Os 5 principais arrependimentos de quem está no leito de morte.


Já fui criticado por isso, mas eu gosto muito de lembrar que a vida não dura pra sempre. Não que eu seja pessimista e viva esperando a morte às portas, mas gosto da ideia de que não temos todo o tempo do mundo, como dizia Renato Russo. Aliás, ter consciência da brevidade da vida não é pessimismo. Pelo contrário. Quando lembramos que a vida um dia irá se acabar, temos mais vontade de vivê-la com mais intensidade.

E pegando carona nessa ideia achei uma coisa muito bacana num blog americano esses dias: uma enfermeira especializada em cuidados paliativos de pacientes à beira da morte, que são enviados para "morrer em casa", revela algumas das experiências que já viveu ao lado de pessoas assim, e fez uma lista incrível: os 5 principais arrependimentos dessas pessoas, que estão à beira da morte. 

É impressionante:

1) Gostaria de ter tido a coragem de ter tido uma vida mais fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros queriam que eu tivesse.
Esse foi o arrependimento mais comum de todos. Quando as pessoas se dão conta de que sua vida está quase no fim e olham para trás, percebem como muitos sonhos não foram realizados. A maioria das pessoas não tinha honrado nem mesmo uma metade de seus sonhos e morreram sabendo que era devido às escolhas que fizeram, ou não fizeram. É muito importante tentar realizar pelo menos alguns de seus sonhos ao longo da vida. A partir do momento que você perde a sua saúde, é tarde demais. A saúde traz uma liberdade que poucos percebem ter, até o momento em que a perdem.

2) Queria não ter trabalhado tanto 
Isto veio de todos os pacientes do sexo masculino que cuidei. Eles perderam a juventude de seus filhos e o companheirismo do cônjuge. As mulheres também falam sobre esse arrependimento. Mas, como a maioria era de uma geração mais velha, poucas mulheres tinham sido chefes de família. Todos os homens de quem eu cuidei lamentaram profundamente gastar tanto tempo de suas vidas na esteira de uma existência de trabalho. Ao simplificar o seu estilo de vida e fazer escolhas conscientes ao longo do caminho, é possível não precisar da renda da qual você corre tanto atrás. E criando mais espaço em sua vida, você se torna mais feliz e mais aberto a novas oportunidades.

3) Gostaria de ter tido coragem para expressar meus sentimentos
Muitas pessoas suprimiram seus sentimentos a fim de manter a paz com os outros. Como resultado, tiveram uma vida medíocre e nunca se tornaram quem realmente eram capazes de tornar-se. Muitas doenças relativas à amargura e ressentimento que carregavam são resultado disso. Nós não podemos controlar as reações dos outros. No entanto, embora as pessoas possam inicialmente reagir à honestidade dos seus sentimentos, no final a relação acaba caminhando para um nível totalmente novo e saudável. Ou então elas liberam o lado doentio de sua vida. De qualquer maneira, você ganha.

4) Gostaria de ter mantido contato com meus amigos
Geralmente as pessoas não percebem os benefícios de manter amizades até que se encontram no leito da morte e não conseguem sequer localizá-los para avisar. Muitos se envolveram tanto em suas próprias vidas que deixaram amizades de ouro se acabarem. Haviam arrependimentos profundos por não terem dedicaado o tempo necessário à grandes amigos.

É comum para qualquer um, no estilo de vida corrido que tem, deixar amizades se escaparem. Mas quando você se depara com a morte em sua porta, as coisas materiais perdem importância. AS pessoas até querem ter suas finanças em ordem, se possível, mas não é o dinheiro ou o status a real importância para essas pessoas. Eles querem ajudar mais aqueles a quem amam, mas sempre estão muito doentes para fazerem isso. E é o que sobra no final da vida: amor e relacionamentos.

5) Gostaria de ter-me feito mais feliz
Essa é uma coisa comum, mas surpreendente. Muitos levam a vida inteira para perceberem que a felicidade é uma escolha. Eles haviam ficado presos em seus velhos hábitos. A chamada "zona de conforto" os paralisou, fisica e emocionalmente. O medo da mudança os faziam fingir, para si mesmo e para os outros, que suas vidas eram completas, quando la no fundo tinham vontade de rir despretensiosamente e de fazer tolices. Quando você está no leito de morte, o que os outros pensam de você não tem mais significado nenhum. Ah, como é bom ser capaz de sorrir de novo antes do fim da vida. A vida é uma escolha. É a sua vida. Escolha conscientemente, com sabedoria, com honestidade. Escolha a felicidade.

#Opinião: Você é dono da sua cama!




Por Weslley Talaveira

É, não tem jeito: o assunto do momento é o tal beijo gay da novela da Globo, no último capítulo da novela Amor a Vida, entre os atores Mateus Solano e Thiago Fragoso. O alarde é desnecessário, até porque nem é o primeiro beijo gay da TV brasileira. Em 1990, a minissérie Mãe de Santo, da extinta TV Manchete, exibiu o real primeiro beijo gay da TV, entre os atores Daniel Barcelos e Raí Alves, que na época nem chamou tanta atenção pela baixa audiência da série. Em 2009 a própria Globo exibiu, na série Força Tarefa, um selinho bem meia boca (o trocadilho não foi intencional, juro!)  entre Fabíula Nascimento e Hermila Guedes. E em 2011 o SBT exibiu outro beijo gay, na novela Amor e Revolução, entre as atrizes Gisele Tigre e Luciana Vendramini (e esse sim foi um beijo, com direito até a pernas entrelaçadas, e não um selinho como nos anteriores). Ou seja, não existe qualquer protagonismo no beijo exibido pela Globo. O que existe sim, mais que nos outros, é o estardalhaço que ainda se faz com a homossexualidade no Brasil. 

Uma coisa é fato: quanto mais pregamos o respeito, mas incentivamos a diferença. Ao criar todo esse barulho em torno de um beijo gay não estamos incentivando a igualdade, mas sim reforçando a diferença. Estamos mostrando ao mundo: "olha, dois homens se beijando é uma coisa totalmente bizarra, mas a gente aceita isso. Olha como somos evoluídos!". Sim, é essa a mensagem que se passa quando se cria todo um barulho desnecessário em torno de uma situação que não diz respeito a ninguém a não ser a quem vive aquilo. Que tenho eu com a vida de um homem que geneticamente gosta de outros homens? Que direito eu tenho sobre a vida dessa pessoa? Quem me estabeleceu como juiz para dizer que tipo de beijo deve ser aceito pela sociedade e qual não deve? Qual poder eu tenho sobre a vida de pessoas que nem conheço pra dizer qual relação sexual é aceitável e qual não é? Você é dono da sua cama e leva pra ela quem quiser, seja homem, mulher, dois homens, duas mulheres, um homem e uma mulher, fique à vontade!

Apesar de já ter usado essa expressão num outro post, ela cabe aqui, também: mais que a tolerância, precisamos praticar a coexistência. Quem coexiste vive junto, sem se importar se o outro é diferente ou não, seja gay, anão, loiro, gordo, negro ou como quer que seja. E quando vivemos juntos não nos importamos com o que o outro faz ou deixa de fazer. A vida pessoal não deveria ser motivo de estardalhaço, como se faz agora com os gays. 

Enfim, o barulho em torno do beijo gay da Globo só mostra como ainda nos assustamos com o diferente, e como nossa sociedade ainda não está pronta pra lidar com isso, por incrível que pareça. 

Mais amor, por favor. Venha de quem vier!

Meu templo é o Shopping


Galerianki, filme polonês de 2009, praticamente desconhecido no Brasil mas disponível legendado pra quem se interessar, retrata um lado da vida dos poloneses - e de outros países pobres da Europa - pouco conhecido no resto do mundo: adolescentes pobres, sem qualquer perspectiva de vida, que sonham com produtos caros que nunca poderão comprar, e para manter esse sonho vivem de perambular em shoppings centers. No filme, algumas dessas garotas chegam a se prostituir em pleno estacionamento do shopping por um celular ou por um tênis, comprado pelo "cliente" como pagamento. 

O país é distante mas a realidade é a mesma. Os shoppings centers no mundo inteiro são verdadeiros templos do consumo, um lugar onde ricos e pobres se dividem claramente: ricos compram e pobres observam os ricos comprando. Shoppings são a fonte da ostentação, da demonstração pública de vida de luxo. Andar em um shopping é sentir-se parte de um mundo diferente, glamuroso, onde o dinheiro é quem dita as regras. 

De um lado temos os que tem dinheiro para consumir nos shoppings. Pessoas abastadas, que trabalham duro para manter um padrão de vida alto e gastar seu tempo livre para comprar e comprar. Gente que tem dinheiro para tomar Chandon, vestir Louis Vuitton, andar de Camaro. Do outro temos pessoas pobres, moradores de periferias, sem o mínimo de conforto que sonham em comprar, mas não tem recursos para isso e tem de se contentar com a champagne barata do supermercado e andar de ônibus - muitas vezes por baixo da catraca, pois não tem o dinheiro da passagem. Fazendo a ponte entre um mundo e outro temos o funk ostentação, que incute nos jovens pobres o consumismo, o glamour de usar coisas coisas caras para mostrar aos amigos e o consumo como forma de ser poderoso no meio onde se vive ("gosto de ostentar e essa é a minha vida / mulher do poder, assim que eu sou conhecida", diz uma dessas músicas). Veja bem, não sou totalmente contra o funk, nem contra o tal funk ostentação. Outro dia falo sobre isso. 

O que temos quando juntamos essas três variáveis? O tal rolezinho, que virou notícia nas últimas semanas. Jovens de periferia que desejam fazer jus às músicas que cantam e escolhem os shoppings como local de passeio, para sentir-se poderosos. Os ricos, os que realmente compram, se assustam com a legião de "pobres" que invadem seu "habitat". 

A mídia viu nisso uma oportunidade de ouro para ganhar audiência. "Especialistas" acharam aí um gancho para "analisar" e posar de inteligente nas TVs assistidas pela grande massa de analfabetos funcionais do Brasil. Mas o que irritou mesmo, muito, foram os movimentos sociais vendidos e partidos de esquerda de aluguel que aproveitaram o acontecimento para mostrar sua burrice esquerdoide, criando polêmicas baratas (rico faz flashmob, pobre faz rolezinho, ouvi a semana toda! tsc tsc) e tentando politizar um movimento que não tem qualquer conotação política. Aliás, nem dá pra chamar de movimento. É apenas um grupo de garotos que marcam um passeio no shopping. 

Sim, é isso que o tal "rolezinho" é: um grupo de jovens que marcam de se encontrar para se conhecer. Só. Isso ficou muito claro no vídeo feito pelo UOL. O que assustou foi na verdade a quantidade de pessoas - num desses rolezinhos mais de 6 mil jovens apareceram. Pense em seis mil pessoas dançando e cantando funk, vestidos como "maloqueiros" numa cidade que vive assustada como SP, onde uma moto com dois homens já é motivo para se desesperar. O resultado não poderia ser outro: o tumulto. Talvez os organizadores dos tais rolezinhos deveriam ter pensado apenas nisso. Houve arrastões e assaltos em alguns desses passeios? Sim, houve. Aí eu pergunto: e os protestos que tem acontecido Brasil afora, são todos pacíficos? Infelizmente, num país que ruma à barbárie como o Brasil, qualquer ajuntamento de pessoas sempre trará consigo gente mal intencionada, seja num rolezinho, num protesto ou num congresso de partidos políticos (bom, nesse caso vai ser difícil achar gente bem intencionada). 

Penso que os "rolezeiros" estão perdendo uma chance de ouro de mostrar que seus passeios não tem qualquer conotação negativa. Como? Organizando rolezinnhos para doação de sangue, para visitas a orfanatos e asilos. O que tem de velhos esquecidos nos asilos no Brasil que dariam de tudo para dar seus conselhos de vida a um jovem não é brincadeira. Já que os organizadores descobriram essa força para ajuntar pessoas, façam isso para causas nobres. E também para passear, seja em shoppings, parques, feiras, exposições. A melhor forma de acabar com o preconceito é a coexistência. Coexistência é diferente de tolerância. O tolerante se acha superior ao tolerado, mas o aceita contanto que não invada seu espaço. Quem coexiste vive junto, sem qualquer problema. 

Menos #mimimi, mais amor. Por favor!