#Musica Ein Elefant Für Dich - Judith Holofernes



Ela não tem a melhor voz do mundo e canta em um idioma que os brasileiros simplesmente ignoram por completo, tanto por ser dificílimo como por um certo desinteresse por tudo que não seja cantado em inglês. Judith Holofernes, nascida Judith Holfelder von der Tann, é alemã e vocalista da banda Wir Sind Helden (WSH), uma das mais expressivas bandas que surgiram da chamada Hamburg Schule - Escola de Hamburgo, movimento musical criado na Alemanha nos anos 80 para fazer frente à influência das músicas feitas em língua inglesa sobre os alemães, que se interessavam mais pelo que era produzido fora do que pelo que era feito na própria Alemanha. Dessa escola saíram nomes do rock, pop, indie, punk e outros estilos que hoje fazem parte do dia a dia dos alemães como Tocotronic, Blumfeld, Die Stern, Virginia Jetzt!, Tomte.

Criada em 2001, Wir Sind Helden tem quatro álbuns lançados e diversos singles de sucesso na Alemanha, além de estar sempre no topo dos álbuns mais vendidos na Alemanha. O trabalho mais recente da banda é de 2010, Bring Mich Nach Hause (Me leve pra casa).

Se Judith Holofernes não é a dona da voz mais bonita da Alemanha ela compensa isso com uma afinação impecável e uma capacidade quase única de cantar graves e agudos com a mesma perfeição. Somando a isso, sua incrível e belíssima sensibilidade na voz, algo meio difícil para um idioma pesado como o alemão, é quase um dom. É quase possível sentir a mensagem de cada música cantada por ela, mesmo que você não entenda uma letra do idioma. 

Dou como exemplo disso Ein Elefant Für Dich (um elefante para você), uma das canções mais belas da banda, tanto pela letra romântica que fala do amor que suporta qualquer problema como pela melodia cativante. 



Calma, segue a tradução:

Eu vejo nós dois, você há muito tempo está 
muito pesado para os meus braços, mas eu não vou te deixar aqui 
Eu sei que seus monstros são exatamente como os meus 
E é melhor não ficar sozinho com eles
Eu sei, eu sei, eu sei e não pergunto 

Segure forte em mim, suba, eu te carrego 
Eu me tornarei enorme para você 
Um elefante pra você 
Te carrego milhas longe 
Sobre esta terra 

E eu Te levo o mais longe que puder 
Eu te levo o mais longe que eu puder 
Até o fim do caminho, se preciso for 
Eu te levo 
Te levo além do rio 

Aquele que não devia, chora ao telefone 
E aquela que não queria, Chora e já sabe 
Suas pernas não te carregam como elas devem 
Tantas vezes vão, ainda sem querer ir embora 
Eu sei, eu sei e eu não suporto isso 


Segure forte em mim, suba, eu te carrego 
Eu me tornarei enorme para você 
Um elefante pra você 
Te carrego milhas longe 
Sobre esta terra 

E eu Te levo o mais longe que puder 
Eu te levo o mais longe que eu puder 
Até o fim do caminho, se preciso for 
Eu te levo 
Te levo além do rio 

E eu Te levo o mais longe que puder 

Textos verdadeiros, autores falsos



Se há uma coisa difícil de controlar na internet é a autoria dos textos publicados. Quem nunca viu textos de Clarice Lispector na internet que ela provavelmente nunca escreveu? Ou belas reflexões de Caio Fernando Abreu que provavelmente nunca passaram pela sua cabeça? Mas o campeão de textos atribuídos falsamente é Luis Fernando Veríssimo. A ele já atribuíram todo o tipo de textos, desde ofensas a times de futebol até belíssimas reflexões sobre a vida. Um dos mais famosos é uma crítica ao BBB, que desde 2009 vem circulando a internet, e esse ano novamente passou a circular, se referindo dessa vez À 13 edição:

"Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A décima (está indo longe) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência. Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB..."

Não vou colocar o texto completo, pois além de ser longo você provavelmente já o leu em algum lugar. A cada edição do BBB ele circula novamente pela internet, sempre pelos moralistas de plantão que adoram posar de defensores da moral e dos bons costumes, que usam o nome de Luis (sem acento no I e com "s") Fernando Veríssimo para dar um ar de "intelectualidade" ao texto. Porém o próprio Veríssimo já disse que esse texto não é dele, em um artigo publicado no Blog do Noblat em 2010

Até eu, aqui no alto de minha insignificância, já tive vários textos meu plagiados em blogs. Alguns dão o crédito, outros publicam como "autor desconhecido", ou ainda mudam algumas palavras do texto e usam o próprio nome para ganhar alguma pseudo-fama na internet, sem falar em um certo blog que me colocou como "colaborador" e publicava todos meus textos publicados no Insoonia como se tivessem sido escritos especialmente para aquele blog. 

É, é meio difícil mesmo controlar o que se publica na internet. E não acho que alguma lei resolveria o caso. O que resolve mesmo é o bom senso de quem publica para procurar a fonte do que irá publicar, ou quando não é possível identificar a fonte, avisar isso. Não custa nada e torna a internet um lugar mais honesto. 

Quem sabe num futuro utópico?

Angela Merkel: a mulher mais poderosa do mundo #Mulheres2013


Por Liesel Hoffmann


Não sei se tem alguma lista da Times que comprova isso, mas qualquer lista é desnecessária: os fatos comprovam: Angela Merkel é a mulher mais poderosa do mundo, hoje.

Primeira-ministra alemã, 57 anos, casada e sem filhos, Angela vem se mostrando dia após dia como uma das principais lideranças mundiais, principalmente em meio a crise econômica que vem fazendo países como vítima em toda a Europa. Colocando a Alemanha na dianteira das soluções para a crise europeia, Angela mostra que tem pulso firme para tomar decisões e que sabe o que é melhor para outros países que se encontram perdidos em meio a um mundo de dívidas intermináveis, como a Grécia.

É filha de um casal de pastores luteranos de Hamburgo, que logo trocaram a cidade pela Alemanha Oriental comunista, onde religiosos não eram bem vistos. A família de Angela nunca foi igual às do leste. Eles recebiam correspondências e pacotes do lado oeste. Por isso, ao contrário de outras meninas, Angela usava jeans e dispunha de confortos que seus vizinhos não podiam se permitir. Outra grande mudança em sua vida foi a construção do Muro de Berlim, em 13 de agosto de 1961. Com a contrução da barreira, acabaram-se as viagens para Hamburgo e as visitas aos familiares deixados lá.

Os biógrafos a retratam como uma aluna aplicada, a primeira da classe, sem ser competitiva. Não há uma unanimidade sobre seu pai, que se manteve entre a crítica e a adaptação ao regime e que pode ter tido uma curta relação com a Stasi (serviços secretos da RDA).

Aos 23 anos, casou-se com Ulrich Merkel, um colega de estudos. O casamento "simplesmente ocorreu porque todos faziam isso na época", disse uma vez Angela, que não teve filhos. Divorciou-se cinco anos depois e, aos 32 anos, complementou seu currículo acadêmico com um doutorado em Física, em cuja tese ela agradece a Joachim Sauer, seu atual marido. Em fevereiro de 1990, Merkel deixou a Física de lado e entrou na CDU. Depois, se tornou porta-voz do último primeiro-ministro da Alemanha Oriental, Lothar de Maiziere. Mais tarde, Helmut Kohl fez dela sua ministra para a Mulher e a Juventude, em 1991. Deu-lhe uma das vice-presidências da CDU e depois a transferiu para a pasta dO Meio Ambiente, em 1994.

Com a derrota de Kohl, em 1998, Merkel assumiu a secretaria-geral do partido, com Wolgang Schaeuble, o eterno herdeiro do patriarca, já na Presidência da CDU. Os que esperavam que ela ficaria parada se equivocaram. O escândalo das contas secretas respingou em Schaeuble e ela teve uma atitude inesperada: publicou um artigo no conservador Frankfurter Allgemeine Zeitung em que declarava sua emancipação de Kohl.

Schaeuble estava acabado, a relação com Kohl se rompeu e ela assumiu a Presidência da CDU, em 2000. Era a primeira mulher à frente de um partido que até então só conhecia patriarcas.
Mas as adversidades não a desanimaram. Merkel recebeu com um sorriso o que pareceu sua grande derrota: em 2002, o bávaro Edmund Stoiber se apresentou como candidato à Chancelaria, por considerar-se mais apto para derrubar Schröder. O que não aconteceu.

Angela Merkel também não tem filhos com Joachim Sauer, divorciado e pai de dois rapazes, com os quais ela mantém uma relação cordial.

Sem o mesmo alarde feito pelo Brasil, Angela Merkel é a primeira mulher a assumir o cargo de chanceler alemã, além de ser a primeira militante com história política na Alemanha Oriental a assumir um alto cargo no governo alemão - o principal cargo, diga-se de passagem, se considerarmos que na Alemanha o Primeiro-Ministro tem mais poderes que o próprio presidente da República. Considerada conservadora pelos políticos alemães, Angela mostra uma capacidade incrível de lidar com os bastidores da política, conseguindo apaziguar ânimos raivosos entre todos os partidos alemães, inclusive dentro de seu próprio partido, o UDC - Partido Cristão Democrático, que vive de tensões entre católicos e protestantes que disputam espaço político.

Politicamente, Angela Merkel tem tudo o que um político não deve ter: não tem o menor carisma, nem sempre tem respostas para tudo e usa seu sorriso malfeito para disfarçar uma timidez enorme. Mas mesmo assim a mulher mais poderosa do mundo atual vem mostrando que sabe o cargo que tem, a importância que tem e que sabe o que fazer.

Bem, essa foi minha análise de Angela Merkel, uma mulher que, ao meu ver, tem competência o suficiente para dominar o mundo. Agradeço ao Wesley Talaveira pelo convite para participar da Semana Mulheres com Novas Ideias aqui no blog.


Liesel Hoffmann, 26 anos, é jornalista e mora em Berlim. Alemã de Hamburgo, cresceu no Brasil e retornou ao seu país em 2009.


Twitter: twitter.com/lieselhoffmann
Facebook: facebook.com/lieselhoffmann

"Os Filmes sempre nos tocarão independente de sua época": Entrevista com Larissa Vereza #Mulheres2013




Larissa Vereza tem um currículo invejável. Atuou na novela Paraíso, trama de Benedito Rui Barbosa (Rede Globo), além de ter atuado em diversas outras novelas e filmes, como a novela "Os Mutantes", da Rede Record e o filme "Bezerra de Menezes: o Diário de um Espírito". Formada em Artes Cênicas pela Universidade Estácio de Sá - RJ - e especialização em interpretação para Cinema pela New York Film Academy, em Los Angeles, Larissa Vereza é dona de um carisma sem igual, além da competência profissional indiscutível. Assim como disse o roteirista canadense Michael Shandrick, Larissa tem um "carisma maravilhoso, que permite que seu rosto prenda nossa atenção na tela". Além de tudo isso, é filha do ator Carlos Vereza, ou seja, já nasceu com sangue artístico.

Larissa concedeu uma interessantíssima entrevista à este blog sobre cinema e suas influências. Veja:

Wesley Talaveira: Você acredita que o cinema exerce alguma influência sobre as pessoas? Qual? Larissa Vereza: Acredito que os filmes tem o poder de nos fazer refletir, mudar nossos sentimentos e pensamentos, mesmo que momentaneamente e quem sabe até, nos fazer mudar de opinião. O cinema geralmente reflete as angustias e pensamentos de toda uma sociedade, revelando idéias ocultas no consciente coletivo. Pessoalmente, sempre saio diferente depois de uma sessão de cinema. Sorrindo ou chorando, cantando... Enfim, acredito que mesmo que a pessoa mantenha um distanciamento, invariavelmente ela será tocada por alguma fala, algum olhar ou algum personagem.


O cineasta francês Jean-Claude Carrière afirma que, ao assistir um filme num cinema, o espectador se submete a uma “passividade voluntária”, por assistir o filme inteiro sem pausas, diferente da TV, onde o espectador pode, com o controle remoto, mudar de canal a hora que quiser. Você concorda com essa passividade? Concordo em termos. Ele não pode parar o filme, mas sem dúvida nenhuma, pode deixar a sala, trocar de sessão. A televisão com certeza precisa de mais empenho para ganhar a atenção do telespectador. Ela está ali, invadindo nossa vidas diariamente. O cinema não. O espectador escolhe sair de casa. Escolhe assistir a um determinado filme. Escolhe pagar o preço exorbitante do ingresso. Escolhe o seu assento.

Suponhamos que o mesmo filme passado no cinema fosse assistido em casa, porém sem intervalos comerciais. Haveria alguma forma de passividade? Quando escolhemos assistir a um filme, acredito que queiramos embarcar em uma outra realidade. Nos deliciar com outras vidas, dramas... Talvez esteja aí a passividade. Talvez a realidade esteja tão dura, o tempo tão escasso, que prefiramos embarcar por duas horas em aventuras, romances e tragédias ilusórias, para então, sairmos da nossa passividade cotidiana.

Carrière afirma que “a linguagem do cinema continua em mutação, semana a semana”, ou seja, um filme de 1950 se comunica de forma bem diferente de um filme de hoje. Se é assim, porque filmes antigos, como Chaplin, ainda agradam? A linguagem cinematográfica muda, mas filmes clássicos com os de Chaplin, continuam nos tocando profundamente, porque tratam de histórias universais. Histórias que independente da época em que vivemos, são iguais as minhas, as suas, as de nossos vizinhos. O vagabundo que ama, o menino abandonado, o trabalhador explorado. O posicionamento da câmera pode mudar, a edição, a música, mas acredito que os filmes sempre nos tocarão independentemente de sua época.

O cinema sofreu, ao longo dos anos, diversas transformações em sua forma de produção, montagem, cenas e etc. Carriére chama isso de “fluxo permanente”, no qual não é possível criar regras para a produção de um filme. Você acha que o cinema hoje continua se transformando? Claro. O mundo está cada vez mais conectado, veloz. Acredito que uma das principais mudanças que percebo nos filmes, é a forma com que são montados. As pessoas não têm mais paciência para cenas com silêncios, tempos, olhares. Parece que vivemos numa ânsia de informação, imagens. Estamos sempre atrasados, estressados. A arte sempre irá refletir uma geração, uma época. Com o cinema, não poderia ser diferente.

Como você analisa a produção publicitária no cinema? Acho que as produções poderiam ser mais ousadas, abusar mais da linguagem cinematográfica, adequando-se a um público já predisposto a novas ideias e formatos.

Dada sua experiência profissional, o que você poderia dizer aos que estão chegando no mercado profissional, seja ele publicitário oude cinema, no qual o conhecimento é imprescindível? Não se deixem abater pelas dificuldades. Isso é fundamental para qualquer profissão, especialmente as ligadas a arte. Não deixem seus sonhos serem desviados. Vejam o máximo de filme que puderem, leiam o que caírem em suas mãos. O livro, mais do que qualquer coisa, aguça nossa imaginação, nossa criatividade. Não acredito nessa história de que todos têm uma boa ideia. Boas ideias são preciosas. Se você as têm, não deixe ninguém lhe dizer o contrário e não permita que a falta de oportunidade lhe seja um empecilho.

Kyra: o lado delicado dos Gracie #Mulheres2013



Escrito por Larissa Oliveira

Quem acompanha um pouco mais o Jiu-Jitsu, ou até quem não se liga muito nesse assunto, com certeza já ouviu falar na numerosa família Gracie, que colocou o Brasil na liderança mundial das artes marciais. E o nome dos Gracie que vem fazendo sucesso atualmente não é nenhum homem forte, musculoso e de porte assustador. É uma mulher, e não uma mulher musculosa, alterada e quase deformada de tantos anabolizantes: é uma garota de 26 anos, aspecto frágil e voz delicada: Kyra Gracie.

Pentacampeã mundial de Jiu-Jitsu, Kyra nasceu no Rio de Janeiro e na infância foi desacreditada, já que veio de uma família de tradição machista que achava que a luta não era "coisa para mulheres". Mas Kyra cresceu e tomou gosto pela luta, e aos 11 anos já treinava com seu kimono, e aos 20 participou pela primeira vez de uma luta oficial. inscrita por engano numa luta para pesos diferentes do seu peso na época, enfrentou pessoas muito mais altas e fortes que ela, e para surpresa da família venceu. E desde então vem vencendo e mostrando que as mulheres também tem vez nas artes marciais. Pelo menos na família Gracie.

Kyra também é adepta da famosa dieta dos Gracie: nunca provou carne de porco nem batata frita na vida e passou mal na única vez em que provou sorvete. Já para compensar tomava açaí desde muito pequena, ainda na mamadeira, e sua refeição preferida é a tapioca (argh!). Bom, não é à toa que ela tem aquele corpo maravilhoso. E além do corpo, vale lembrar a força física que ela tem, disfarçada no aspecto frágil.

Kyra é uma prova de uma pessoa que rompeu paradigmas em sua área: mostrou que mulheres também podem lutar sem perder sua feminilidade. Continua linda, sexy e forte como nunca. Por isso acho que ela é um bom nome para dominar o mundo, pelo menos o mundo do Jiu-Jitsu. Aliás, ela já domina: é a única mulher do mundo que nunca perdeu uma luta com pessoas de seu próprio peso e é um nome temido entre outras lutadoras ao redor do mundo.

Obrigado ao Wesley pelo convite para participar da semana especial aqui no blog, e desejo a todas nós uma boa semana da Mulher!


Larissa Oliveira, 23 anos, é estudante de direito. Já foi colaboradora do Blog Novas Ideias. É filiada ao PSDB e é membro da Juventude da Social Democracia do partido.


Twitter: twitter.com/laroliver

A Evolução da Mulher pela Imagem #Mulheres2013



Escrito por Selma Palenzuela

Por décadas, a mulher vem lutando e passando por transformações profundas para alcançar seus objetivos, como, por exemplo, um lugar permanente e de destaque na sociedade. Desde os anos 20, tem seguido em constante evolução, não só no que tange à moda, mas também em relação ao seu comportamento.

Há tempos, deste o início dos movimentos feministas, a mulher luta por direitos iguais e garantias que a façam ocupar, junto com o homem, o mesmo espaço. Porém, hoje, ao invés do equilíbrio que deveria haver entre eles, como consequencia, em termos de direitos e deveres, o que se vê é uma disputa acirrada, e na maior parte das vezes desleal. A pergunta que fica no ar é se essa concorrência seria ou não saudável. Por que a mulher, já tão sobrecarregada de cuidados com a família e os filhos, ainda anseia por mais e mais conquistas?

Independentemente do sexo, o fato é que o ser humano necessita sentir-se útil, uma peça-chave na constituição do mundo ao seu redor. E para a mulher, apenas o casamento não satisfaz esta ansiedade. Em decorrência de toda essa evolução sofrida pelo sexo feminino, o casamento acabou por tornar-se objeto de desejo consumista, assemelhando-se aos produtos que ambicionamos nas virtines de lojas de grife: compra-se ou case-se para não ficar devendo nada à sociedade. Todo o romantismo que envolvia esta união simplesmente não existe mais. A moça escolhe o seu parceiro como o faz com um vestido em uma revista de alta costura. O jovem selecionado precisa ter qualidades como a beleza física, a estabilidade financeira e, se possível, o mínimo de defeitos. A família também conta, afinal, ninguém quer sogras chatas e sobrinhos impertinentes. A mulher age como um convênio médico, isto é, opta por parceiros que não carreguem consigo “doenças pré-existentes”.

Se estiver mentindo, parem de ler este artigo agora. O fato é que a mulher não mudou apenas seu exterior, mas, principalmente, sua essência. Feridas como as que sangravam em nossas mães e avós, as quais viam no casamento um sacerdócio sacrossanto, são coisas do passado. Atualmente, damo-nos o direito de iniciar uma união levando conosco o antídoto contra qualquer mal que ela nos possa vir a causar. Mas será que escolher com os olhos apenas, a despeito do coração, não acaba por ser um risco bem maior?

Mulheres recém-casadas, em nome de uma carreira de sucesso que lhes trará independência, afastam-se cada vez mais de seus parceiros, colocando a família em segundo ou, às vezes, em terceiro plano. Será que descobrimos o caminho da felicidade ou perdemos o rumo? Nossas mães, afinal, erraram ao permanecer em um casamento de 50 anos, ou nós é quem acertamos em nos divorciar na primeira crise? Enfim, tanto evoluímos, mas pouco compreendemos do assunto...
Contudo, a mulher tem suas fases, e assim como a moda volta de tempos em tempos, algumas faces do comportamento humano também voltam a se mostrar após um período nas sombras. Será que a mulher de hoje, em toda a sua modernidade, desejará que as filhas vivam, em futuro próximo, de maneira semelhante à dela, com casamentos frágeis, superficiais, baseados em status social e com prazo de validade?

Se analisarmos a mulher a partir da moda, fica bem mais fácil entender esse ser tão complexo, fascinante, elegante, belo, importante e intenso: seja a mulher do pós-guerra, que confeccionava seus próprios vestidos com tecidos mais baratos, seja a mulher dona de casa, muito bem representadas pela pin-up dos anos 60, ou até mesmo a mulher que chega à ONU em defesa dos direitos dos menos favorecidos. E é desta forma inconsciente, que, ao passar das décadas, a mulher brilha, renasce, sobrevive e se destaca.

Apesar de tantas conquistas, não acredito que a mulher esteja preparada para viver sozinha. Também não acredito que um casamento desfeito seja o fim da linha. A mulher sempre estará disposta a enfrentar as mazelas da vida a fim de conquistar o amor perfeito, filhos, e, acima de tudo, um lar. As estatísticas dizem que a mulher evoluiu de tal forma que o casamento deixou de ser interessante. Mas, ao contrário das pesquisas, penso que isso não passa de um grande blefe feminino. A mulher muda o seu pensamento constantemente e “mente” para não admitir o fracasso. E é por isso que não acredito em pesquisas que dizem que a mulher divorciada ou independente alcançou a felicidade. A liberdade cobra um preço alto.

Como mulher, sinto-me extremamente cruel e traidora ao admitir essa fragilidade, porém, essa é a verdade nua e crua. Mesmo que consigamos todo o sucesso e dinheiro do mundo, encontrar o verdadeiro amor será sempre o principal objetivo da mulher. Por quê? Faz parte da nossa essência. Uma executiva brilha ao entrar em uma festa com uma bolsa D&G, no entanto aquela que tem em seus braços o homem mais bem vestido, mais bem articulado, mais bonito e mais elegante da festa, esta é, com certeza, a mulher que alcançou o verdadeiro sucesso tão almejado. As feministas negarão isso até a morte, mas esta é a mais pura verdade.

A felicidade da mulher não está em adquirir o carro mais moderno e possante do planeta; isso deixamos para os homens, que são muito mais materialistas do que nós. Nem mesmo o perfume mais caro da Terra nos trará qualquer contentamento se não houver alguém especial para sentir seu aroma. O fato é que todas sonhamos em nos tornar princesas em alguma época da vida. O anel pode até ter um diamante raro, mas se for comprado por nós mesmas perderá a graça em pouco tempo. O que desejamos é que o tal anel venha pelas mãos daquele que idealizamos para ser o nosso homem, o pai dos nossos filhos, o nosso companheiro, nosso eterno namorado.

Acredito, sinceramente, que a mulher confundiu tudo, pois dispensa o marido pela própria carreira, troca os filhos por sucesso, quando, na verdade, precisamos de tudo isso, uma coisa complementando a outra. E algumas de nós têm conseguido, com muita competência e brilhantismo, desempenhar o papel de esposa, dona do lar, mãe e mulher independente. É a Evolução da Espécie... algumas ainda estão em fase de evolução, penso.

Se é a liberdade fora do casamento que a mulher deseja? Não acredito! A mulher quer amar e ser amada em toda a intensidade do amor. Não nascemos para a promiscuidade, nem tampouco para a solidão. Não nascemos para viver fora do ambiente familiar. Mudamos sim, e muito, contudo, algumas coisas são eternas e jamais mudarão.

Parabéns, mulheres!!! Alcançamos tantas coisas na moda, na política, na arte, no cinema, na literatura e em todas as demais áreas de atuação humana. Destacamo-nos em tudo!!! Porém, não basta a carreira, não são suficientes os bens materiais e a“liberdade” conseguida através do dinheiro. Décadas de transformações, décadas de provações... mas sempre o mesmo objetivo: encontrar nosso Príncipe Encantado. Não precisa ser um príncipe Rainier de Mônaco, nem tão pouco um Brad Pitti... basta ser um homem que respeite a mulher, da forma mais ampla e gentil possível.


Selma Palenzuela é administradora do blog Quando as Borboletas se Calam

Mulheres com Novas Ideias: #Mulheres2013



Olá, amigos!

É bom ver que o Blog Novas Ideias cresce a cada ano. Prova disso são as séries de postagens especiais, que trazem novos leitores, além de fidelizar ainda mais os que já passam sempre por aqui. E entre essas séries especiais uma que se tornou uma marca do blog é a semana especial Mulheres com Novas Ideias, que pelo quarto ano consecutivo trás blogueiras convidadas para participar do blog e dar sua visão de mundo, sua forma de ver as coisas. A série Mulheres com Novas Ideias é uma das ações do blog que reforçam nossa missão: ver as coisas de forma diferente, dar espaço para opiniões diversas e estar aberto para o novo, o que confirma nosso slogan "quem disse que só tem um jeito?".

Para esse ano o blog resolveu trazer à nossa memória alguns dos bons textos já publicados aqui por blogueiras, convidadas ou que já colaboraram com o blog. Teremos também, novamente, a participação da jornalista alemã Liesel Hoffmann, da equipe de redação da revista Der Spiegel, além da estudante de direito e militante tucana Larissa Oliveira, que já deu sua valiosa contribuição ao blog por várias vezes. 

Enfim, esperamos que a edição 2013 da semana Mulheres com Novas Ideias seja tão proveitosa como foi em anos anteriores. Participe da série comentando nos posts, divulgando nas redes sociais, comentando com amigos.  E se você ainda não conhecia a semana especial do blog conheça as edições de 2010, 2011 e 2012

E parabéns às mulheres!