Maria Rita | Profissão Prostituta #3



PS: a foto não pertence à entrevistada. Faz parte de um ensaio da fotógrafa Flora P,, que usamos para ilustrar o post. Maria Rita, por questões de confidencialidade, preferiu nao enviar nenhuma foto.




Weslley Talaveira



Sexta-feira, 24 de junho. O expediente dela se encerra as 18:00 numa grande agência de propaganda de São Paulo, onde trabalha no departamento de criação. Do trabalho, gasta cerca de 1 hora para chegar no apartamento onde mora, na Vila Mariana. Chega, toma um banho, come algo e se arruma para novamente sair. Maquiagem simples, um vestido preto discreto e salto alto. Na bolsa seus documentos e algumas camisinhas. Pega o celular e confirma o endereço pelo WhatsApp. Desce pelo elevador do prédio e, na porta, chama um carro pelo Uber, para levá-la até o motel onde iria atender seu cliente do dia. 

Essa é Maria Rita, uma garota de programa "nas horas vagas", como ela mesma define. 

Diferente de outras garotas de programa que vivem exclusivamente do sexo, Maria Rita tem vida comum como qualquer outra mulher paulistana. Trabalha, faz cursos, vai para baladas. O único detalhe é que em sua rotina estão os clientes que atende ocasionalmente, escolhidos a dedo depois de uma seleção pela internet. "Não posso atender qualquer um pois tenho uma vida social intensa, e o risco de ser descoberta é maior", diz ela. Já aconteceu de algum conhecido te procurar para programa, sem saber que era você? "Já sim, desconversei e rejeitei o programa". 

Há quanto tempo você trabalha como GP? Meu primeiro programa foi há uns 2 anos. Foi completamente por acaso. Estava numa balada com uma amiga minha que é garota de programa e lá ela encontrou um cliente com quem havia combinado. Ele estava acompanhado de um amigo que quando me viu perguntou se eu também era GP e qual meu preço. O homem era lindo demais, e eu iria pra cama com ele até de graça. Minha amiga me falou "aproveita e coloca seu preço". Arrisquei um valor X e o homem aceitou na hora. Nesse dia percebi que eu poderia tentar outras vezes, mas o segundo só veio 3 meses depois. Daí em diante comecei a me divulgar em locais bastante específicos e mais alguns clientes vieram. 

Na sua opinião o que leva um homem a procurar uma GP? Quase todos os que atendi reclamam da mesma coisa: tédio na relação. Quase todos casados, sempre reclamam que a vida sexual com a esposa está muito monótona, isso quando o sexo não acabou de vez. As mulheres andam muito cheias de "frescura" na cama, mas por outro lado se encantam com livros do tipo Cinquenta Tons de Cinza. Gostam de ler, mas não gostam de praticar! haha Por outro lado, os homens andam muito egocêntricos na cama, querem apenas sua satisfação própria, e esquecem que a mulher não é uma máquina, ela também precisa de estímulos e provocações. As pessoas precisam falar mais sobre sexo, por isso achei a série do blog tão bacana.

Você acha que a regulamentação da prostituição facilitaria seu trabalho? No meu caso nem tanto porque não me considero uma garota de programa  como as outras, o sexo hoje não é minha única fonte de renda. Na verdade os programas pra mim são mais uma forma de eu me divertir e ainda ganhar dinheiro com isso. Mas facilitaria em partes. Por um lado as garotas de programa poderiam ter alguma assistência a mais que hoje não tem, dependem totalmente de si mesmas e da sorte. Mas por outro lado não é uma lei que vai diminuir o preconceito e a hipocrisia das pessoas que ainda enxergam a prostituição como algo sujo, ruim. Pelo contrário, talvez o preconceito aumente. O que precisamos é de debates como o desse blog que mostram que uma garota de programa é uma profissional que cobra para oferecer um serviço, assim como qualquer outro profissional. A diferença é que na nossa profissão o tesão é imprescindível! haha


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