde com as portas abertas, enquanto sua esposa jantava com os filhos em casa. José se afastou da família. "Quem precisa deles? Tenho meu comércio, meus clientes fieis, meus amigos. Estou bem", pensava ele.

A crise no casamento de José se agravou. Sua esposa, cansada de ser cobrada em coisas ridículas e das intermináveis brigas, resolveu sair de casa com seus filhos. José ficou sozinho. Não tão sozinho. Ainda tinha o bazar.

Com a cabeça quente pelos problemas no casamento, José se esqueceu de repor as faltas do bazar. Aos poucos começava a faltar canetas, lápis, embrulhos de presente e essas coisas bobas que ninguém sabe que é necessário até precisar de fato. Quando corriam ao Bazar do Zé recebiam um "não temos" como resposta. Com o passar dos dias o faturamento caiu. As pessoas, antes clientes fieis, cansaram de ir até o bazar e não encontrar o que precisavam. Sem o mesmo volume de vendas de antes José não tinha capital suficiente para repor as faltas. O dinheiro começou a faltar. José decidiu que deveria diminuir sua retirada mensal e aumentar o capital do bazar. "Estou sozinho mesmo, nem estou gastando tanto em casa".

Ao diminuir sua retirada mensal, usou o dinheiro a mais para encher sua loja de enfeites de natal. Um dos amigos alertou José que enfeites de natal não eram algo muito interessante de se vender em vilas porque a Rua 25 de Março vendia o mesmo produto por um preço 90% menor. Mais uma vez José mandou que calassem a boca, pois ele era o empresário e ele sabia muito bem o que estava fazendo. Em vez de repor as faltas do bazar encheu sua loja de produtos de natal. O resultado foi o esperado: a mercadoria ficou nas prateleiras do mesmo jeito que chegou, pois as pessoas viam o preço e achavam melhor esperar mais um pouco para comprar no centro de SP. Passou o Natal (dia em que José ficou sozinho em casa, pois a esposa viajara ao interior do estado com os filhos) e a mercadoria sobrou. Em janeiro veio a fatura da mercadoria comprada. José teve de pagar o que não havia vendido. Mais uma vez teve dificuldade de fechar o caixa. Sua loja continuava sem mercadorias. As pessoas, antes clientes fieis, riam ao ver a loja cheia de festões, papais noeis e estrelas douradas em pleno mês de janeiro.

José só se deu conta da situação em que seu comércio havia chegado no dia em que um outro bazar abriu no mesmo bairro. Agora, além da dificuldade financeira, enfrentava a concorrência. José chegou a passar um dia inteiro sem fazer uma venda. Um lápis sequer José não vendia. Foi obrigado a atrasar pagamentos. Demitiu a única funcionária que tinha, uma mocinha de 17 anos que não recebeu nada como indenização, mas saiu agradecida por ter recebido pelo menos o salário do mês, que José havia pago com o dinheiro que economizara do próprio convênio médico que ele havia cancelado.

Num dia comum, antes de dormir, José se sentou na cama e assumiu pela primeira vez que havia errado. Errado muito. Errara quando mandou sua mulher calar a boca. Errara quando pensou que era competente o suficiente para se virar sozinho. Errara quando pensou que não dependia de ninguém.

José não via outra solução a não ser fechar o bazar. O faturamento da loja já não era suficiente sequer para pagar o aluguel do estabelecimento. Mas, por teimosia, resolveu que continuaria aberto. Resolveu negociar com o proprietário do imóvel uma redução no valor do aluguel, em torca da antecipação de pagamento. Com aluguel menor, já tinha um dinheirinho a mais no orçamento. Não era muita coisa, mas era o suficiente para tentar uma negociação com seus fornecedores. José Sabia que tinha poucas chances de ver seu bazar se reerguer, mas não tinha outra alternativa a não ser tentar. Era teimoso demais para desistir.

José tinha todos os motivos para jogar tudo para cima e desistir de tudo, inclusive da vida. Mas achou melhor dar mais uma chance a si mesmo. Mesmo sabendo que era quase impossível se reerguer, continuou tentando. Abria as portas do bazar pensando: "se não vender nada hoje fecho as portas amanhã". Não vendia nada, mas ao invés de fechar as portas no dia seguinte ele pensava que poderia tentar mais um dia. E assim se seguiam as segundas, terças, quartas. Vivendo um dia de cada vez.

Mesmo tendo motivos para desistir e decretar falência, o pequeno bazar recebia uma nova chance. Todos os dias. O pequeno bazar, uma estrutura física sem vida própria, recebia uma chance de continuar existindo. Mesmo sem saber.

No atual momento da minha vida, eu sou esse bazar.