#Opinião: Primeiramente, Fora, Temer! Segundamente, o que vem?





Por Weslley Talaveira

Mal e porcamente, Michel Temer é o atual presidente brasileiro. O mordomo de mansão mal-assombrada, o cadável mal enterrado, zumbi do Planalto é, no momento, o dono da bunda que se assenta na cadeira mais importante do Brasil. A forma como ele chegou lá é altamente questionável, claro. Se foi golpe, se não foi, se a Dilma cometeu crime, se não cometeu, se pedalou, não pedalou, se Michel traiu, se a lua traiu, se Marcela ama Michel são todos temas importantes quando o assunto é o afastamento do poste da sucessora do Lula, mas deixo essa discussão para os octógonos povoados por especialistas-em-qualquer-coisa chamados redes sociais. 


O que pretendo discutir é o novo grito de guerra da atual esquerda, composta por petistas e não-sou-petista-mas, esse segundo o maior e mais barulhento grupo, já que ninguém em sã consciência para mais para ouvir o que um petista diz. “Fora, Temer” é a frase do momento, o novo slogan dos mais-ou-menos politizados que encontraram no impeachment da Querida um novo motivo para colocar para fora todo seu alto e rebuscado mais-ou-menos conhecimento e engajamento político. “Fora, Temer” é o “Just do It”, o “Keep Walking”, a frase de impacto que norteia todo um comportamento de um grupo que se intitula os “filhos da revolução, burgueses sem religião”, e blá blá blá. 

Na verdade, o “Fora, Temer” quer a saída dessa simpatia de pessoa que é o nosso presidento lindo Michel Temer. Já que a Dilma saiu, só de raiva sai ele também, pensam. E com essa saída pedem novas eleições para presidente, para que o tampão que vai cumprir o mandato inacabado da Dilma seja, assim como ela, eleito pelo povo (Claro que há nesse pedido um silencioso, mas consistente pedido de “volta Lula”, mas isso é discussão pra outro dia). Chegam inclusive a pedir “Diretas Já”. 

Mas será que a saída do Querido é a melhor solução no momento? 

Pra quem exibe faixas com “Fora Temer” em link de reportagem da Globo, vamos nos ater à realidade: Michel Pai só cai se renunciar, ou se o TSE cassar a chapa, o que tá meio difícil de acontecer em ambos os casos. Mas hipoteticamente digamos que aconteça. A Constituição diz que, em caso de saída do Presidente da República (Querida) e de seu vice (Querido), o Presidente da Câmara (o fofo do Rodrigo Maia) assume interinamente a presidência e convoca novas eleições em 90 dias, para que dentro desse prazo seja realizado um novo pleito, a não ser que esse prazo extrapole a segunda metade do mandato. Nesse caso, o presidente é eleito não pelo voto direto, mas pelo voto indireto, via Congresso Nacional. Vamos explicar bem para que a galera da Paulista entenda: a segunda metade do mandato da Dilma / Temer se inicia em 01 de Janeiro de 2017, portanto se vocês querem que, caso o Michel caia, o novo presidente seja eleito via eleição direta, essa eleição precisa acontecer até 31 de dezembro desse ano. Para isso, o Michel tem que cair até 30 de setembro, ou daqui a duas semanas. Se der 1° de outubro e o zumbi ainda estiver no governo, não adianta mais pedir porque, mesmo que ele caia, a eleição é indireta e quem escolhe o novo presidente são os deputados, lembrando que são os mesmos deputados que escolheram Eduardo Cunha como presidente da Câmara em 2015. Vamos lembrar ainda que, no meio desse furdunço todo, tem uma eleição municipal acontecendo em 03 e 31 de outubro. Como vocês querem que o TSE organize uma nova eleição? 

Viu quais as consequências de ser um mais-ou-menos politizado? É até legal falar de política, falar que todo mundo é ladrão, chamar o Aécio de viciado, mas falta conhecimento técnico para embasar o protesto das ruas. Não basta pedir “Diretas-Já”, precisa saber se existe a mínima viabilidade de isso acontecer. Não adianta ficar com mimimi de “primeiramente Fora Temer”, sem saber o que acontece segundamente. É só observar o que aconteceu na Líbia, no meio da famigerada “primavera árabe”, onde fizeram protesto pedindo saída de presidente sem saber o que aconteceria depois e o resultado foi uma ditadura militar sangrenta. 

Proteste, questione sim. Milite pela esquerda, pela direita, pelo PT, pelo PSDB, por onde você quiser e com a ideologia que mais se identificar. Vivemos num país livre e você deve ser respeitado independente da opção política que escolher. Mas, como diria o sábio ET Bilu: busquem conhecimento.

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