Nós não tucano, nós de direita


Como bem disse Antônio Prata no artigo de seu blog, muitos pensaram que o conceito velho de direita e esquerda havia se acabado depois que o Muro de Berlim veio ao chão e seu entulho passou a ser vendido como souvenir. Parecia que a Colgate havia conseguido unir todo o mundo ocidental num único sorriso branco, longe de ideologias rotuladas. Mas eis que essa briga boba, essa picuinha surge novamente, e no Brasil principalmente depois que chegou ao poder um partido que se esforça para esgoelar ao mundo que é de "esquerda", mas que abandonou muito da ideologia esquerdista em nome da "governabilidade" (governabilidade, treinabilidade... Tite curtiu isso!). Para esse partido, qualquer um que critique qualquer coisa feita por qualquer membro de sua quadrilha agremiação é um "reacionário", "golpista", "conservador", "direitista", "tucano". Eu mesmo, aqui mesmo nesse blog, já fui chamado de "tucano enrustido" por um "militante" desse tal partido. O líder máximo desse partido e ex-presidente da República faz, há 10 anos, um esforço enorme para dividir o país entre "nós" e "eles", sendo o "nós", todos os que aceitam servilmente tudo o que o partido manda, e "eles" qualquer pessoa que se enquadre nos adjetivos acima. 

Preciso explicar que o "partido" que mencionei é o PT, e que o "líder" é o Lula?

Só o que eles, e principalmente o senhor Lulla, não conseguem entender é que o mundo não é dividido entre bem e mal, por mais que nossos pais e a escola tenham nos ensinado isso quando crianças. Não vivemos num mundo dividido entre "mocinhos" e "vilões". Nem as novelas tem mais essa concepção, é só olhar o Félix de "Amor a Vida". Vivemos num mundo plural, com opiniões abertas que contemplam sim a mudança de opinião e concordar com ambos os lados, quando isso for necessário. O conceito de esquerda e direita só fica bem na boca do PSTU, que em pleno século XXI ainda fala na "luta dos camponeses, das mulheres e dos negros contra o sistema dos patrões". 

Pior ainda é classificar qualquer pessoa que critique algum governo petista como "tucano". Sim, Aécio Neves deve adorar saber que o PT lhe entrega diariamente milhares de "seguidores". O PSDB não é um partido único, assim como o PT também não é. Aliás, se tem uma coisa que não existe dentro do PSDB é unidade. O partido mais parece um grupo de perus bêbados que batem cabeça sem saber para onde estão indo. Sinceramente, classificar quem critica o Governo Federal como "tucano" é desconhecer a própria política brasileira. 

Sim, é fato que todos os partidos políticos brasileiros (até perdi a conta, quantos são, mesmo?) poderiam ser divididos facilmente em três grupos: o PT e seus partidos satélite, o PC do B e o nascido já falido PROS, PSDB e seu satélite, o DEM (o DEM ainda existe? #duvida) e o PMDB e todas as outras agremiações (PDT, PSB, PPS, PR, PSD e por aí vai), sendo esse terceiro grupo aquele sem ideologia qualquer, que apoia quem estiver no governo. E outra coisa é fato: em todos esses partidos (até no PT, acredite!) há gente boa, comprometida com o bem público e coerente com sua missão política. Não, político não é tudo igual. Ou seja, dá pra dividir o país em esquerda e direita? Não, mas tem gente que tenta. 

O título do post é uma resposta ao post do Leonardo Sakamoto, que resumiu muito bem o outro lado da crítica: qualquer pessoa que se diga simpatizante da esquerda é tachado de petista. Até porque de esquerda o PT não tem mais praticamente nada. Aliás, tem sim: o lado ruim do esquerdismo, que vive de bajular falidas economias comunistas e de sonhar com uma "revolução bolivariana" no Brasil. E outro erro crasso é classificar o PSDB de "direitista". Primeiro porque a própria história da Social Democracia está ligada a conceitos esquerdistas. Segundo porque boa parte da galera dentro do PSDB sequer sabe qual ideologia segue. E reafirmo que tentar dividir o mundo entre esquerda e direita é burrice, porque nem a direita é tão direita como antes, nem a esquerda é tão esquerda como antes. 

Mas, só pra facilitar as coisas pra o Lula (e parece que interpretar textos não é lá sua maior habilidade), se ser de direita é ser oposição ao PT, então eu sou sim, de direita, mas não sou tucano. Admiro figuras políticas do PSDB, como o Serra e o FHC, mas não voto no Aécio de jeito nenhum e tem figuras dentro do PSDB em quem não votaria nem que fosse candidato único. 

Enfim, não sou destro nem canhoto, nem de direita nem de esquerda, nem religioso nem ateu, nem nerd nem descolado. Estou em cima do muro, um lugar confortável de onde posso ver os dois lados e pegar o que há de melhor em ambos para formar minha opinião. 

Vem pra cima do muro você também. Vem!