Estevam Hernandes: o papa, ops, apóstolo do Gospel Rock brasileiro



Numa época em que o Rock nacional de protesto fervilhava com Legião Urbana, Ira!, Paralamas do Sucesso e outras, ele resolveu levar o rock'n'roll para dentro da igreja evangélica, até então totalmente avessa ao estilo. Nascia aí o Gospel Rock, incentivado principalmente por Estevam Hernandes, o fundador da igreja evangélica Renascer em Cristo e um dos maiores compositores de rock cristão da atualidade.

Mesmo ainda antes de lançar seu CD próprio ele incentivou bandas de rock importantes como Katsbarnea, Resgate, Rodox, Praise Machine e outras. E só agora, depois de mais de 20 anos de atuação no mercado musical resolveu lançar seu álbum: Inesquecível, um título bem sugestivo para um CD que pretende resgatar toda essa história do bom rock cristão.

Estevam Hernandes topou dar uma entrevista para o blog. Segue:

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O sr foi o precursor do que se conhece como gospel rock nos anos 80, uma época em que ainda havia muito preconceito entre os religiosos com respeito à música. Como surgiu a ideia de juntar o rock'n'roll com temas cristãos?
Estevam Hernandes: Eu sempre gostei de rock. Não acredito que exista nenhuma restrição em relação ao ritmo através do qual louvamos a Deus. O importante é o que estamos cantando e com qual sentimento. A ideia surgiu naturalmente, fruto de um sentimento que sempre tive de alcançar os jovens e levar salvação a todos.


O Rock sempre foi visto pelos cristãos como "música do diabo", devido algumas bandas ou músicas serem associadas ao satanismo, como é o caso da música "Sympathy for the Devil", dos Rolling Stones. Qual foi a reação do público evangélico ao "gospel rock"?
No princípio enfrentamos preconceitos, é claro. Muitos não aceitaram e criticaram. Mas o número daqueles que foram tocados e transformados foi muito maior do que o número dos que nos criticaram. Fazíamos noites de evangelismos às segundas-feiras com muito rock e os jovens enchiam a Igreja. Começamos a tocar em casas de shows e muitos jovens foram restaurados, se livraram de drogas e outros vícios.


A igreja abriu as portas para o rock justo numa época em que o Brasil vivia o auge do rock nacional de protesto, com bandas como Legião Urbana, Ira!, Ultraje a Rigor, Paralamas do Sucesso e outros. Além disso, o Rock sempre foi associado a um estilo de vida desregrado (sexo, drogas & rock'n'roll). Podemos dizer que o gospel rock foi uma alternativa cristã à febre do rock da época?
Ele não foi concebido com a intenção de ser uma alternativa ao rock secular, mas sim ser mais um ritmo usado por Deus para que o louvor chegasse ao povo. Como comentei anteriormente, acredito que todos os ritmos e sonoridades foram feitos por Deus e por isso não há limitações para essa adoração.


Nesse mesmo período o senhor fundou uma igreja evangélica, a Igreja Renascer em Cristo, que além de todo o investimento em rock e outros ritmos mantém até hoje um grupo de louvor próprio, o Renascer Praise, já com 17 CDs gravados. Pode-se dizer que sua igreja é uma igreja musical?
Com certeza é uma Igreja marcada por uma visão de louvor e adoração. Nossa vida sempre foi marcada por louvores maravilhosos, por sons que nos foram entregues por Deus e que influenciaram a vida de milhares de pessoas. Pessoalmente fui marcado por uma música em muitas fases do ministério e da minha vida pessoal. Recentemente gravei o CD Inesquecível, que reúne várias dessas músicas, muitas em ritmo de rock´n´roll, como “Extra, Extra”, “Sepulcro Caiado” e “Revolução”. Cada música tem uma história que marcou uma etapa das nossas vidas. Todas as letras que fiz sempre tiveram o objetivo de levar a Palavra de Deus, isso é o mais importante.


A igreja evangélica sempre teve dificuldades em atrair jovens, em partes pelo estilo de vida cristão cheio de limitações. O rock foi uma forma de atrair novamente os jovens?
Acreditamos num evangelho que liberta e não que aprisiona. O rock foi um instrumento usado por Deus para alcançar os jovens, com certeza, mas o que liberta é a salvação em Jesus Cristo.


O Gospel Rock fez a igreja debater temas até então evitados pelos religiosos, como sexo, vícios em álcool e drogas e etc. Dá pra dizer que o Gospel Rock fez a igreja repensar sua existência?
A Visão do ministério que iniciamos há mais de 25 anos foi revolucionária em todos os sentidos e não apenas na música. Até então, não se viam muitos jovens nas igrejas e a religiosidade aprisionava as pessoas com regras impostas. O evangelho que liberta começou a ser pregado em todos os lugares e isso gerou esta grande revolução. Uma das músicas que está no CD Inesquecível, Revolução diz exatamente isso: “Revolução está no nome de Deus, seu Filho Jesus, que agora conheci, me libertou das cadeias, dos enganos deste mundo que sabe muito bem como iludir”.


Hoje a música evangélica em si atrai a atenção da mídia especializada e inclusive de gravadoras não-evangélicas, que já sentiram que esse é um nicho importante para se investir. Qual foi a receptividade do gospel rock entre a mídia secular nos anos 80?
Nas gravadoras e rádios seculares realmente houve muita dificuldade de penetração naquela época, mas atualmente este cenário está mudando. Cada vez mais rádios e gravadoras estão reconhecendo a qualidades destes músicos e dos trabalhos realizados por eles e abrindo espaço para que aconteça esta divulgação.


Além das músicas evangélicas, quais são suas referências musicais?
Tenho um gosto musical eclético, que abrange não apenas o rock, passando por Rita Lee, Ivan Lins, Mutantes, Ira, Paralamas até Bob Dylan, Beatles e Rolling Stones.


Apesar de ter escrito tantas músicas para tantas bandas de rock o senhor nunca havia gravado um CD. Só agora veio o CD "Inesquecível", que resgata toda essa história do rock gospel brasileiro. Por que só agora a gravação do CD próprio?
Acredito que este foi o tempo preparado por Deus para que esta gravação acontecesse. Sempre quis que ela fosse diferenciada, produzida com muita qualidade. A ideia surgiu de uma conversa recente com o Déio Tambasco, que produziu o CD. Acredito que este foi um trabalho muito especial, que com certeza nos deixou muito satisfeitos.


Para encerrar, como o sr avalia o Rock nacional, tanto o gospel como o secular?
O Brasil produz música de muita qualidade, que não deixa nada a dever a nenhum outro país. O brasileiro tem ainda uma criatividade aguçada e talento especial para arranjos e composições. É um país abençoado com músicos de muita qualidade e talento.

Vida de Mercedes Sosa vai virar documentário



Sim, sou grande admirador do trabalho da grande Mercedes Sosa, cantora argentina falecida em 2009 as 74 anos e uma das grandes defensoras de causas humanitárias e da unidade latinoamericana. Mercedes era maus que uma voz: era a personificação dos latinos que clamam por mais justiça num continente marcado pela pobreza e pelo descaso. 

Qual não foi minha surpresa ao saber do documentário La Voz de Latinoamérica, que estás sendo preparado sobre a vida dela, a ser lançado em março de 2013. Narrado por Fabián MAtus, filho da cantora e por ela própria em entrevistas feitas, o documentário começou a ser produzido em 2009, e já passou por diversos países, inclusive pelo Brasil, com depoimento de Chico Buarque sobre a "La Negra". 

Dirigido pelo argentino Rodrigo Vila, o documentário mostrará uma Mercedes íntima. Trará momentos de alegria e de sofrimento da cantora, além de cenas inéditas. 

Se eu estou na expectativa? Claro!

Veja o trailler:




Vi no Ópera Mundi

Brasileiros em Berlim

Muito bacana esse programa sobre Berlim. Bom, tudo que é feito sobre Berlim me chama a atenção, mas o programa foi muito bem feito. Pra quem curte cultura alemã fica a dica: