Angela Merkel: a mulher mais poderosa do mundo #Mulheres2013


Por Liesel Hoffmann


Não sei se tem alguma lista da Times que comprova isso, mas qualquer lista é desnecessária: os fatos comprovam: Angela Merkel é a mulher mais poderosa do mundo, hoje.

Primeira-ministra alemã, 57 anos, casada e sem filhos, Angela vem se mostrando dia após dia como uma das principais lideranças mundiais, principalmente em meio a crise econômica que vem fazendo países como vítima em toda a Europa. Colocando a Alemanha na dianteira das soluções para a crise europeia, Angela mostra que tem pulso firme para tomar decisões e que sabe o que é melhor para outros países que se encontram perdidos em meio a um mundo de dívidas intermináveis, como a Grécia.

É filha de um casal de pastores luteranos de Hamburgo, que logo trocaram a cidade pela Alemanha Oriental comunista, onde religiosos não eram bem vistos. A família de Angela nunca foi igual às do leste. Eles recebiam correspondências e pacotes do lado oeste. Por isso, ao contrário de outras meninas, Angela usava jeans e dispunha de confortos que seus vizinhos não podiam se permitir. Outra grande mudança em sua vida foi a construção do Muro de Berlim, em 13 de agosto de 1961. Com a contrução da barreira, acabaram-se as viagens para Hamburgo e as visitas aos familiares deixados lá.

Os biógrafos a retratam como uma aluna aplicada, a primeira da classe, sem ser competitiva. Não há uma unanimidade sobre seu pai, que se manteve entre a crítica e a adaptação ao regime e que pode ter tido uma curta relação com a Stasi (serviços secretos da RDA).

Aos 23 anos, casou-se com Ulrich Merkel, um colega de estudos. O casamento "simplesmente ocorreu porque todos faziam isso na época", disse uma vez Angela, que não teve filhos. Divorciou-se cinco anos depois e, aos 32 anos, complementou seu currículo acadêmico com um doutorado em Física, em cuja tese ela agradece a Joachim Sauer, seu atual marido. Em fevereiro de 1990, Merkel deixou a Física de lado e entrou na CDU. Depois, se tornou porta-voz do último primeiro-ministro da Alemanha Oriental, Lothar de Maiziere. Mais tarde, Helmut Kohl fez dela sua ministra para a Mulher e a Juventude, em 1991. Deu-lhe uma das vice-presidências da CDU e depois a transferiu para a pasta dO Meio Ambiente, em 1994.

Com a derrota de Kohl, em 1998, Merkel assumiu a secretaria-geral do partido, com Wolgang Schaeuble, o eterno herdeiro do patriarca, já na Presidência da CDU. Os que esperavam que ela ficaria parada se equivocaram. O escândalo das contas secretas respingou em Schaeuble e ela teve uma atitude inesperada: publicou um artigo no conservador Frankfurter Allgemeine Zeitung em que declarava sua emancipação de Kohl.

Schaeuble estava acabado, a relação com Kohl se rompeu e ela assumiu a Presidência da CDU, em 2000. Era a primeira mulher à frente de um partido que até então só conhecia patriarcas.
Mas as adversidades não a desanimaram. Merkel recebeu com um sorriso o que pareceu sua grande derrota: em 2002, o bávaro Edmund Stoiber se apresentou como candidato à Chancelaria, por considerar-se mais apto para derrubar Schröder. O que não aconteceu.

Angela Merkel também não tem filhos com Joachim Sauer, divorciado e pai de dois rapazes, com os quais ela mantém uma relação cordial.

Sem o mesmo alarde feito pelo Brasil, Angela Merkel é a primeira mulher a assumir o cargo de chanceler alemã, além de ser a primeira militante com história política na Alemanha Oriental a assumir um alto cargo no governo alemão - o principal cargo, diga-se de passagem, se considerarmos que na Alemanha o Primeiro-Ministro tem mais poderes que o próprio presidente da República. Considerada conservadora pelos políticos alemães, Angela mostra uma capacidade incrível de lidar com os bastidores da política, conseguindo apaziguar ânimos raivosos entre todos os partidos alemães, inclusive dentro de seu próprio partido, o UDC - Partido Cristão Democrático, que vive de tensões entre católicos e protestantes que disputam espaço político.

Politicamente, Angela Merkel tem tudo o que um político não deve ter: não tem o menor carisma, nem sempre tem respostas para tudo e usa seu sorriso malfeito para disfarçar uma timidez enorme. Mas mesmo assim a mulher mais poderosa do mundo atual vem mostrando que sabe o cargo que tem, a importância que tem e que sabe o que fazer.

Bem, essa foi minha análise de Angela Merkel, uma mulher que, ao meu ver, tem competência o suficiente para dominar o mundo. Agradeço ao Wesley Talaveira pelo convite para participar da Semana Mulheres com Novas Ideias aqui no blog.


Liesel Hoffmann, 26 anos, é jornalista e mora em Berlim. Alemã de Hamburgo, cresceu no Brasil e retornou ao seu país em 2009.


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