"O paratletismo ainda sofre grandes dificuldades no Brasil" Entrevista com André Luiz

André Luiz, atleta paraolímpico


Algumas pessoas parecem nascer com o dom de desafiar a própria vida e as circunstâncias. Uma delas é André Luiz. Atleta desde os 12 anos de idade, sofreu em 1997 um grave acidente que, conforme todas as avaliações, o tiraria por definitivo das pistas. Mas, contrariando a tudo e a todos, alguns anos depois lá estava ele, agora como para-atleta, trazendo orgulho ao país. E que orgulho! André tem entre seus prêmios nada menos que duas medalhas de bronze, uma medalha de prata e uma de ouro, em competições internacionais. Casado com Magali e pai da pequena Maria Beatriz, André deu essa magnífica entrevista ao Novas Ideias, via email.



Há quanto tempo você está na carreira esportiva? Comecei no esporte com 12 anos, fui logo para o atletismo através do meu irmão mais velho. Meu pai o levava para treinar e durante os treinos dele eu ficava brincando até pegar gosto pelo o esporte. Passei por várias modalidades no atletismo como: Corrida com barreiras e saltos em altura e distância.



Fale um pouco sobre o acidente que lhe causou a deficiência física. O acidente foi na Cidade de Americana em 1997. Estava competindo em um torneio da Federação Paulista de Atletismo, onde estva tentando indice para o Campeonato Mundial. Durante o salto percebi que tinha me desequilibrado e fui abortar o salto, logo na entrada do salto os árbitros escutaram um estralo forte na minha perna, e quando eu caí na caixa de areia eu bati meu joelho na borda de concreto. As consequências foram as seguintes: fraturei o joelho, rompi todos os ligamentos e a gravidade foi que, foi rompido o nervo fibular onde meu pé ficou caindo, não conseguia mais mexer o pé.



Depois do acidente, você pensava em continuar como atleta paraolímpico ou havia decidido encerrar a carreira? Não, não pensava em continuar com o esporte logo porque eu não tinha contato com o Paradesporto. Fui ter contato com o Paradesporto depois que fiz o curso de arbitragem em 1999. Em 2004, eu arbitrei uma competição de atletismo paraolímpica e aí os organizadores da competição peguntaram o que havia com a minha perna; eu comentei e eles me disseram que talvez tivesse uma classe no atletismo onde eu me encaixaria com a minha pequena deficiência, foi aí que me animei a voltar. Logo no ano seguinte fiu fazer teste de avaliação funcional para ver onde eu me encaixava, qual a classe que poderia competir. Depois de 8 anos voltei a praticar atletismo e o melhor voltar a saltar; logico que eu troquei de perna para saltar.



Você já conquistou grandes prêmios. Fale um pouco sobre eles: Minhas grandes conquista vieram depois que descobri o paradesporto, com as medalhas no Jogos Parapan Americano em 2007 no salto em distância que foi bronze, em 2008 na Copa do Mundo Paraolímpica na Inglaterra mais uma medalha de bronze na prova dos 200mts e logo em seguida nas Paraolímpiadas em Pequim uma medalha de prata no revezamento 4x100mts e ficar entre os oitos melhores saltadores na Olímpiadas; e esse ano conquistei uma medalha de ouro na Copa do Mundo Paraolímpica no salto em distância. Posso dizer que esse ano estou na minha melhor colocação no Ranking mundial no salto em distância da classe t44.



Quem é seu maior incentivador na carreira? Não tenho nenhum incentivador, acho que sou eu mesmo porque minha voltade é deixar uma obra social para as pessoas, acho que com o esporte devo conquistar esse objetivo.



Na sua opinião, qual o impacto do esporte na vida de uma pessoa? O esporte teve um impacto muito grande na minha vida,através dele que conquistei um diploma de técnico em Reabilitação na área de Fisioterapia e agora mais um diploma na graduação de Comunicação Social na área de Publicidade e Propaganda.



Como você vê a posição do atleta no Brasil hoje? E do paratleta? Tem melhorado ao longo dos anos? O atleta no Brasil, sofre com as condições que o nosso país oferece para treinamento. O esporte amador ainda tem muita dificuldades em conseguir patrocínio. Para o paratletas é mais dificil ainda, nós temos que primeiro apresentar o resultado para depois ver se consegue um patrocínio. Agora que o Brasil sediou os Jogos Pan Americano e Parapan as condições estão melhorando; acredito que agora que temos pela frente as Olímpiadas 2016 a situação dos atletas irá melhorar.



O Brasil vai sediar pela primeira vez uma olimpíada. O que você pensa disso? Olímpiadas no Brasil realmente é um fato inédito para todos nos mas minha preocupação seria pós olímpiadas que o governo não vai ter dinheiro para sustentar as areas esportiva como foi no Jogos do Pan.



Você acha que o Brasil conseguirá se adaptar até 2016?
Bom,o brasileiro é um povo lutador, acredito que nos vamos conseguir fazer tudo até 2016.



Você se formou esse ano como publicitário. Por que uma faculdade tão diferente da sua profissão atual? A nova profissão servirá como complemento à carreira de atleta? Como Publicitário, tenho uma visão no esporte diferenciada porque acerdito que posso fazer nosso esporte crescer,mas ainda quero fazer uma Pós Graduação em Marketing.
Acredito que fazendo uma boa relação com esporte e as empresas que estão dispostas a patrocinar uma atleta e assim fazer que as pessoas possam conhecer o esporte.


André Luiz em Pequim



Se não fosse atleta, o que seria? Realmente não saberia o que iria fazer se não fosse o esporte na minha vida. Como sempre na minha vida gosto sempre de ajudar o proximo,acredito que iria tentar ser Bombeiro.



Se os leitores do Novas Ideias quiserem iniciar hoje a carreira esportiva, como devem proceder? Eu aconselharia a procurar um profissonal na área que deseja praticar e realizar antes de tudo exames clínicos, como verificar a pressão arterial, coração, a massa óssea e muscular. Fazendo tudo isso com toda a certeza você não vai ter problemas de saúde.