Minhas metas para 2012:

Apenas isso:



Estou pensando em mudar alguns móveis de lugar,
Botar uns quadros novos na parede.
Comprar uma samambaia,
Ir pra varanda,
Algumas flores e uma rede,
Dar algumas roupas,
Reciclar livros e cds.


Abrir janelas há tempos trancadas,
Jogar algumas coisas velhas fora.
Deixar o ar entrar para arejar a casa,
Viver coisas novas!


Limpar o quintal, pintar as escadas,
Dar uma geral no hall de entrada

Os esquisitos também amam!

Woody Allen, o esquisito mais genial de todos os tempos


Sabe uma coisa legal pra se desejar pra o ano que vem? Um novo amor (ou como disse a Cissa Stolariki, um amor).

Já que quem eu queria não tá nem um pouco interessada em mim (pelo menos é o que ela demonstra...), vamos em frente. Quero uma companhia, alguém legal pra compartilhar momentos bons, pra rir junto, pra ligar a noite antes de dormir e enrolar na hora de desligar. Pra sentir saudades. Pra chamar de "amor".

Quero alguém que não fuja de mim depois de me ver pessoalmente pela primeira vez. Que, ao perceber que eu não sou o cara modelo com corpo escultural das novelas da Globo (estou a anos-luz de distância disso) tenha, ainda assim, o interesse em conhecer melhor. Sim, eu sei que não sou o cara mais interessante, o mais descolado, o mais sociável, o que tem o melhor papo e que melhor usa as técnicas de sedução e conquista dos livros de autoajuda. Eu sei que não sou o tipo de cara que as meninas gostam de ter apenas para exibir como trofeu para as amigas, algo como "veja, meu namorado é mais bonito que o seu" (elas fazem isso!!!). Eu sei que, num primeiro momento, sou um cara estranho. Esquisito. Tímido, sem assunto, gaguejo às vezes na hora de conversar. Sim, tenho cabelos grisalhos mesmo com 26 anos, tenho algumas manchas na pele que sobraram do tempo de crise de psoríase (causada principalmente por uma outra pessoa que dizia me amar) e tenho os dentes da frente separados. Há pouca coisa em mim que chamaria a atenção de alguém.

Por isso quero alguém diferente: uma pessoa que esteja disposta a passar por cima de todas essas barreiras e conhecer o Wesley que não aparece no Facebook nem no Twitter, e o Wesley que não está nos blogs. O Wesley que existe além de um primeiro contato numa manhã desastrada num parque de SP. O wesley que demora (às vezes meses) pra se revelar como é. Quero uma pessoa que esteja disposta a me conhecer mais do que o superficial, que tenha interesse em descobrir que por baixo dessa pessoa esquisita dos trejeitos desastrados há uma outra pessoa, que se mostra a poucos. Uma pessoa que não se importe com a distância, pois para isso inventaram ônibus e rodoviárias. Que além desse cara tímido há uma outra pessoa, disposta a viver e conhecer o melhor da vida.

Eu sei que tenho algo bom a oferecer. Mas preciso de alguém disposto a conhecer isso. É esse meu pedido para 2012. Mas se não aparecer ninguém, eu levo minha vida sem nenhum problema. Não nasci grudado com ninguém pra depender de outra pessoa pra ser feliz.

Mas ninguém nasceu pra ser sozinho. Até um cara estranho e esquisito como eu.

*PS: se você leu esse texto e identificou que foi sobre você que eu falei, saiba que meu interesse continua o mesmo. Mas como eu disse no Twitter ontem à noite, eu sou meio lento nessas coisas. Eu disse que você não está "nem um pouco interessada" porque é o que eu sentia, mas não que eu tenha perdido o interesse. Pelo contrário. Muito pelo contrário.

As minhas músicas preferidas de 2011

 


Opa, e aí, pessoal?

Fim de ano, todo mundo fazendo retrospectiva de alguma coisa, e achei que seria legal eu fazer uma lista das minhas musicas preferidas, aquelas que mais ouvi em 2011. Lembrando bem que essa lista se baseia única e exclusivamente na minha opinião, independente da quantidade de vendas, da influência na mídia ou da crítica, ok? Nem todas as músicas da minha lista foram lançadas em 2011 e a maioria é desconhecida do grande público. Eu tenho essa mania de gostar do que ninguém conhece... Isso não significa também que eu gosto apenas dessas músicas. Sim, aprecio muita coisa, mas não dá pra falar tudo por motivos óbvios, então fica aqui as minhas preferências.

Vamos lá:

1°: Smile - Avril Lavigne


Avril Lavigne é minha cantora preferida e quem me conhece sabe disso. Ela sempre está e estará no topo da minha preferência musical, independente do que já existe ou ainda venha a existir. Gosto de tudo o que ela faz e sou suspeito para falar da qualidade musical dela. Mas o CD Goodbye Lullaby, lançado nesse ano, ficou muito acima do esperado. Canções mais emotivas, com letras que refletem uma Avril madura e sensível ao sofrimento e à dor. Entre as músicas do novo CD, se destacam Smile e Goodbye, minhas duas preferidas.

***

2°: Every Teardrop is a Waterfal - Coldplay


O novo álbum do Coldplay de nome quase impronunciável (Mylo Xyloto) foi uma novidade aos fãs da banda inglesa. Estilos diferentes e, porque não dizer, polêmicos. Essa música, mesmo, foi rodeada por uma polêmica depois de a banda ter sido acusada de plágio, por conta da abertura da música, que se assemelha muito à música I Go to Rio de Peter Allen. Mas não tem nada de plágio, pois no site oficial da banda há a informação de que eles usaram elementos da música do cantor australiano para criar Every Teardrop...; e apesar do título parecer meio emo ("cada lágrima é uma poça", algo parecido com Cada Poça Dessa Rua Tem Um Pouco de Minhas Lágrimas, do Fresno) a música tem uma pegada eletrônica misturada com um pouco de pop setecentista, que resultou num trabalho de muito bom gosto.

***

3°: Love and Communications - Cat Power


Logo depois da Avril Lavigne eu coloco Cat Power como minha cantora preferida. Eu mesmo já escrevi sobre isso aqui no blog e disse que ela não é uma cantora para ser apenas ouvida, mas para ser sentida. Isso porque suas músicas, aos mais desavisados, podem soar como algo meio monótono. Cat Power usa pouquíssimos instrumentos, geralmente uma guitarra ou piano e uma bateria pra marcar o tempo. Isso para valorizar sua voz e as letras.

Love and Communications é um bom exemplo disso: para que não curte é uma música estranha, com acordes aparentemente dissonantes e algo meio perturbador. Mas para quem conhece o estilo Cat Power de fazer música essa é uma das melhores canções da carreira dela. Essa é a minha opinião.

***

4°: Por Amor - Nasi:


Nasi pra mim é um dos caras mais fodas da música brasileira. Ajudou a fundar o Ira!, fez músicas ótimas, arrumou briga com meio mundo, foi afastado da banda que formou e deu vida à sua carreira solo, tão boa quanto o tempo no Ira!. Vivo na Cena é um dos melhores trabalhos brasileiros lançados nos últimos anos. Por Amor é uma das músicas do Nasi da época do Ira!, mas aqui ganhou a participação da Vanessa Krongold, vocalista do Ludov. O resultado é sensacional!

***

5°: ÜBerlin - R.E.M.


O novo álbum do R.E.M., Colapse Into Now, é um dos melhores da banda. Mas entre todas as músicas ÜBerlin é a melhor, na minha opinião - ÜBerlin é uma brincadeira da banda com a expressão Ü-Bahn, "metrô" em alemão. Além da letra ser cheia de lições e verdades o clipe é espetacular. Quem não sente vontade de sair pela rua pulando e girando como o cara descolado do clipe?


***

6°: Right To be Wrong - Janes Joplin


Além de linda, Joss Stone é uma das melhores vozes dos últimos tempos. E suas letras são lições que ela, mesmo nova, parece ter aprendido na prática. Vale a pena ouvir.

***

7°: Es War Nicht Alles Schlecht - Jennifer Rostock


A banda alemã quase desconhecida aqui no Brasil vem ganhando fãs em toda a Europa. E Es War Nicht Alles Schlecht, uma das músicas novas, resume um pouco do que a banda é: louca, mas com bom conteúdo. A música, com elementos da Neue Deutsch Härte, coloca Jennifer Rostock na mesma galeria de grandes nomes do rock pesado alemão, como Megaherz, Rammstein e outros. Es War Nicht Alles Schlecht é uma das grandes apostas do mercado musical alemão.

***

8°: Quando a Chuva Passar - Paula Fernandes


Tá, me rendi à voz de batata entalada na garganta da Paula Fernandes. Não sem muita resistência, claro! Mas não tive como! Ela é linda, e como se isso não bastasse, ela resgatou o jeitinho mineiro "boa menina" de fazer música. Regravou a música da Ivete e provou que, em certos casos, a regravação fica melhor que o original. Ela merece todo o destaque que vem recebendo. E não me interessa se ela foi eleita a mais mal vestida de 2011. Eu gosto da musica dela, e a roupa que ela usa não me interessa nem um pouco. Que a Glória Kalil se ocupe disso!

***

9°: Você Não Vale Nada - Tiê


E quem diria que um dos forrós bregas mais grudentos dos últimos tempos poderia ganhar uma versão nobre e até melodramática? Você Não Vale Nada, de uma banda de forró chamada Calcinha Preta ganhou da Tiê uma versão completamente impensável, e o resultado foi surpreendente. Mais ainda: para quem tem o preconceito com a música popular e nunca havia sequer prestado atenção na letra da música (como eu...), Você Não Vale Nada tem uma letra bastante bonita!

***

10°: Roling in the Deep - Adele


Apesar de estar no último lugar da minha lista isso não significa que ela seja "a pior". Pelo contrário: Adele ganhou o mundo e foi eleita como o melhor álbum de 2011 por uma agência de notícias espanhola. Adele é quase uma versão bem comportada de Amy Winehouse, de tanto que as vozes se parecem. Mas Adele não quer ser apensa uma cópia: tem personalidade própria e mostra isso nas letras de suas músicas. Como em Roling in the Deep.

Por que comemorar o Natal?

Já conheço todos os motivos possíveis para não se comemorar o Natal: Jesus não nasceu em 25 de dezembro e essa data foi escolhida pela Igreja Católica a centenas de anos para agradar os pagãos que estavam chegando à igreja; é bem provável que Maria não era virgem quando Jesus nasceu, já que a expressão "nascer de uma virgem" era usada na época quando se referiam à mulher que engravidou na primeira relação sexual, ou seja, Jesus seria filho biológico de José; alguns arqueólogos já dizem que Jesus não nasceu em Belém da Judeia, mas em Belém da Galileia, diferente do que os evangelhos relatam; os símbolos natalinos surgiram entre os mesmos pagãos que vieram à igreja trazendo seus costumes de iluminar casas, decorar árvores e etc; Papai Noel foi uma adaptação da crença católica em São Nicolau à uma personagem criada pela Coca-Cola lá pelos idos de 1920; o Natal virou uma data comercial, onde lojas faturam muito dinheiro e emissoras de TV ganham audiência com programas cheios de emoção piegas para fazer pessoas chorarem enquanto artistas que não estão se lixando para o que acontece no mundo fazem um papel de bonzinhos distribuindo presentes a crianças carentes. Esses e outros motivos são repetidos ano após ano, e mesmo assim o Natal continua gerando o mesmo movimento. Há ainda - pasmem - quem defenda o Natal.

Bom, eu sou um dos que defendem a data, apesar de não ver muita graça nela. Mas gosto de comemorar. Por que?

É verdade que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro. É mais provável que ele tenha nascido entre os meses de março e junho, época do frio em Belém. Mas eu não sei a data exata, e tô pouco me lixando se os símbolos natalinos vieram do paganismo. Eu comemoro por um único motivo: independente da religião que se crê, ou até de não se ter religião eu vejo Jesus de Nazaré como uma das pessoas mais incríveis que esse mundo já conheceu. Não, não sei se ele realmente nasceu em Belém, se ele nasceu através de um parto milagroso da Maria Virgem, não sei se o que a Bíblia relata sobre o nascimento dele é realmente o que aconteceu ou se os escritores florearam um pouco para dar um tom mais romanceado ao nascimento do Messias. Mas independente de qualquer coisa Jesus foi um homem à frente de seu tempo. Assumiu como missão principal lutar contra um sistema religioso nefasto, que privilegiava a instituição ao invés das pessoas e explorava a boa fé de pessoas simples, em nome de um deus vingativo e ameaçador - qualquer semelhança com os tempos atuais não é mera coincidência. Mesmo estando nesse meio - lembremos que Jesus era um rabino judeu - ele teve a coragem para denunciar a podridão do sistema. Jesus não tinha como objetivo acabar com a religião judaica nem fundar uma nova religião, ele queria dar sua contribuição para colocar as coisas em ordem. Tentou, lutou, mostrou às pessoas que há um jeito diferente de ver a vida, sem o "fardo" da religião - isso é o que ele chamava de Reino de Deus, uma forma diferente de ver a vida - e convenceu pessoas a se libertarem da opressão dos mais fortes - "a verdade vos libertará". Jesus conversou com os excluídos e renegados da época - foi a casa de um cobrador de impostos, conversou com mulheres estrangeiras e atendeu mendigos - e devolveu a dignidade de gente esquecida pela sociedade. Jesus foi um homem corajoso, a ponto de desafiar líderes da época, condenar o uso dos templos para venda e lucro.

Por essas e outras coisas eu vejo Jesus como um homem incrível. Muito diferente do que a religião costuma pregar. Jesus foi um homem simples, que nunca lutou por poder, nunca quis ser protagonista de nada, nunca quis revolucionar nada nem ser adorado como nada. Foi apenas um homem que tinha a consciência da situação da sociedade em que vivia e que usou sua força para tentar mudar a realidade. Conseguiu pouca coisa, pois eram apenas ele e 12 discípulos que não sabiam muito bem como agir contra um sistema forte e impiedoso, e acabou morto da maneira mais indigna e brutal que a justiça da época condenava seus "criminosos": a morte de cruz! Se ele ressuscitou depois e continua vivo, se é o Cristo, se é Deus, isso é um assunto da religião, que eu não tenho o menor interesse em debater.

É esse cara que eu quero homenagear no Natal. Não interessa se ele nasceu dia 25 de dezembro, se nasceu mesmo de uma virgem ou se nasceu em Belém. O que interessa é que ele existiu e lutou por um mundo melhor e deixou lições preciosíssimas de como enfrentar a vida - "tenham ânimo, pois eu venci o mundo e vocês também podem vencer". Sim, ele merece homenagens.

Com esse sentimento desejo a todos vocês, amigos, um feliz natal, e que as lições de Jesus Cristo possam fazer parte da base das nossas vidas, hoje e sempre.

Abraços!

Elsa & Fred - Um Amor de Paixão



Acabei de assistir na TV Cultura o filme Elsa & Fred, do diretor espanhol Marco Carnevalle, filmado na Espanha e Itália.

O filme conta a história de Elsa e Alfredo, dois velhos viúvos (ou talvez...) que são vizinhos em um prédio e, depois de um incidente, eles acabam se conhecendo e começam a se identificar, mas não por terem algo em comum: o que os une é exatamente o fato de serem totalmente diferentes: Elsa é uma velha de 77 anos, alegre e irreverente, que num primeiro momento pode ser vista até como mentirosa e irresponsável, por gastar o dinheiro do filho mais velho para sustentar o trabalho do mais novo. Já Fred é o tipo do homem que levou uma vida certinha: aos 78 anos tem horários para tudo, toma todos os remédios receitados pelo médico mesmo sem ter necessidade de tomá-los, dormindo e acordando no horário. Depois de um tempo de relacionamento, os dois acabam se apaixonando e vivem momentos inesquecíveis, alguns deles sobre a influência do filme A Doce Vida, de Fellini; tudo isso mesmo sob a reprovação dos filhos de ambos, que acham que eles estão velhos demais para querer algo novo na vida.



O filme faz o estilo "bonitinho", cheio do romantismo próprio do cinema espanhol. Eu não o conhecia, mas me chamou a atenção o fato de os protagonistas serem atores idosos - eu gosto muito de ver idosos atuando em filmes, novelas e etc, ou melhor, eu gosto muito de ter contato com pessoas velhas, dessas bem idosas, cheias de histórias de vida pra contar, talvez porque eu não seja tão próximo dos meus avós. Mas, mais do que isso, o filme mostra o amor na terceira idade e nos faz entender que nunca é tarde demais para se aproveitar a vida. Escolher viver ou morrer é algo pessoal, e a idade é o que menos conta nesse sentido. Elza e Fred é a história de um casal que resolveu viver e realizar sonhos, mesmo com a idade avançada. Ainda mais porque Elza tinha pouco tempo de vida.

Vale a pena ver!

#Opinião: Toma que o viciado é teu!

Campos Elíseos, em SP, conhedida como Cracolândia



Weslley Talaveira

Surgiu na cabeça da secretária de assistência social de SP Alda Marco Antônio (PSD), que por acaso também é a vice-prefeita da cidade, um projeto curioso para resolver o problema da Cracolândia na capital: mandar os viciados para sua cidade natal para receberem tratamento por lá. Para isso ela parte do princípio de que "toda comunidade é responsável por seu produto social", ou seja, a cidade de origem tem responsabilidade de dar apoio ao seu cidadão, independente de ele morar ou não na cidade natal. Ela diz ainda que na cidade natal, perto da família, essas pessoas teriam mais chances de tratamento do que distante de todos, abandonados numa cidade tão grande como SP.

Num primeiro momento até concordei com a ideia. Concordo que cada cidade é responsável pelos seus cidadãos, e deve prover para eles todo o apoio necessário em qualquer situação, e acho também que é bom que o viciado esteja perto da família para receber carinho, tão necessário em um tratamento contra as drogas.

Mas há alguns "poréns" nessa história toda: se a pessoa saiu da cidade natal, abandonou a família e se tornou viciada em SP, é bem provável que essa pessoa venha de uma família desestruturada, e que talvez até mesmo a família é quem o tenha colocado pra fora de casa. Que apoio essa pessoa receberia num ambiente desses? Segundo: a ideia de devolver pessoas para suas cidades de origem, por mais interessante que pareça, tem um "quê" preconceituoso perigosíssimo para uma cidade que já registra vários casos de atitudes preconceituosas. Ou seja, ao invés de acolher quem vem de fora estamos mandando embora novamente? Mesmo que a intenção não seja essa, isso pode resultar numa situação bastante desconfortável para a administração pública. Algo como "esse viciado não é paulistano, então não é obrigação nossa tratá-lo aqui". Outra: algumas dessas pessoas vem de cidades pequenas, pobres, que não tem como providenciar tratamento para seus viciados. Se SP, a cidade mais rica do Brasil e uma das maiores da América Latina, não consegue tratar seus viciados, porque cidades menores iriam conseguir?

Sou a favor de devolver sim essas pessoas para suas famílias em sua cidade de origem, mas depois de tratadas aqui na capital. Essas pessoas precisam de um apoio clínico, psiquiátrico, e só depois disso devem procurar a família em outras cidades, até mesmo para garantir que essa pessoa não vá voltar à Cracolândia. Mandar um viciado para outras cidades só varre a sujeira para debaixo do tapete, além de contribuir para espalhar o problema das drogas para outras cidades.

Nem que para isso a internação compulsória seja feita (sim, sou a favor de uma pessoa ser internada contra a própria vontade), mas essas pessoas devem ser tratadas aqui em SP. Fica muito melhor para SP ser protagonista de um projeto de recuperação de viciados do que simplesmente mandar essa gente embora e dizer que resolveu o problema. Isso me lembra uma certa "limpeza social" feita há uns anos atrás por um determinado líder mundial que não fez bem para ninguém. 

Mandar gente viciada para suas cidades de origem não resolve o problema, só o transfere para as mãos de outros. Outros que provavelmente não vão resolver, também.

Pra quem gosta de fado...

Katia Guerreiro, fadista


Talvez eu esteja entre os pouquíssimos brasileiros que gosta da cultura portuguesa, principalmente da música. E falar em música portuguesa sem falar no fado é impossível, já que esse é o maior e mais admirado estilo musical português. A força do fado entre os portugas é tão grande que o estilo está para ser indicado como um dos Patrimônios Imateriais da Humanidade. 

No vídeo abaixo a fadista Kátia Guerreiro fala sobre a importância do fado, da visão que os estrangeiros tem do estilo musical e da importância da indicação ao modo como as pessoas - inclusive os próprio portugueses - veem o fado, já que alguns ainda o veem apenas como uma simples música triste.

Veja o vídeo:


Ceu

Um homem, seu cavalo e seu cão caminhavam por uma estrada. Quando passaram perto de uma árvore gigantesca um raio caiu e todos morreram fulminados. Mas o homem não percebeu que já havia deixado esse mundo, e continuou caminhando com seus dois animais.

A caminhada era muito longa, morro acima, o sol era forte. Eles estavam suados e com muita sede. NUma curva do caminho encontraram um portão magnífico, todo de mármore, que conduzia a uma praça calçada de blocos de ouro, no centro da qual havia uma fote onde jorrava água cristalina. O caminhante dirigiu-se ao homem que guardava a entrada.

- Bom dia.
- Bom dia, respondeu o guarda.
- Que lugar é este, tão lindo?
- Aqui é o ceu.
- Que bom nós chegamos com muita sede.
- O senhor pode entrar e beber água à vontade, disse o guarda indicando a fonte.
- Meu cavalo e meu cachorro também tem sede.
- Lamento muito, disse o guarda, aqui não se permite a entrada de animais.

O homem ficou muito desapontado, porque a sede era grande, mas ele não beberia sozinho; agradeceu ao guarda e continuou adiante. Depois de muito caminharem morro acima, já exaustos, chegaram a um sítio, cuja entrada era marcada por uma porteira velha que se abria para um caminho de terra, ladeada de árvores. À sombra de uma das árvores um homem estava deitado, cabeça coberta com um chapeu, possivelmente dormindo.

- Bom dia, disse o caminhante.
O homem acenou com a cabeça.
- Estamos com muita sede, eu, meu cavalo e meu cachorro.
-Há uma fonte naquelas pedras, disse indicando o lugar. Podem beber à vontade.

O homem, o cavalo e o cachorro foram até a fonte e mataram a sede. O caminhante voltou para agradecer.

- Voltem quando quiserem, disse o homem.
- Por sinal, como se chama esse lugar?
- Ceu.
- Ceu? Mas aquele guarda do portão de mármore disse que lá era o ceu.
- Aquilo não é o ceu, aquilo é o inferno.

O caminhante ficou perplexo.
- Vocês devia proibir que eles usem o nome de vocês. Essa informação falsa deve causar grandes confusões!
- De forma alguma; na verdade eles nos fazem um grande favor. Porque lá ficam todos que são capazes de abandonar seus amigos.

A Última Ceia



Há uma lenda que diz que, ao pintar A Última Ceia, Leonardo Da Vinci se deparou com uma grande dificuldade: precisava pintar o Bem - na imagem de Jesus - e o Mal - na figura de Judas, o amigo que resolve traí-lo na hora do jantar. Interrompeu o trabalho no meio, até que conseguisse encontrar os modelos ideais.

Certo dia, enquanto assistia um coral, viu em um dos rapazes a imagem perfeita de Cristo. Convidou-o para seu ateliê, e e reproduziu seus traços em estudos e esboços.

Passaram-se três anos. A Última Ceia estava quase pronta - mas Da Vinci ainda não havia encontrado o modelo ideal de Judas. O cardeal, responsável pela igreja, começou a pressioná-lo exigindo que terminasse logo o mural.

Depois de muitos dias procurando, o pintor encontrou um jovem prematuramente envelhecido, esfarrapado, bêbado, atirado na sarjeta. Con dificuldade pediu a seus assistentes que o levassem até a igreja, pois já não tinha mais tempo de fazer esboços.

O mendigo foi carregado até lá, sem entender direito o que estava acontecendo: os assistentes o mantinham de pé, enquanto Da Vinci copiava as linhas da impiedade, do pecado, do egoísmo, tão bem delineadas naquela face.

Quando terminou, o mendigo - já um pouco refeito de sua bebedeira - abriu os olhos e notou a pintura à sua frente. E disse, numa mistura de surpresa e espanto:

- Eu já vi esse quadro antes.
- Quando? Perguntou surpreso Da Vinci?
- Há três anos atrás, antes de eu perder tudo o que tinha. Numa época em que eu cantava num coro, tinha uma vida cheia de sonhos e o artista me convidou para posar como modelo para a face de Jesus.


O Bem e o Mal tem a mesma face. Depende apenas da época em que cruza nosso caminho.

(Paulo Coelho - O Demônio e a Srta. Prym)

#Entrevista: "A religião é, se não um equivoco, um embuste". Entrevista com Inri Cristo

Inri Cristo. Foto: acervo pessoal

Weslley Talaveira

Ele não é o primeiro a se dizer ser a reencarnação de Jesus Cristo. Mas com toda certeza é o mais conhecido, pelo menos aqui no Brasil. Catarinense de 63 anos, Inri Cristo - ou Álvaro Inri Cristo Thais - foi adotado por uma família de germano-brasileiros católicos (de quem herdou o sobrenome Thais, uma variação do alemão Theiss) logo após o nascimento, em março de 1948. O nome "Inri Cristo" consta no RG, uma vitória judicial que conquistou em 2000, depois de um processo por falsidade ideológica. Inri não deixa qualquer brecha para dúvidas: afirma categoricamente ser Jesus de Nazaré, o jovem judeu simples que afirmava ser o Messias prometido por Deus aos judeus e que foi morto exatamente por essa declaração.

Fala sempre em Jesus na primeira pessoa e e diz que "Jesus" é seu antigo nome, já que usa agora o nome INRI - inscrição em latim que constou na cruz onde Jesus de Nazaré foi morto por ordem do governador Pôncio Pilatos, que significa Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum, ou Jesus Nazareno Rei dos Judeus, uma espécie de deboche à mensagem que Jesus pregara enquanto vivo. Jesus, apesar da vida simples que levou e da morte cruel e violenta que teve, é hoje uma das maiores figuras da história da humanidade: dividiu a história ocidental e deu origem à segunda maior religião do mundo, o Cristianismo. É esse Jesus que Inri afirma ser.

Tem aparecido na mídia constantemente em programas de humor, que fazem piadas sobre sua "reencarnação". Aqui no Blog Novas Ideias, longe de provar se ele é ou não é quem diz ser e qualquer coisa do tipo, ele mostra um outro lado do líder religioso que talvez muitos não conheçam: opina com propriedade e conhecimento de causa em temas atuais como aborto, homossexualidade, conflitos árabes, com a cabeça aberta - quem diria! - que falta a muitos padres e pastores. 

Veja agora a entrevista com Inri Cristo:


Blog Novas Ideias: Para começar, uma pergunta básica: porque “Inri”, e não “Jesus”?
INRI CRISTO: “Porque INRI é o nome que paguei com meu sangue na cruz – I. N. R. I. , o nome que Pilatos escreveu acima de minha cabeça quando eu agonizava na cruz, quando cuspiam em meu rosto, quando me humilhavam, quando se cumpriam as Escrituras. É o meu novo nome, conforme previsto em Apocalipse c.3 v.12 (“Ao que vencer... escreverei sobre ele o nome de meu DEUS... e também o meu novo nome”). Em 24/10/2000, após sobrepujar um processo de falsidade ideológica que se arrastou justiça federal por quinze anos, as autoridades terrestres reconheceram minha identidade e concederam-me todos os documentos no qual consta meu novo nome, INRI CRISTO”.


Seu Ato Libertário aconteceu em Belém, no Pará, em 1982. Belém foi também o berço da maior igreja evangélica brasileira e uma das maiores do mundo, a Assembleia de Deus, fundada em 1911 por missionários suecos. Além disso, a cidade onde Jesus teria nascido, na Judéia antiga, também se chamava Belém. Há alguma relação entre esses acontecimentos?
Belém do Pará foi a cidade escolhida pelo meu PAI, SENHOR e DEUS para ser o palco da divina revolução que vim perpetrar aqui na Terra, revolução esta iniciada na catedral daquela cidade quando rompi o vínculo com minha antiga igreja, a romana, e fundei a nova ordem mística, SOUST, no histórico 28/02/1982. Enfim, foi em Belém que, pelas mãos da Divina Providência, renasci perante a humanidade. Antes de fundar a SOUST, quando voltei ao Brasil oriundo da Europa, percorri todas as capitais brasileiras incluindo Belém, onde estive pela primeira vez em 1981. Belém foi a única capital à qual retornei por ordem de meu PAI, pois Ele me mostrou que aquela era a cidade escolhida para fundar a SOUST. E o nome da SOUST nasceu lá dentro da catedral... nunca me esqueço quando estava sendo conduzido pelos policiais para fora, o povo sendo evacuado, quando estava descendo do altar em direção à saída, bem no meio da catedral o SENHOR disse: “Vê, meu Filho, esta não é a tua casa nem minha casa. Minha casa é tua casa. Esta é a casa da idolatria, é a casa que vende o teu nome e o meu nome... Por isso te ordeno: institui na Terra o meu Reino, anuncia ao mundo que esta ordem veio de mim. Eu sou o DEUS de Abraão, de Isaac e de Jacob. Eu sou teu SENHOR e DEUS, único SENHOR do céu e da Terra”. E nesse momento o SENHOR revelou o nome da nova ordem, SOUST, que é a Suprema Ordem Universal da Santíssima Trindade, a formalização do Reino de DEUS sobre a Terra. Quanto à igreja que chamais Assembléia de DEUS, o que ela fez foi comprar a única televisão livre na época, a TV Guajará - canal 4, que me mostrou ao povo três dias consecutivos antes da revolução e depois disso nunca mais teve liberdade para me apresentar. Quando a Assembléia que vós chamais de Deus for deveras de DEUS, ela terá as portas sempre abertas para o Filho do Homem se pronunciar. Ao contrário, continuará sendo mais uma das arapucas fundadas pelos falsos profetas, lobos com pele de ovelha (Mateus c.7 v.15) que vieram em meu nome antigo (Jesus) para ludibriar os incautos, cumprindo o que está previsto em Mateus c.24 v.5 e 24”.


Depois da morte de Jesus, a mensagem espalhada por seus discípulos foi a base para a criação do Cristianismo. Qual sua visão do Cristianismo atual?
Nietsche teve uma visão, estava inspirado quando escreveu: “Se Cristo voltasse ao mundo em nossos dias, a primeira proclamação que faria aos homens seria esta: cristãos de todas as igrejas, sabei que eu não sou cristão; eu sou Cristo”. Ou seja, ele quis dizer que tudo aquilo que inventaram depois de mim usando meu nome antigo Jesus nada tem a ver comigo. Essa é a minha visão não só em relação ao Cristianismo, mas também em relação a todas as religiões. A própria palavra ‘religião’ é um equívoco, quando não um embuste, uma vez que esse termo, oriundo do latim religaire, significa religar. E sendo DEUS onipresente, como pode alguém querer religar o ser humano a DEUS se todos vós sois indissociáveis dEle? Em verdade vos digo que o SENHOR vivifica cada célula de vosso corpo e cada partícula de vosso sangue... A bem da verdade, ninguém criou o Cristianismo. Cristianismo é um termo que usam para referir-se aos meus seguidores; o Cristianismo primitivo se denominava Seita do Nazareno. Aliás, abomino todos esses “ismos”, porque DEUS é um só.


Recentemente o Papa Bento XVI disse que a religião judaica não pode ser culpada pela morte de Jesus. O senhor concorda com essa afirmação do Papa?
Muito antes de ele dizer isso eu já havia me pronunciado a respeito e está registrado nas mais de 300 perguntas respondidas no site www.inricristo.org.br . Ele apenas papagaiou um pronunciamento que já existia. Mas como já disse e repito, não se pode imputar a culpa pela minha crucificação aos judeus, uma vez que eles não tinham poder para decretar a execução. Naqueles tempos, Pilatos era o interventor de Roma e o único que tinha o poder terrestre para decretar a execução, tanto é que ele disse: “Não me falas? Não sabes que tenho poder para te soltar e também para te crucificar?”, ao que lhe respondi: “Tu não terias poder algum sobre mim, se não te fosse dado do alto” (João c.19 v.10 e 11). Se existe alguma culpada no plano terrestre, essa é e será sempre Roma.


A Igreja Católica tem hoje diversos assuntos que são considerados “tabus”, por ela se recusar a sequer dialogar, mas que estão presentes na sociedade. Um deles é o aborto. Qual sua opinião sobre o aborto?
Primeiro quero salientar que não sou a favor do aborto; sou racionalmente a favor da vida, todavia vida com dignidade. Na atual situação da sociedade, o aborto torna-se uma questão de saúde pública. Já que a fornicação é um hábito instituído e a explosão demográfica salta aos olhos, então é necessário, imperativo que se recorra ao controle da natalidade, primeiramente pelo incentivo de métodos contraceptivos (de preferência os menos agressivos à saúde) e, em última instância, deve-se recorrer ao aborto como paliativo nas situações socialmente extremas, como é o caso do estupro, anormalidade do feto e perigo de vida para a gestante (dentre os males, que prevaleça o menor). Eu vos digo em verdade, da parte de meu PAI, SENHOR e DEUS, que o espírito só é acoplado ao corpo físico quando o nascituro aspira o primeiro hausto de ar vivificante. O feto só adquire o status de criança quando é passível de ser criado independente do corpo da gestante. Antes recorrer ao aborto do que despejar no mundo milhares de crianças que dificilmente se escaparão da miséria, da fome e do descaso, tendo que pedir esmolas nas ruas, isso quando não se tornam menores delinqüentes, os futuros “bandidos” discriminados pela sociedade, mas que a própria sociedade hipócrita e falsamente moralista ajudou a formar. Já que todos estão à mercê das tentações, dos pecados da carne, da parte de meu PAI eu vos revelo que o aborto é um pecado menor (que a mulher já purga ao se submeter ao constrangimento, à tortura na ocasião da curetagem efetuada pelo ginecologista) comparado ao gravíssimo pecado de pôr no mundo mais um ser indefeso, impotente, sem as devidas condições de educá-lo e fazê-lo crescer com dignidade. É necessário que a humanidade saiba disso para acabar de vez com essa abominável chantagem, essas ameaças, essa maldição imposta sobre as indefesas mulheres pelos pseudo-religiosos que vilipendiam, desprezam, atropelam por motivos sórdidos o que eu falei há dois mil anos: “Se algum membro de teu corpo for motivo para escândalo, arranca-o fora e atira-o para longe de ti” (Mateus c.5 v.29). Não existe nada mais escandaloso do que uma mulher carregar no ventre o feto produzido pelo estuprador e, depois de colocar mais um ser indesejado no mundo, ter que ficar odiando-o e culpando-o pelo resto da vida. Deixemos a hipocrisia de lado e sejamos realistas. A humanidade tem que se acordar, despertar deste torpor, deste sono letárgico; creiam ou não, eu estou aqui, voltei à Terra com a missão de esclarecer a lei de DEUS para que os meus filhos sejam verdadeiramente livres em suas consciências.


A homossexualidade é outro tema que tem sido muito discutido ultimamente. Qual sua opinião sobre a homossexualidade? Apoia as lutas pelos direitos civis de homossexuais?
Eu apoio a luta pelo direito à liberdade consciencial independente da opção sexual ou religiosa de quem quer que seja. Para mim a coisa mais importante é a liberdade consciencial e o foro íntimo de cada indivíduo. Quanto à minha opinião sobre a homossexualidade, considero que cada um deve saber o que fazer do seu corpo, cada um é responsável pelos seus atos, conforme já vos enunciei na Parábola do Veículo Particular (veja a parábola aqui). Eu não posso respaldar, incentivar ou fazer proselitismo do homossexualismo, mas também não posso culpar ninguém. O meu reino é um reino sutil, é um reino magnético de energias, e as energias sutis, espirituais, estão acima da carne. Meu PAI disse que o ápice da evolução humana passa necessariamente pelos estertores da carne. Nesse sentido, os homossexuais passam por certas provas para alimentar sua opção sexual, algo que lhes é inerente. Eu cuido das almas, dos espíritos; minha missão é ensinar as pessoas a se conduzir espiritualmente, e não carnalmente. Carne é uma coisa e espírito é outra. Isso é uma questão que concerne ao foro íntimo de cada um. Cada ser humano tem uma vocação, uma tendência. Se alguém tem vocação pra ser operário, por exemplo, eu não posso obrigá-lo a tornar-se médico, ou professor. E no que concerne ao trabalho, aos ofícios, sempre digo que se o trabalho não te der dignidade, tu darás dignidade ao trabalho. Por isso não se pode culpar, condenar, julgar se uma pessoa tem um carma que a conduz a uma opção de vida avesso aos padrões considerados normais pela sociedade, porque a opção de vida está atrelada ao carma. Mormente nos tempos atuais em que existe interferência na biologia através da alimentação, a saber, hormônios femininos que se utilizam na criação de frango que depois servirá de alimento à população”.


Muito se têm discutido sobre as políticas de combate as drogas e o fracasso delas. Fala-se também na legalização de certas drogas leves, como a maconha. Acha que a legalização seria uma boa alternativa?
A considerar a atuação do gângster Al Capone durante a Lei Seca nos EUA em meados dos anos 30, a figura do traficante só é gerada quando existe a proibição. Por esse motivo, no atual estado da sociedade em relação às drogas, a meu ver a legalização seria a única alternativa viável desde que acompanhada da respectiva tributação altíssima, cujo recurso deveria servir não para os políticos comprar ilhas paradisíacas, e sim empregado na construção de centros para reabilitação das vítimas. Não só isso, mas também, e principalmente, para fazer uma campanha publicitária massiva, contundente, alertando os jovens quanto aos malefícios das drogas. Mesmo aparentando utópica, essa seria a única possível solução se os donos do poder não tivessem seus interesses contrariados.


As tensões entre árabes e israelenses são notícia a muitos anos, e ultimamente voltaram à mídia por causa da proposta da criação do Estado Palestino. Qual sua opinião a respeito?
O estado Palestino já existia antes do retorno dos israelitas àquelas paragens. Aquela terra é a Palestina. Só falta a comunidade internacional reconhecer o direito legítimo dos palestinos, a fim de que, sob a inspiração divina, se proceda à divisão territorial dentro de um parâmetro de justiça, sem revogar direitos adquiridos de quem quer que seja.


Nos últimos anos, as lutas por democracia e contra o terrorismo resultaram em mortes de líderes como Saddan Hussein, Osama Bin Laden e mais recentemente Muammar Khadafi. Qual sua opinião sobre essas lutas? Acha que a morte de um ditador é válida em uma luta como essas?
A vida é sempre preciosa. A morte de quem quer que seja jamais será solução para se chegar ao alvo, que é a paz. Não é a morte de um ditador que irá resolver questões de lutas por democracia. Os ditadores morrem porque mataram. Quando eles se enquadram na lei do Talião, que é eterna (“Olho por olho, dente por dente... vida por vida” – Êxodo c. 21 v.24), eles matam muitos e sofrem a conseqüência dos seus atos. Ainda responderia a esta pergunta da seguinte forma: mostrai-me o homem violento que teve bom fim e eu o exporei como exemplo. Via de regra, os homens violentos terminam na violência, porque a violência gera violência. São coisas que meu PAI me mostrou há milênios e fazem parte da lei divina, e a lei vale para sempre.

Falando um pouco em política, como é seu envolvimento com a política? Apoiaria publicamente algum candidato específico?
Eu não me envolvo com política. Considero a opção política uma questão de foro íntimo. Mas se formos definir bem, está tudo errado. O sistema está errado. Os valores estão invertidos. A democracia – a verdadeira democracia – entre os males, é o menor. Dentre os sistemas políticos existentes, se a democracia fosse verdadeira, o voto seria facultativo. A partir do momento em que o indivíduo é obrigado a votar mesmo que em nome de deveres cívicos, já não é mais democracia. Se és obrigado a votar mesmo não tendo um candidato que te inspire confiança, podes considerar que isso é democracia? Estás sendo coagido, empurrado em direção ao curral do cabresto eleitoral, uma vez que serás obrigado a escolher um líder que não te inspira confiança, mesmo contra tua vontade. O que sobra, então? Sobra apenas confiar em DEUS, resta apenas votar confiante que ninguém chega ao poder sem a anuência do ALTÍSSIMO, como já disse a Pilatos há dois mil anos e reitero uma vez mais: “Nenhum poder terias sobre mim se não te fosse dado do alto” (João c.19 v.11). Quanto a apoiar algum candidato político, eu apoiaria algum que viesse aprender a lei divina e se comprometesse a atuar nos parâmetros da lei divina e da ética, mesmo que isso possa parecer utópico. Quiçá num futuro não muito distante os líderes políticos enxerguem que o bem do povo é o bem deles próprios.


Como avalia o governo Dilma?
Vejo que a presidenta Dilma é uma pessoa esforçada, bem intencionada, uma guerreira lutadora querendo colocar a casa em ordem, ainda que sob pressões de todos os lados. Vejo-a debatendo-se para se livrar dos sanguessugas do poder. É assim que vejo o governo Dilma, uma guerreira tentando gerir um sistema doentio à beira da exaustão.


Você recentemente divulgou um vídeo de apoio ao humorista Rafinha Bastos, que vem sendo atacado por conta de piadas feitas no CQC. Por que tomou a iniciativa de fazer o vídeo?
Embora consciente de que minha voz não teria grande ressonância, considerei salutar pronunciar-me a respeito do humorista que prestou um elogio exacerbado a uma dama. Apenas compreendi o que ele quis dizer, ou seja, ele manifestou verbalmente o que a maioria dos homens fazem ou desejam fazer com suas companheiras mesmo quando elas estão no período da gestação.


Gostaria de deixar uma mensagem aos leitores do Blog Novas Ideias?
Meditai, meus filhos, e antes de tudo lembrai-vos sempre que meu PAI, que é vosso PAI, meu DEUS, que é vosso DEUS, é onipresente, onisciente e onipotente, único ser incriado, único eterno, único ser digno de adoração e veneração, único SENHOR do Universo. Por ser onipresente, Ele vivifica cada célula de vosso corpo e cada partícula de vosso sangue. Não necessitais ser religados a DEUS uma vez que sois indissociáveis dEle; logo, se religião não é um equívoco, é um embuste. Minha mensagem é que deveis aprender a orar em casa, no quarto com a porta fechada, sem a interferência de nenhum abutre ou lobo com pele de ovelha, conforme já ensinei há dois mil anos e está escrito em Mateus c.6 v.6 (“Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, ora a teu PAI Celeste em segredo. Ele vê o que se passa em segredo e te abençoa”). Só ao SENHOR devemos adorar (“Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; não darei a outro a minha glória, nem consentirei que se tribute aos ídolos o louvor que só a mim pertence” – Isaías c.42 v.8). Quem tiver o SENHOR não precisará preocupar-se com mais nada; conseguirá atravessar todas as tempestades que estão por vir no destino da humanidade. Que a paz seja com todos.

Tempo que Foge

Descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicentemente, mas percebendo que faltavam poucas, passou a roer o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não vou mais a workshops onde se ensina como converter milhões usando uma fórmula de poucos pontos. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos parlamentares e regimentos internos. Não gosto de assembléias ordinárias em que as organizações procuram se proteger e se perpetuar através de infindáveis detalhes organizacionais.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que, apesar da idade cronológica, são imaturas. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”, para “tirar fatos a limpo”. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral.

Já não tenho tempo para debater vírgulas, detalhes gramaticais sutis, ou as diferentes traduções da Bíblia. Não quero ficar explicando porque gosto da Nova Versão Internacional das Escrituras, só porque há um grupo que a considera herética. Gosto, e ponto final! Lembrei-me de Mário de Andrade, que afirmou: “As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.

Já não tenho tempo para ficar explicando se estou ou não perdendo a fé, porque admiro a poesia de Chico Buarque e de Vinicius de Moraes; a voz de Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis, de Thomas Mann, de Ernest Hemingway e de José Lins do Rego.

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente muito humana, que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a “última hora”, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus. Caminhar perto dessas pessoas nunca será perda de tempo.

Ricardo Gondim (apesar de muitos atribuírem o texto a Rubem Alves, Carlos Drummond de Andrade e outros, o texto é de Ricardo Gondim e faz parte do livro "Eu Creio, Mas Tenho Dúvidas").

#Entrevista "Ser sensual está na personalidade". Entrevista com Graciella Carvalho




Com colaboração de Larissa Oliveira


Se há uma unanimidade entre homens dos mais distantes lugares desse país, é que todos adoram ver um belo par de nádegas femininas. Sim, amigos, bumbum é paixão nacional. Não tem como discutir. Todo homem gosta, independente de ser solteiro ou casado, religioso ou ateu, rico ou pobre. Homem que é homem gosta de admirar uma bela bunda brasileira. E ganhar o título de bumbum mais bonito do Brasil no país conhecido por ter as mulheres mais bonitas do mundo e ter os bumbuns mais cobiçados do mundo não deve ser algo fácil. Além da concorrência, a responsabilidade é enorme.  Mas Graciella Carvalho prova que está pronta para o título Miss Bumbum 2011, o que a consagraria como a dona do Bumbum mais bonito do Brasil, mesmo que alguém tente provar o contrário. Paulista de Santo André, enfermeira de formação e cristã convicta, ela vem mostrando todos os dias que é mais do que um rostinho - e um bumbum - bonitos na TV. Além da beleza estonteante, a morena é pura simpatia e ganha fãs por onde passa. Graciella representa o estado do Maranhão no concurso. Ah, maranhenses, seus sortudos!!!

Entre uma agenda cheia que inclui participações em programas, ensaios fotográficos (inclusive um para a Revista Maxim de novembro), muita academia pra manter o corpo perfeito e outras atividades, ela reservou um tempinho pra bater um papinho aqui com a gente no Blog Novas Ideias.

Segue a entrevista:


Por que decidiu participar do Miss Bumbum? Porque sou modelo e adoro participar de concursos de beleza e acho que eu tenho um belo bumbum.


Como se sente em saber que seu bumbum está entre os mais bonitos do Brasil? Me sinto muito feliz! Pois fui escolhida pela agência que está fazendo o concurso entre um dos bumbum mais bonitos e ficarei mais feliz ainda se ganhar.


O que você faz para manter o “bumbum perfeito”? Muita malhação, dieta, massagem, sempre fui muito vaidosa, e sou bem disciplinada.


No concurso você foi alvo de críticas de outras candidatas, que te acusaram de ter colocado silicone, o que é proibido pelo concurso. Pra provar que seu bumbum é natural vc fez uma radiografia. O que te levou a fazer isso? As críticas acabaram? Eu resolvi fazer a radiografia para provar à todas que não possuo protese de glúteo. Fiz, provei e calei a boca delas. Mas as criticas continuam sim porque agora elas falam que eu só fiz isso para levar vantagem.


Graci, fala pra gente: o que te chama a atenção em um homem? Carater, Educação, inteligencia, gentileza, vaidade


E acha que existe o "homem perfeito"? Como ele seria? Ninguém é perfeito, não existe perfeição, todos nos temos seus defeitos.


Você é uma mulher incrivelmente linda, e deve receber muitos elogios e cantadas todos os dias. Como você reage a essas cantadas? Recebo vários tipos de cantadas e já estou acostumada, algumas finjo que nem ouvi e em outras tento ser simpática só por questão de educação, mas não costumo dar mole, não. Logo dou um fora!


Falando sério: você se considera uma mulher sensual? O que é ser sensual, na sua opinião? Sim me considero! Ser sensual é algo da personalidade da pessoa, não é algo que se adquire em um curso. Não tem a ver com aparência física, mas aparência ajuda. Mas de nada adianta se você for vulgar, o que é muito diferente de sensual. Sei lá tem muitos homens que eu nem acho bonitos, mas tem um Q a mais. E é muito pessoal também, eu posso achar certa pessoa sensual, e minha colega pode achar sem sal.


Vc já trabalhou em TV. Quais os seus planos para o futuro? Gostaria de continuar na TV? Sim já trabalhei! Estou fazendo fono e curso de rádio e tv pretendo ser uma futura apresentadora de tv.


Gostaria de deixar uma mensagem aos leitores do Blog Novas Ideias? Gostaria de agradecer todos que gostam de mim de verdade e que estão torcendo por mim, agradecer a todos que já votaram e não param de votar em mim no concurso, e agradecer a oportunidade de estar aqui dando esta entrevista para vocês. Um beijos para todos =)


**


E aí, ela merece o título ou não?























Graciella, Cravo e Canela



Para os homens ela é a personificação da utopia de mulher perfeita: incrivelmente linda, gostosa, atraente, simpática, a perfeição inatingível que só se vê nas revistas. É o mulherão que tem força para desmontar qualquer machismo e fazer até o mais truculento dos homens se comportar como um garotinho que pede atenção. É a deusa grega capaz de desestabilizar qualquer Olimpo e provocar guerra entre deuses que a disputam como o grande prêmio a ser conquistado. Nas mulheres provoca inveja - a típica inveja entranhada no psicológico feminino que faz com que mulheres igualmente lindas a vejam como rival a ser destruída; seu poder de atração sobre os homens incomoda suas iguais, que sabem que seriam facilmente derrotadas numa simples comparação com ela; isso desperta a ira, uma ira que muitas vezes toma forma de poder maquiavélico, poder esse que faz com que as que se sentem ameaçadas tentem derrubá-la a todo custo, nem que para isso a mentira seja usada como arma principal. Nos moralistas desperta raiva, a raiva típica dos que a desejam, mas que por força da imagem de "defensores do bem estar social" se veem obrigados a conter seu desejo e usam a repulsa para espantar seus próprios fantasmas. Nos "liberais" ela trás a alegria de saber que ainda há no mundo pessoas de mente aberta, bem resolvidas com o próprio corpo o suficiente para se despir para fotos e ensaios, sem a hipocrisia do "politicamente correto" e sem a mordaça da "moral e os bons costumes".

Tal qual a Gabriela de Jorge Amado ela chama a atenção e divide opiniões. Causa alvoroço onde passa. É motivo de discussões e debates. Pessoas falam sobre ela, tentam entendê-la, defini-la. Impossível. Ela não se define nem pode ser definida. Sua beleza exuberante chega sempre na frente e faz com que alguns digam que ela é apenas um rosto bonito (não só o rosto, diga-se de passagem), mas logo atrás sua simpatia e o carisma calam a boca dos críticos. Ela tem a força e a garra do brasileiro, mas a doçura e simpatia de uma criança. É ao mesmo tempo maliciosa e ingênua. Forte e indefesa. Ela é o definição plena do que se entende por "mulher".

Ela é Graciella, a nossa Gabriela.

A Gabriela que não tem vergonha de exibir o próprio corpo e faz um ensaio sensual. Ao invés das paisagens naturais exuberantes ou mansões luxuosas iguais as que estamos acostumados a ver como cenário, ela fotografa num quarto comum; algumas fotos foram feitas em um fundo amarelo como cenário, e nada mais. Nada de roupas extravagantes ou lingeries super sensuais de marcas caríssimas - em algumas fotos apenas uma calcinha roxa. Em vez de jóias brilhantes enormes e caríssimas, uma simples corrente que quase passa despercebida. Maquiagem discretíssima. Ela não precisa passar pelo milagre dos retoques digitais para corrigir imperfeições. Ela dispensa qualquer complemento, qualquer "algo a mais". Por que? Oras, ela é a arte. Qualquer coisa além dela é desnecessário. É apenas ela. Graciella, a nossa Gabriela. A que usa a força  infalível da sensualidade para mostrar a fragilidade e singeleza que o nu expõe. A que, ao tirar a roupa para uma sessão de fotografia, tira também a capa da conveniência social e se expõe de pele limpa e dá a cara a bater, sem se importar com a opinião de terceiros. Sua seminudez expões sua força e fraqueza. É a menina indefesa, que pede proteção e apoio, e a mulher autoconfiante, que não tem medo de nada e vai à luta custe o que custar. Ali, seminua, ela é apenas a Graciella e nada mais. Ou, se olharmos por outro ponto de vista, ali ela é a grande Graciella e todo o peso que sua personalidade carrega. 

Ela é a Gabriela que não se submete à regras impostas por outros. Ainda não nasceu o Nacib capaz de encabrestá-la. Ela entra e sai quando quer. Dispensa e atrai novamente. É cortejada pelos que antes a julgaram. Quem a dispensou agora a chama de volta.

Assim é ela, nossa Graciella, Graciella Cravo e Canela.

Incêndio no Canavial

É, eu tenho meus momentos brega. Uma prova disso é eu gostar de Incêndio no Canavial, do Moacyr Franco:



Gosto das músicas do Moacyr Franco. E a letra dessa música é, na minha opinião, uma das mais bonitas. Ele é uma das grandes vozes que já emocionaram o Brasil há anos e que infelizmente não recebe hoje o devido reconhecimento. É uma pena!

"Queremos resgatar a tradição de qualidade da música britânica". Entrevista com a banda Eutopia



Começar uma carreira musical é algo difícil. Isso é fato. Mais difícil ainda deve ser começar uma carreira musical de forma independente na mesma terra de lendas da música como Beatles, Amy Winehouse, Led Zeppelin, Queen e outros. Eutopia é uma das muitas novas bandas que vem surgindo no cenário musical do Reino Unido, mas com uma diferença: o trabalho deles vem ganhando reconhecimento do público dentro e fora das terras da Rainha. Além dos vários fãs ingleses, já são ouvidos nos EUA e planejam em breve uma viagem à América do Sul.

Idealizada em 2010 por Alexander Kotziamanis, a banda é hoje formada pelo próprio Alexander, que é o vocalista e guitarrista da banda, além de Leah e Luke. A banda Eutopia é hoje uma das grandes inovações da música inglesa, principalmente pela pegada do rock com uma boa dose de eletro e synth, o que resulta num som muito diferente, muito bom de se ouvir. O primeiro single da banda, Shall I Lie tem gerado uma ótima repercussão na internet e está inclusive disponivel para o iTunes. E o álbum Seven, primeiro da banda, já está pronto para ser lançado e em breve entrarão em turnê pelo Reino Unido.

Essa é a primeira vez que a banda Eutopia fala para a América Latina, e é a primeira entrevista internacional do Blog Novas Ideias. Por conta disso, resolvemos publicar a entrevista também em espanhol, para que nossos vizinhos latinos possam acompanhar a entrevista.







1) Como surgiu a banda Eutopia?
A banda começou a partir do trabalho de Alexandre. Ele escreveu algumas músicas e sentiu que, em vez da carreira solo, ele poderia começar uma banda. A mensagem de sua música foi a positividade, sem perder uma vantagem rock. Ele conheceu Leah em setembro do ano passado e eles decidiram trabalhar juntos no projeto de uma banda. Lucas juntou-se à eles no final de janeiro e com a família completa estamos hoje com nosso trabalho em andamento.


2) Por que o nome Eutopia?
Eutopia significa "um lugar perfeito", o que é obviamente muito positivo. Estamos todos acostumados à palavra "utopia", que é um ideal inatingível. "Eutopia" é um ideal alcançável e possível. Além de que nós queríamos apenas uma palavra, com grandiosidade o suficiente para nos diferenciar das grandes e às vezes pretensiosas bandas britânicas modernas. Achamos que uma palavra pode reunir todo um conceito para a banda. O nome de uma banda deveria dizer algo sobre ela, e "Eutopia" mostra que somos uma ideia refletida em nosso trabalho pessoal e conjunto, bem como na música que fazemos.


3) Quem escreve as música da banda? Qual a inspiração ao escrever?
Alexander escreve as músicas, que tem temas diversos, mas todas são leves e têm um conceito forte. As canções falam de algumas das grandes questões como a fé, política, moralidade e sobre o consumo de drogas. O assunto principal, porém, é o amor. Todas as nossas faixas, até certo ponto são sobre o amor da humanidade, Deus, o outro. A partir disso começamos a viajar...


4) Qual tem sido a receptividade das pessoas às músicas da banda?
Assim como em todas as formas de arte temos os nossos fãs e outros que não estão tão interessados. Devido à diversidade musical a nossa música as vezes trava em alguns tipos de gostos musicais. Nós realmente achamos que podemos dar algo a todos com a nossa música. Temos uma página de fãs no Facebook e nosso site tem um fluxo relativamente constante. Temos fãs em todo o mundo e iremos para a América no próximo ano para visitar nossos fãs.


5) Qual é a principal inovação da banda Eutopia?
Acho que oferecemos algo totalmente original no mercado musical atual do Reino Unido. Usamos uma grande variedade de estilos e combinamos techniue impressionante com puro pop/rock e grandes solos de guitarra. Quisemos afastar-se das progressões de acordes óbvias e trazer de volta os elementos emotivos e cativantes encontrados na música dos anos oitenta que amamos - Bon Jovi, Def Leppard, Trip, Europa, etc. Nossas letras são muito mais do que nossas próprias vidas, elas estão prestes a questões mais amplas. Nós amamos os grandes solos de guitarra e camadas mais complexas de synth e harmonias. No entanto, não queria ir pelo caminho bem percorrido progressiva à medida que sentir que muitas bandas se tornar a técnica para seu próprio bem e do sacrifício dos elementos melódicos que apelar para o mercado de massa. Assim, mantemos nossas melodias simples e cativante. Nós também adicionar algo moderno, alguns elemento "un-Rock'n Roll ", com synths dançantes. Nós amamos os sons rítmicos e a perfeição de sincronismo encontrado na música dançante e conhecemos o impacto de uma melodia de sintetizador muito eficaz.


6) Já se apresentaram fora da Inglaterra? Em quais lugares?
Os componentes da banda já se apresentaram individualmente fora do Reino Unido. Alexander já tocou em vários países europeus. Lucas tem tocado em outros países europeus e Leah fez uma turnêa no Oriente Médio. Como Eutopia, temos grandes planos para os próximos shows começando com uma turnê nos EUA no ano novo.


7) No Brasil, o Mercado para novos talentos tem sido muito promissor. Quase todos os dias vemos novas bandas e novos cantores no cenário musical brasileiro. Como está o mercado para novos cantores / bandas no Reino Unido?
O mercado musical no Reino Unido está sob uma enorme pressão. Programas de TV como Britain Got Talent e X Factor dão a impressão de que qualquer um pode ter sua carreira de sucesso, independente de talento. Se impressionam com essa e ideia e não querem correr riscos. Acabamos vendo carreiras sem longevidade e um pequeno grupo de escritores que fazem letras de músicas para muitos. Ninguém tem tempo para se desenvolver como artista e construir uma forte base de fãs ao mesmo tempo. Você precisa construiur a própria carreira, por conta própria, para só sí as gravadoras se interessarem em você. Com isto em mente, estamos muito felizes com a forma como Eutopia está progredindo, mas entendemos que estamos com um bom começo, e é questçao de tempo para pensarmos numa carreira internacional mais consistente.


8) Vários cantores e bandas que fazem sucesso hoje começaram com vídeos na internet. Qual é o peso da Internet na divulgação do trabalho de vocês?
A internet é, provavelmente, a nossa principal fonte de sucesso musical. A utilizamos para a divulgação e é uma plataforma fantástica para nós, como artistas musicais em uma plataforma global. Fazemos vídeos, temos vários shows ao vivo que são transmitidos on line para fãs que não podem estar presente em nossas apresentações por conta de sua localização geográfica. É uma maneira fantástica para nossos fãs estrangeiros nos verem em ação ao vivo. Fora isso, também temos os nossos próprios vídeos que promovem a Eutopia em outros nichos. Alexander tem suas aulas de "Guitar Arcanjo" no Youtube, onde dá algumas aulas de guitarra. Leah tem um blog, o Synth Owl, que se comunica com os fãs de synth, mas também mantém as pessoas em dia com o que está acontecendo com a banda. Ela também escreve sobre como é ser a única mulher na banda e uma das únicas na indústria do rock em geral.


Banda Eutopia
9) Vocês tem tido dificuldade nesse começo de trabalho? Quais?
A indústria da música é conhecida por ser um dos mais difíceis para se iniciar e, claro, é muito difícil fazer um impacto. Estamos completamente dedicados ao nosso ofício e a divulgação "boca a boca" tem sido a nossa melhor aposta. É surpreendente o que pode acontecer quando as pessoas gostam do que você está fazendo e querem ajudá-lo ao longo de seu caminho. É uma luta para ganhar reconhecimento, mas nossa base de fãs em constante crescimento e os recordes de vendas estão provando que estamos no caminho certo.


10) Quais os próximos projetos da banda? Já tem turnês agendadas?
Bem, o álbum de estréia Seven está completo e está inclusive disponível para o iTunes, para que todos possam desfrutar de nosso trabalho a partir do final de outubro. Temos trabalhado arduamente. Toda a gravação, produção, mixagem e obras de arte foram feitas em casa. Alexander faz a produção e Leah faz as artes. Tem sido um trabalho de amor e estamos muito animados para em breve começar oficialmente a promoção do álbum. Afora isso, estamos planejando uma viagem para Los Angeles em fevereiro, onde estaremos fazendo uma série de entrevistas e cargas de shows ao vivo. Nossa base de fãs norte-americana é grande em comparação com a nossa popularidade aqui em Londres e nós não poderíamos estar mais animado para a nossa primeira turnê internacional. Há muitos mais para vir e esperamos em breve ir à América do Sul.


11) Vocês estão na mesma terra de nomes indiscutíveis do rock, como Led Zeppelin, Queen e outros. Apesar da diferença de estilo de vocês com essas bandas, qual é a influência que elas exercem sobre o trabalho de vocês? Acreditam que a responsabilidade de fazer música no mesmo país de nomes tão conhecidos mundialmente é maior?
Acho que posso dizer com segurança que sem a influência desses pilares da música do Reino Unido nós não fazemos o que fazemos. Os riffs matadores de Led Zeppelin e da diversidade épica do Queen são provavelmente duas das nossas maiores influências. Devido à incrível linhagem musical que herdamos neste país é claro que há pressão. Queremos chegar a esse alto nível nível e acho que é um padrão que deve ser reintegrado na música britânica. Percebo que nos últimos anos as pessoas perderam a referência da nossa rica história musical e sentimos que é hora de trazê-lo de volta.


12) Conhecem algo do Brasil? Música, lugares, etc.
Ouvimos apenas coisas boas sobre a sua cultura e património musical. Para nós o Brasil significa paixão e atitudes positivas, as duas coisas que nos esforçamos para trazer ao nosso dia a dia. Nós não podemos esperar para conhecer a América do Sul e esperamos que possamos desfrutar de sucesso com a crítica brasileira e com os fãs. Além do que seria ótimo ver nossa música sendo tocada em casas de show no Brasil.


13) Gostaria de deixar uma mensagem para os leitores do Blog Novas Ideias?
Mantenha sua fé, faça tudo com paixão e acredite no que você está fazendo. É melhor dedicar sua vida a fazer uma única coisa que você ama de todo coração do que fazer mil coisas sem paixão. E claro: conheçam nossa música em nosso site... hahaha!


Com colaboração de Glaucio de Souza, Gabriela Penha e Liesel Hoffmann. 
Agradecimento à Julia Nicklen, que respondeu a entrevista em nome da Banda Eutopia


***

Visite o site da banda Eutopia e curta a página no Facebook.


Ouça a música Seven, que dá título ao primeiro álbum da banda:

EUTOPIA-Seven-Seven by Eutopia


Ouça a música Shall I Lie:

SHALL i LIE - EUTOPIA -Seven by Eutopia


Ouça a música Sattelite of Love:

EUTOPIA-Satellite Of Love-Seven by Eutopia

A "caridade" dos blogueiros e tuiteiros no Teleton

O SBT levou mais uma vez ao ar o Teleton AACD, versão brasileira do Teleton americano, que nada mais é do que uma maratona em prol de alguma causa beneficente. Aqui no Brasil o Teleton ajuda a AACD, instituição que há anos ajuda crianças e adultos com deficiência física a recuperar mobilidade e condições de vida que seriam praticamente impossíveis de se conseguir sozinho. O trabalho da AACD é algo fantástico. Moro um pouco perto da sede da AACD, aqui em SP< e sempre que passo por lá vejo crianças dos mais diferentes tipos, sempre acompanhados por mães que deixam tudo para atender o filho deficiente. É um trabalho lindo, emocionante mesmo, principalmente quando pensamos que boa parte do que é feito lá é de forma voluntária. Sim, quem trabalha lá não recebe um centavo pelo que faz. Ou seja, é puramente pelo amor ao próximo. Coisa bonita de se ver, mesmo.

No Brasil, o SBT pede uma vez por ano doações para a AACD, e com esses eventos do Teleton já conseguiu bastante coisa, como construir unidades no interior, equipar hospitais e mais uma série de coisas aue já foram feitas através dessa maratona de doações. É legal quando você pensa que o SBT é uma emissora comercial que depende de sua programação e da propaganda que veicula para existir e pagar as contas, e vê que a emissora dedica um dia inteiro da sua programação apenas para o Teleton, sem programas de auditório, sem novela, sem horário nobre nem nada. Um dia inteiro ofertado à AACD. A atitude do Sílvio Santos é algo admirável.

Aí desde 2010 o SBT teve a brilhante ideia de convidar blogueiros e tuiteiros para participar do Teleton e pedir doações na net. A ideia, que veio da filha do patrão Daniela Beyruti, era usar a força das redes sociais e fazer os internautas, geralmente sem nenhum comprometimento social, se envolverem na campanha. A iniciativa foi legal, principalmente porque o SBT é hoje uma das únicas emissoras que dá valor de fato às redes sociais e aos internautas. Mas a prática revelou uma coisa curiosa. Ao convidar blogueiros e tuiteiros para o Teleton, o SBT conseguiu algo quase impossível: fechou a boca de subcelebridades da web, piadistas, aspirantes a "stand up" e gente que vive de rir do outro que teriam no Teleton uma fonte inesgotável de piadinhas de gosto duvidoso. Ao invés de fazer graça com as "celebridades" que passam pelo palco, os "tuiteiros" enchem a TL de todos pedindo exaustivamente doações.

"E qual o problema disso, Wesley?". Nenhum, mas aí fico pensando se esses mesmos tuiteiros e blogueiros estariam pedindo exaustivamente essas doações se não tivessem sido convidados para participar. Será que levariam tão a sério o assunto se estivessem em casa e não no estúdio do SBT conhecendo cantores e artistas (alguns deles vão conhecer até mesmo o Sílvio Santos)? Ou seja, como foram convidados para participar do programa, evitam qualquer piada e se travestem de "pessoas caridosas". Até elogiam artistas que durante o ano todo foram motivo de chacota. Se não estivessem lá estariam rindo das participações e fazendo piada de "humor negro" assim como fazem com outros assuntos tão delicados como as as crianças deficientes da AACD. Será que se eles não estivessem lá o Fernandinho, o menino de 10 anos que todo ano está presente no Teleton fazendo todo mundo rir com seu jeito engraçado e estabanado, seria visto como uma "coisinha fofa", ou seria alvo de piadas chatas assim como a Maísa era até pouco tempo?

É curioso como essas "sub-web-celebridades" conseguem "dançar conforme a música", como diziam antigamente. Quando não há nada em jogo falam o que pensam e dane-se o mundo. Quando é conveniente, se calam e mostram uma imagem que qualquer um sabe que não é a deles. Vi tuiteiro no Teleton que eu nunca vi durante o ano envolvido em nenhuma causa. Aí como foi convidado para participar do Teleton se mostra caridoso, se dizendo emocionado com o trabalho da AACD. Será que você está emocionado mesmo ou é só mais uma personagem atuando no palco das bondades?

Para quem não entendeu o que eu quis dizer: não condeno de forma alguma o Teleton e o trabalho do SBT. Pelo contrário, a cada ano que o Teleton é feito admiro mais um pouco o Sìlvio Santos, que cede um dia de sua emissora, e logo um sábado, dia importantíssimo pra TV, para se dedicar a uma causa nobre como a causa das crianças deficientes da AACD. O que critico é a pseudo-bondade dos tuiteiros convidados para o programa, que se mostram como pessoas humanizadas por conta da conveniência de estar em uma das maiores emissoras do Brasil, mas quando estão foram são totalmente descomprometidos com causas sociais.

Mas, é assim mesmo. Parafraseando o que São Paulo disse na Bíblia, o importante é que, de qualquer forma, seja por motivos falsos ou verdadeiros, as crianças da AACD vão ser mais uma vez beneficiadas. Que bom!