Live and Let Die


Vai, 2010 não foi tão ruim assim.

É #fato que em alguns momentos eu pensei que não ia dar mais. Tinha horas em que o coração apertava, parecia que não tinha por onde correr. Mas tô aqui, terminando 2010, e o melhor: 2010 não acabou comigo.

Me aconteceu muita coisa boa nesse ano: participei do programa Login, da TV Cultura (lá conheci o Fábio @eusouofabio e a Ana Carolina, que me receberam muito bem), dei entrevista no programa Informe-se, da TV Unisa, entre outras participações legais. Assisti muito filme bom, muita peça de teatro boa - uma delas foi Voando Para o Alto, da Cia Tal & Pá, da querida Anna Tamaio @annatamaio.

Tive contato com gente legal, como a modelo Jhenny Andrade @jhennyandrade, o amigo vereador Gilberto Natalini @gnatalini, e conheci gente legal no Partido Verde, como o Claudinho Gaspar @claudinhogaspar, Fábio Feldmann @fabio_feldmann, Ale Youssef @aleyoussef e o Penna, presidente do partido. Além de gente legal como o Paulo Búfalo @paulobufalopsol, a Manuela D'ávila @deputadamanuela e a Flavia Ferrari @flavississima, do PCB. Participei da Revista VIP, ganhei prêmios da Revista Trip, conheci a Gislaine @agitai_ e comecei a escrever no blog dela, o Insoonia da MTV, o que esta sendo uma experiência fantástica pra mim.

Coisas boas e runis aconteceram na família. Coisas que esperava há tempos e outras que não tinha o menor interesse que acontecesse. Além disso, fiz ótimos amigos nesse ano. Gente que não conheço pessoalmente, mas que me são queridas, coisas que a internet nos proporciona. Gente como a Rosana Meyer @rosanameyer (um loosho de pessoa... haha), a Cyntia @cyntinhalondon, a Brubs @brunasoave (hey, apple! kkk), a Daniele @ladyjorn, a lindinha da Ana Carolina @girlofgodseyes, a feiosa da Luana Herrera @luana_herrera (acho que é a única que faz chapinha no cabelo ao vivo na cam do MSN na madrugada de domingo pra segunda... haha), a Lara Rossato @lara_rossato (ela é um DOCE... kkk), o Marcelo Sarpa @marcelinhosarpa, a Camila Paier @camilapaier e a mamãe dela, a Ge Paier @calmila. Falta muita gente nessa lista. Tem que ver isso aê! haha Mas pra quem não gosta de citar nomes, citei demais, já! Isso sem falar nos que conheço pessoalmente, como a Verônica @vealvim, a Glaucia @glauciamantoan, a Silvana @silferrari e o David @davidalencarbs, entre vários outros. Gente boa, como a galera do Pimentas no Reino, inclusive o chefe Alvim Dias @alvimdias (boa entrada pra você em 2011... haha). E em especial a linda da Paola Oliveira @paola_oliveira, que tem nome de artista e é uma menina simplesmente fantástica. Assim como eu, é corinthiana, fã incondicional da Avril, não gosta de filmes dublados e está me ensinando a gostar de música sertaneja... haha. Na verdade eu já a conhecia antes de 2010, mas achei legal citar aqui! Aos que não citei, me perdoem: se eu for mencionar todos o post fica maior do que já tá! =/

Resumindo, diria que 2010 foi um ano completo. Como diz a musica da Tiê, "o saldo final de tudo foi mais positivo que mil divãs". Tive momentos bons e momentos ruins. Momentos em que queria sumir e outros em que queria estar presente em tudo. Encerro esse ano com a sensação de que poderia ter feito mais, mas sem arrependimento do que fiz durante o ano. Tomei decisões erradas, deixei de tomar decisões, comprei o que não precisava, deixei de comprar o que precisava. Mas estive feliz em boa parte do tempo. Não o tempo todo porque ninguém é feliz 24 horas por dia, mas tive meus momentos em que ri à toa.

Jesus, obrigado por ter me ensinado a depender menos de Ti, andar com minhas próprias pernas e ser o único responsável pela minha vida. Obrigado por me fazer entender que não tenho que lhe pedir emprego, saúde, proteção nem coisa nenhuma. Aprendi que nenhum acontecimento físico tem interferência nem permissão Tua. Aprendi que o mundo espiritual tem muito menos influência do que o que é berrado nos microfones das igrejas. Ou seja, teoricamente eu NÃO preciso de Ti (morram, religiosos o.O), pois sei dar meus pulos. Te sigo simplemente por amor. Te sigo apenas porque "só Tu tens palavra de vida eterna". Não espero nada em troca, apenas quero te amar e tê-Lo como meu Mestre, seguir teu modelo de vida, seus ensinamentos.

Se as coisas em 2011 derem certo mais vezes, será melhor, porque 2010 foi foda, mas não faço muitos planos. Vou vivendo a minha vida, consciente de que as minhas decisões é que determinam meu futuro. Não acredito em destino nem em sorte. Acredito em decisões e escolhas. Mas sei que a vida toma rumos que muitas vezes a gente nem acreditava que iria tomar. Em 2011 quero apenas manter meu coração inteiro, minha alma em paz, e viver. "Live and Let Die", como nos diz Paul McCartney.

Grande abraço a todos vocês. Um feliz 2011 a todos!

Agora vou fazer do jeito errado

Quer saber? Foda-se!
Até agora eu fiz tudo do jeito certo e deu tudo errado.
Vou começar a fazer errado, quem sabe agora dê certo...

Até agora eu fui obediente e fiz o que me mandavam e pediam, agora vou fazer do meu jeito.

Vou quebrar regras, desaprender o que aprendi na infância.
Não vou mais me preocupar tanto com horários, nem ser tão disciplinado.
Vou beber menos leite e mais café, tomar Coca Cola no café da manhã, caminhar menos e dormir mais, vou dormir às 5 da manhã e acordar as 11.
Não vou mais me preocupar com o que pensam de mim, que se dane a reputação.
Não quero mais saber o que falam de mim. Pode falar, não ligo.
Vou esquecer compromissos, atrasar, faltar.
Vou usar tênis e regata em cerimônia de casamento, camisa para ir ao parque.
Vou tomar chuva, andar descalço em casa, não vou levar agasalho.
Vou comer mais e na hora errada. Vou trocar a salada pela batata frita.
Não vou mais perguntar o nome nem ligar no dia seguinte.
Não vou arrumar a cama. Vou deixar toalha molhada no sofá e cabelo na pia do banheiro. Vou deixar a tampa do vaso aberta.
Vou faltar sem justificativa, esquecer de dar recados.
Vou deixar cair no chão, vou pisar em cima.
Não vou abrir a porta para as mulheres passarem, nem ceder lugar no metrô para as gestantes.
Vou desligar o celular, não retornar ligação.
Vou descer a escada rolante do lado esquerdo, atravessar fora da faixa.
Vou cabular aula, vou colar na prova, vou conversar enquanto o professor explica.
Vou ler Paulo Coelho, vou ouvir Zezé de Camargo e Luciano, vou assistir Hebe, vou me inscrever no BBB.
Vou virar corinthiano, vou chamar são-paulino de bambi, vou discutir futebol no horário de trabalho.

Sabe por que?
Até agora eu fiz do jeito certo, e só deu errado.
Agora eu vou fazer do meu jeito.
Agora eu vou fazer do jeito errado.

Medos Privados em Lugares Públicos


Olá, amigos!

Hoje - finalmente - assisti Medos Privados em Lugares Públicos. Já vinha falando há tempos aqui da minha vontade de ver esse filme, tanto pelos trailers que vi como pelas críticas que li. Coeurs (nome francês do filme) é o filme que está há mais tempo em cartaz no Brasil: desde julho de 2007 no cinema mais tradicional de São Paulo: o Belas Artes. Isso, num país onde o máximo de tempo que um filme fica em cartaz é um mês, pode ser considerado uma vitória.

Longe de ser um blockbuster, o enredo de Medos Privados gira em torno de seis personagens. Thierry (André Dussollier) é um corretor de imóveis - irmão da jovem solitária Gaëlle (Isabelle Carré) e que trabalha com Charlotte (Sabine Azéma), a secretária religiosa. Thierry tenta encontrar a casa ideal para Nicole (Laura Morante) e seu noivo, Dan (Lambert Wilson). Mesmo desempregado, Dan quer um dormitório a mais no apartamento para ser seu escritório. E em vez de procurar um emprego, prefere perder as tardes no bar onde Lionel (Pierre Arditi) é barman. À noite, Charlote faz um "bico" cuidando do pai de Lionel. Ao mesmo tempo em que cada personagem tem uma história particular, as histórias se entrelaçam, todas tendo como fundo a neve charmosa do inverno parisiense. Como todo bom filme francês, há muitos diálogos e relações bastante complexas.

(SPOILERS) Coeurs não é um filme que faz o tipo vilões X vítimas, bandidos X mocinhos, muito menos um filme romântico com final feliz - na verdade podemos dizer que Coeurs é um filme sem final, como a maioria dos filmes franceses; é um filme sem ação, que gira em torno praticamente dos diálogos intensos e dos detalhes das cenas. Coeurs é um filme altamente introspectivo, que se propõe a retratar a vida particular, a expor medos, sentimentos, decepções.

A mensagem do filme pode ser percebida não em cenas específicas ou em narrações bonitas, mas nos diálogos e nos detalhes, ou até mesmo em cenas pensadas com todo o cuidado para que pudessem passar mensagens profundas mesmo sem nenhum diálogo, como o momento em que Charlotte e Thierry trabalham, cada um em sua mesa, vistos pelas costas, separados apenas por uma baia de vidro, ou na cena em que Charlotte e Lionel conversam debaixo da neve imaginária que cobre a mão gelada de Lionel, ou ainda nas cenas finais, com Lionel indo embora de casa, Charlotte trabalhando sozinha no escritório e a cena que encerra o filme, com Gaëlle e Therry sentados no sofá, juntos. Essas cenas mostram a mensagem principal do filme: independente da vida que levamos e das pessoas que temos, cada um de nós é uma pessoa individual, e nos momentos cruciais da vida não teremos ninguém ao nosso lado. As maiores decisões da nossa vida deverão ser tomadas apenas por nós mesmos e por ninguém mais. E essa vida na qual vivemos solitários, mesmo em meio as festas das baladas, como vivia o garçom Lionel, pode ser um ceu ou um inferno, dependendo do ponto de vista e do estilo de vida que se leve. Na verdade todos nós temos momentos de ceu, e momentos de inferno. A diferença é qual desses momentos nós alimentamos para que aconteçam com mais frequência. 

O nome francês do filme, Coeurs (corações), retrata bem o que o filme mostra: corações confusos com o que o rumo que a própria vida tomou, gente que se perdeu no meio do caminho e nem percebeu, e só acorda quando é tarde demais. Um oficial do exército que foi destituído, perde a noiva e nem se dá conta. Um corretor de imóveis que descobre um lado de si, do homem pervertido sexualmente, que até então estava adormecido e que é despertado exatamente pela secretária feia que se mostra religiosa e fiel aos preceitos da Bíblia. Uma jovem bonita que percebe que o tempo está passando e está ficando sozinha e inventa amigas e histórias imaginárias para justificar as saídas que dá todas as noites, par tomar café sozinha e ler enquanto espera os pretendentes que encontra na internet e que nunca aparecem. O garçom que vê todos os dias pessoas fingindo felicidade, rindo e bebendo, enquanto ele mesmo tem seus problemas particulares, mas precisa passar por cima de todos e ser o amigo de pessoas que nem conhece direito todos os dias no trabalho. Pessoas comuns. Corações.

Já o nome brasileiro, Medos Privados em Lugares Públicos, mostra outro lado do filme: gente que vive, trabalha, bebe, se diverte, namora, mas guarda dentro de si tanta coisa. Aos olhos dos outros podemos ser pessoas comuns, mas nós mesmo sabemos o quanto há dentro de nós que muitas vezes fica totalmente invisível aos outros. Daí surge a solidão, mensagem do filme: por melhores que sejam os amigos e parentes, somos seres solitários que não conseguem expressar realmente o que se passa em nosso interior. Estamos sozinhos quando colocamos a cabeça no travesseiro e começamos a refletir no que somos de fato e no que nos tornamos. Somos pessoas particulares, individuais, com medos privados, internos, imperceptíveis aos olhos dos outros, vivendo em público, no meio de amigos, parentes.

Digo, sem sombra de dúvidas, que foi um dos melhores que já vi na minha vida. é o último filme que vejo em cinema em 2010, e não poderia terminar melhor. Medos Privados em Lugares Públicos, com certeza, vai estar na lista dos que quero ver novamente em 2011.

Veja o Trailer:

Nada é pesado quando se tem asas, por @_alisgravenill_


A pomba, que por medo do gavião, se recusasse a sair do ninho, já se teria perdido no próprio ato de fugir do gavião. Porque o medo lhe teria roubado aquilo que de mais precioso existe num pássaro: o vôo. Quem, por medo do terrível, prefere o caminho prudente de fugir do risco, já nesse ato estará morto. Porque o medo lhe terá roubado aquilo que de mais precioso existe na vida humana: a capacidade de se arriscar para viver o que se ama.


Mas logo o pequeno pássaro começará a ensaiar seus vôos incertos. Agora não serão mais os braços do pai, arredondados num abraço, que irão definir o espaço do ninho. Os braços do pai terão de se abrir para que o ninho fique maior. E serão os olhos do pai, no espaço que seus braços já não podem conter, que irão marcar os limites do ninho. A criança se sente segura se, de longe, ela vê que os olhos do seu pai a protegem. Olhos também são colos. Olhos também são ninhos. “Não tenha medo. Estou aqui! Estou vendo você“: é isso o que eles dizem, os olhos do pai.


Para voar é preciso amar o vazio. Porque o vôo só acontece se houver o vazio. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Os homens querem voar, mas temem o vazio. Não podem viver sem certezas. Por isso trocam o vôo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram.


Curioso: nós, humanos, somos os únicos animais a ter prazer no medo. A colina suave não seduz o alpinista. Ele quer o perigo dos abismos, o calafrio das neves, a sensação de solidão. A terra firme, tão segura, tão sem medo, tão monótona! Mas é o mar sem fim que nos chama: "A solidez da terra, monótona, parece-nos fraca ilusão. Queremos a ilusão do grande mar, multiplicada em suas malhas de perigo...


Esse é o destino dos pais: a solidão. Não é solidão de abandono. E nem a solidão de ficar sozinho. É a solidão de ninho que não é mais ninho. E está certo. Os ninhos deixam de ser ninhos porque outros ninhos vão ser construídos. Os filhos partem para construir seus próprios ninhos e é a esses ninhos que eles deverão retornar.


No crepúsculo, quando a noite se aproxima, o vôo dos pássaros fica diferente. Em nada se parece com o seu vôo pela manhã. Já observaram o vôo das pombas ao fim do dia? Elas voam numa única direção. Voltam para casa, ninho. As aves, ao crepúsculo, são simples. Simplicidade é isso: quando o coração busca uma coisa só.


A maior solidão é a do ser que não ama.
A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida.
A maior solidão é a do ser encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.


Alis Grave Nil - Nada é pesado quando se tem asas.
Trecho da peça Voando para o Alto, Cia de Teatro Tal & Pá
2010.

A Falta que Me Faz


Como havia ganhado ingresso pelo Catraca Livre para ir ao Belas Artes, na Consolação, ontem fui ao cinema com a intenção de ver o filme francês Medos Privados em Lugares Públicos, mas tive compromissos de manhã e cheguei atrasado ao cinema. Então resolvi assistir ao documentário A Falta que Me Faz, que era o que seria exibido no momento em que cheguei ao cinema, mesmo sem ter lido nada sobre o filme nem visto trailler, nada.

A Falta que Me Faz é um documentário nacional, produção independente de Marília Rocha e Teia Filmes. Filmado no interior de Minas Gerais, o filme mostra a vida de cinco jovens: Alessandra, Priscila, Valdênia, Shirlene e Paloma, jovens sem qualquer perspectiva de vida, que são obrigadas a viver em situação precária, na pobreza, e ainda enfrentam a gravidez sem nenhum planejamento, além de sonharem com um amor que provavelmente nunca viverão. Assim como alguns filmes franceses, o filme não tem uma história específica, com começo, meio e fim; mostra a rotina, um trecho da vida das garotas moradoras do garimpo mineiro.

Não espere em A Falta que Me Faz um filme comecial, do tipo que a Globo exibiria no Tela Quente, nem um desses documentários com gente emocionada contando histórias de superação. Muito pelo contrário, o filme retrata exatamente a vida de garotas que não tem a menor chance de superar a pobreza. Percebe-se no filme um cuidado e delicadeza muito grandes da produtora Marília Rocha em retratar fielmente a vida dessas garotas, sem maquiar ou esconder nada. Chama a atenção a sensibilidade apurada na maneira de filmar. Mais interessante ainda é ver como as garotas ficam à vontade com a câmera, talvez por causa da empatia que criaram com a produtora do filme. Uma delas chega até a convidar a produtora para ser madrinha do bebê que vai nascer. De início o filme causa até uma estranheza (ou talvez repulsa), pelas cenas longas dos bailes de forró rala-coxa (eu que não gosto nem um pouco desse tipo de forró, me incomodei muito com as cenas... haha), e a realidade com que o dia a dia delas é tratado. Mas ao conhecer a proposta do filme, ele se torna muito interessante. Provavelmente, ao assistir A Falta que Me Faz, você conhecerá um Brasil que talvez nem imaginava que existia.

Veja o trailler:


Consciente Coletivo 7, por @institutoakatu

Consciente Coletivo, episódio 7


Produção: Instituto Akatu, Canal Futura, HP do Brasil.

"Eu vivo muitas vidas"

"Eu vivo muitas vidas.

Mas o Wesley eu não posso interpretar. Esse personagem aqui eu não escolhi, mas sei que são minhas escolhas que definem quem eu sou. Lutei, desisti, abandonei, duvidei, esqueci, me encontrei. Não foi atuando que descobri quem sou, mas foi por ter liberdade nas minhas escolhas. Ainda vou viver muitas vidas nessa vida, mas felicidade é eu ser eu mesmo".

Frase de um comercial de celular. Tem muito a ver comigo, por isso coloquei aqui.

Continue andando

"Se a luz de repente falha, e o ar parece faltar, lembre - se que os seus pés sabem a saída, assim como souberam por onde entrar. É com os passos marcando o ritmo, que a sua cabeça pode voar mais alto. São os pés firmes no chão que começam todo o salto. Por isso deixem que critiquem, que analizem, que falem. Tudo o que você precisa fazer é continuar andando".

Essa frase foi utilizada num comercial de bebida. É realmente inspirador!

O Jardineiro Fiel


Depois de mais de cinco anos de lançado, ontem eu assisti O Jardineiro Fiel, super produção do brasileiro Fernando Meireles, com Ralph Fiennes e Rachel Weisz. É, eu geralmente faço isso: vejo filmes depois que ninguém mais fala nele... Definitivamente não sou cinéfilo! haha

Mas me impressionei com o que vi. A história com certeza você já deve conhecer: uma ativista inglesa, Tessa, é assassinada brutalmente e um dos suspeitos é o sócio do marido de Tessa, Sandy. O marido, Justin, que depois da morte da esposa acha que havia sido traído por ela, começa uma investigação que acaba de uma forma que ele não imaginava: a esposa, na verdade, investigava uma verdadeira máfia da indústria farmacêutica mundial, que usava inescrupulosamente os miseráveis quenianos como cobaias de um medicamento poderoso contra a tuberculose. Aos poucos Justin descobre que a morte da esposa tem ligação com essa máfia, que começa a perseguir o marido.

O filme, além de denunciar a guerra desenfreada da indústria farmacêutica no mundo, através de empresas fictícias, mostra até onde o amor de um marido pela esposa é capaz de ir. O Jardineiro Fiel nos leva a refletir sobre qual preço estamos dispostos a pagar por uma causa. Além de tudo, dá uma pontinha de orgulho em saber que um filme tão premiado como O Jardineiro Fiel foi dirigido por um brasileiro.

Se por um acaso você esteja tão desatualizado como eu e ainda não vi o filme, recomendo.

Bái!

A Paixão Segundo G.H. #Clarice90Anos

Veja um trecho da peça A Paixão Segundo G.H, da talentosíssima Mariana Lima, feito com base no livro de mesmo nome da Clarice.

#VEJAO

Sim, eu havia vencido

Eu estava ali em pé, junto aos outros dois competidores.

Éramos três finalistas do maior concurso musical do continente. Eu havia me preparado por dois anos para fazer uma apresentação impecável. Aulas intensas de canto, muito dinheiro investido. E agora eu estava ali, num palco com iluminação azul montado no maior ginásio do país, sendo aplaudido por mais de 1 milhão de pessoas que se expremiam para esperar ansiosamente o nome do vencedor. O Presidente da República e toda a equipe de governo estavam sentados na primeira fileira, me olhando e torcendo. Nas ruas, por todo o meu país as pessoas gritavam meu nome, erguiam faixas com minha foto e frases como "nós te amamos". Torciam por mim, pois afinal eu era o unico competidor do meu país no concurso. Minha vitória seria uma vitória do país. Durante todo o concurso, marcas de bebidas haviam feito várias campanhas na TV torcendo pela minha vitória. Na internet, sites e blogs trocavam banners com mensagens de boa sorte. As pessoas comentavam no metrô, no trabalho.

Eu usava uma camiseta preta, com calça jeans comum, e tênis preto. Nada muito extravagente, queria manter a imagem do simples competidor que sonhava com o prêmio de US$ 2 milhões. Pela TV, o país inteiro e mais 19 países acompanhavam a transmissão do concurso. Junto com os outros dois competidores, eu aguardava ansiosamente que a estrela prata que se destacava no fundo preto do telão se virasse, e mostrasse o nome do vencedor do concurso que nos levaria ao sucesso absoluto e, com certeza, eterno. As pessoas tremiam, olhavam atentamente. Muitos até roíam as unhas de aflição. Havia muita tensão no ambiente. Eu estava branco. Meu coração parecia querer parar de tanta ansiedade. Nós três nos abraçamos no palco, aguardando os segundos que pareciam demorar décadas.

Então a estrela do telão se virou, e mostrou meu nome em letas brancas, maiúsculas. Sim, eu havia vencido. As pessoas começaram a aplaudir, a gritar meu nome. Começavam a cantar a música que tinha me levado à final do concurso. Luzes brancas iluminaram meu rosto. Eu fiquei imóvel por alguns instantes. Meus colegas de palco, que teriam de amargar o segundo e terceiro lugar, me abraçaram e parabenizaram pela vitória. O apresentador surgiu no palco com o cheque milionário que me era por direito. A audiência da TV foi às alturas. Sem nem perceber, comecei a gargalhar de alegria. Ria feito criança que brinca de esconder o rosto com os pais. Eu estava em êxtase. O coração batia descompassadamente.

Sim, eu havia vencido. Eu era a nova sensação musical do planeta. Comentaristas de TV diziam que meu nome tinha o potencial de superar todo o império que Michael Jackson construiu ao longo de anos de carreira. Rádios em todo o planeta tocavam minha música. Gente de lugares que eu nem sabia existir falavam meu nome. No meu país eu virara orgulho nacional. O Governo decretara ponto facultativo pela minha vitória. As TVs mostravam pessoas pulando, soltando fogos, gritando alegres por eu ter vencido. Naquele momento, eu era a pessoa mais popular do planeta.

Os dias que se seguiram foram intensos. Milhares de convites para entrevistas em todo o mundo. Jornalistas se digladiavam para conseguir cinco minutos comigo. As pessoas usavam camisetas com minha foto pelas ruas. Minhas músicas haviam virado toques de celular, minha foto se transformara em emotions do Messenger. Revistas falavam da minha atuação durante o tempo do concurso. Livros com minha curta biografia haviam sido escritos. Eu tinha muito dinheiro. A mídia me retratava como alguém que tinha vindo de baixo, e com muito sacrifício tinha vencido na vida.

Sim, eu tinha vencido. Vencido a infância pobre. Vencido a doença que quase me levara à morte quando criança. Vencido as circunstâncias. Eu era um modelo para os mais jovens que sonhavam com um futuro melhor. "Se ele venceu, você também pode", os escritores de autoajuda diziam.

E o tempo passou. Meu nome, aos poucos, saiu das páginas das revistas. As TVs se ocuparam de noticiar outras coisas, como mortes em trânsito e maridos que bebiam muito. As pessoas nas ruas deixaram de falar no meu nome para torcer pelo meu país na Copa. Meu nome havia caído várias posições na lista dos mais influentes do meu país que um jornal fazia todos os anos. Eu estava sendo trocado aos poucos pelo Técnico da Seleção. Eu já não era mais visto como o que havia vencido na vida, pois os jornais haviam encontrado um garoto de 16 anos que havia sobrevivido a um incêndio. Algum tempo depois, eu era uma pessoa comum.

Passaram anos, e eu sempre tentava dar um jeito de me manter na mídia. Aos poucos eu percebia os cabelos branquearem e as rugas aparecerem. Mas eu corrigia isso tudo com tinturas e cirurgias plásticas. Eu ainda aparentava ser bem jovem, mas as pessoas não me queriam mais. Haviam arrumado outros herois. Outras pessoas para amar. Haviam encontrado outra pessoa que havia vencido.

Sim, eu havia vencido, mas ao vencer não me avisaram que a vitória é passageira. Que o sucesso se vai com o tempo. E eu, que havia me agarrado com unhas e dentes noa minha vitória, me vi sem nada. Junto com minha vitória, foi-se embora meu dinheiro, minha fama, minha juventude, minha saúde, minha vida.

Hoje estou aqui, sentado nesse banco de praça. Não, não estou mendigando, não. Meu orgulho não me permite fazer isso. Estou aguardando uma pessoa que disse que viria até aqui me trazer uma ajuda. Eu poderia tentar arrumar um emprego, mas minha vitória me impediu de pensar no plano B, em algo que eu soubesse fazer além de vencer. Agora aguardo simplesmente a ajuda de outras pessoas, pois o câncer que me foi diagnosticado há alguns anos se espalhou por todo o estômago, e não sei quanto tempo de vida tenho. Quando eu tinha dinheiro fiz tratamentos, mas o dinheiro acabou. Essa foi outra coisa que não me avisaram: o dinheiro acaba. E eu que pensei que o fato de ter vencido me faria alguém bem sucedido pelo resto da vida...

Pelo resto da vida. Eu achava ter vencido o resto da vida. Mas ninguém vence a vida. Ela passa, inclemente e impaciente, sem esperar nem dar conselhos. Eu que não soube olhar a vitória com outros olhos, e me dediquei simplesmente a vencer.

Sim, eu havia vencido.

A Hora da Estrela - Dramatizado #Clarice90Anos

O vídeo abaixo é uma dramatização feita por um grupo de alunos em Recife - PE para a música A Hora da Estrela, do Pato Fu, baseada no livro de mesmo nome da Clarice.

Simples, e de muito bom gosto.

#VEJAO

Clarice na TV Cultura @tvcultura - 1977 #Clarice90Anos

Com certeza os amantes da obra de Clarice já viram essa entrevista da Clarice ao jornalista Júlio Lerner em 1977, 3 meses antes de sua morte repentina.

Se vcê já viu, reveja. Se não viu, essa é uma ótima oportunidade de ver.

Bom proveito!





Clarice 90 anos


Conforme anunciado no meu blog pessoal, durante alguns dias o Blog Novas Ideias vai comemorar o aniversário de Clarice Lispector, que teria completado 90 anos no dia 09 de dezembro. Clarice foi uma das maiores escritoras da língua portuguesa e arrasta pra si leitores ano após ano, por isso vamos fazer uma simples homenagem aqui no blog, com textos, análises das obras dela, vídeos, e etc. Entre as homenagens que faremos aqui, o Blog vai contar com participações de amigos que escrevem textos na internet e que vão registrar aqui suas impressões sobre Clarice, além de vídeos da Clarice, adaptações, entre outros.

Clarice foi uma mulher única. Qualquer coisa que se diga a respeito dela sempre será insuficiente para explicar o abalo que ela causou na literatura brasileira e na vida de seus leitores. Clarice tem a capacidade de ir a fundo nos sentimentos mais profundos da alma humana, e de colocá-los na luz, para analisá-los de uma forma como só ela sabe fazer. Toda a sua obra se baseia nessa característica. Um bom exemplo é a Macabéa, personagem de A Hora da Estrela, um dos livros de maior sucesso de Clarice. Macabéa é o modelo perfeito da pessoa que nunca serviria para protagonista de livro, novela, nem de nada. É uma moça comum, "abestada", como diria Marina Silva, que mal sabe se virar sozinha e aprendeu a se contentar com a vidinha medíocre que leva. Ou como a Lóri, de Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, que se perde em seu próprio mundo confuso, enquanto tente se descobrir.

Clarice tem um quê de grande psicóloga, com ares até de adivinhadora, tamanha a capacidade de explorar o introspecto humano. Uma simples leitura dos resumos de suas obras já dão a ideia do que espera o leitor que se dedique a aventurar no mundo "clariceano". Um mundo onde conhecer-se a si mesmo é tarefa principal, mas tão difícil que muitas vezes pode terminar numa frustrante constatação de que é imposssível definir os sentimentos humanos e mapear as reações diversas diante de situações específicas.

Clarice é inexplicável. Só mesmo lendo-a de mente aberta pra entender o que ela quer dizer. Talvez seja tão difícil entendê-la porque ela escreve o que está dentro de nós. E nem nós mesmos não nos entendemos...

Clarice 90 anos


Hoje, dia 09 de dezembro, faz 33 anos que Clarice Lispector nos deixou, um dia antes de seu aniversário. Amanhã, dia 10, ela completaria 90 anos.

E o Blog Novas Ideias não vai deixar passar em branco uma data de tamanha importância aos amantes da boa leitura. A partir de sábado, no Blog Novas Ideias, vou colocar um pouco da história e comentários sobre a vida e obra dessa que é uma das maiores autoras brasileiras - se não for a maior. Alguns amigos também vão participar, escrevendo sobre Clarice no blog.

Acompanhe, apartir de sábado, no Blog Novas Ideias: http://www.blognovasideias.com/

As 10 Melhores Músicas de 2010 (na minha opinião...)

Vai chegando fim de ano, época perfeita para fazer as listas de coisas que nos marcaram durante o ano, seja músicas, livros, etc. Altamente influenciado pela lista da Lara Rossato, fiz minha lista das dez principais músicas do meu ano de 2010. Como você vai perceber, elas não seguem um único estilo musical, tanto porque não tenho preferência em um único estilo. Aliás, uma das perguntas que eu tenho mais dificuldade em responder é "que tipo de musica você gosta?". Isso porque de gosto um pouco de tudo. Pra mim a música não se divide em ritmo, época ou sexo. Se divide em boa e ruim. A ruim deixo pra o Faustão e o Celso Portiolli. A boa fica no meu MP3 - é, nem iPod eu tenho ainda, acredite.

Aí vai:

1) Sorte e Azar - Pato Fu



2) Socorro - Arnaldo Antunes


3) No Cimento - Erika Machado


4) Eu Era um Lobisomem Juvenil - Legião Urbana


5) Paciência - Lenine


6) O Dia Em Que a Terra Parou - Raul Seixas


7) Perdendo Dentes - Pato Fu


8) Limón Y Sal - Julieta Venegas



9) Bola de Meia, Bola de Gude - Milton Nascimento


10) All Star - Royales
Encontre mais artistas como Royales em Myspace Music



A seleção não foi nada fácil. Tive de deixar de fora dessa lista gente que ouço todos os dias como a mãe da música latina Mercedes Sosa (obrigado, @silferrari por me ensinar a gostar de Mercedes Sosa), os grandes latinos Manolo García e Paco Ibañez, o poeta Vander Lee, as paulistanas Tiê e Tulipa Ruiz, a querida amiga Lara Rossato @lara_rossato (e futura colega de AP em SP, ou vc pensa que esqueci? haha), Flávio Venturini, Pitty, sem contar os grandes nomes de sempre: Caetano, Gilberto Gil, Tom Jobim e toda essa MPB maravilhosa. Detalhe: nessa lista não entrou nenhum cantor internacional, exceto a Julieta Venegas. Pura casualidade. Faltaram ainda Aerosmith, U2, Beattles, Coldplay e muitos, muitos outros.

É, meu 2010 foi muito musical... haha

Pra que serve o amor? (A quoi ça sert l'amour)

Veja esse curta metragem, feito com base na música de Edith Piaf A quoi ça sert l'amour - Pra que serve o Amor?