Quando a ideologia vai para o espaço - carta aberta a Ari Friedenbach


Vereador Ari Friedenbach,

É triste dizer que perdi a consideração que tinha pela sua pessoa como parlamentar. V. Sra foi eleito vereador de São Paulo pelo PPS em 2012 para ser oposição à já inflada base governista do prefeito Haddad, que já conta com 40 dos 55 vereadores da capital. E eis que, no meio do mandato V. Sra resolve mudar de partido e migrar para o recém-formado PROS, que até então sequer tinha atuação na capital. E sua justificativa em seu site só piora as coisas: no PROS V. Sra. será presidente do diretório municipal. 

Vereador, mudar de partido no meio do mandato e migrar para um partido nanico novo com cara de velho, que foi criado com a clara intenção de negociar segundos na TV em troca de cargos e privilégios é a prova de que fidelidade partidária é algo em extinção no país. Pior: V. Sra se deixou ser peça de uma manobra partidária dentro da câmara com o intuito de enfraquecer a já pequena oposição. Pior ainda do que mudar de partido é mudar de oposição a base aliada. V. Sra manchou uma história política que poderia ter sido se não brilhante, pelo menos diferente da maioria. 

Desculpe, mas meu voto o senhor não terá mais. Continuo respeitando sua história de vida e engrosso as fileiras dos que lutam por um país onde menos pais passem pela dor que V.Sra passou. Como pai e como defensor da justiça o senhor merece aplausos. Mas sua atuação política deixou a desejar com essa mudança.

Sem mais.

#Crônica: Quero pessoas, não espelhos



Weslley Talaveira

Nesse começo de mês tivemos o tal "dia das crianças". E a empresa em que trabalho tem seu dia das crianças próprio, um dia em que os funcionários levam para o trabalho os filhos de até 12 anos, que passam o dia inteiro envolvidos em atividades voltadas só para elas. E uma das coisas que não pude deixar de notar é como crianças brincam com qualquer outra criança. Vi crianças que haviam acabado de se conhecer correndo juntas pelos corredores da empresa. O que elas sabiam do outro? Provavelmente o nome, apenas, ou nem isso. Crianças totalmente diferentes uma das outras correndo juntas. Negras e loiras, altas e baixinhas, magras e gordinhas, todas juntas. Quando vi aquilo pensei: em que momento da vida passamos a fazer distinção de pessoas?

O ser humano é preconceituoso. Sempre nos vemos tentados a tratar com descaso quem é diferente. O negro é o "preto", a loira é a "aguada", o gordo é o "baleia", o gay é o "bicha", a lésbica é a "sapatão", o transsexual é o "traveco", o deficiente físico é o "aleijado", o deficiente mental é o "doido varrido", o rockeiro é o "drogado", o sertanejo é o "corno" e uma série de adjetivo que, se fossem todos escritos, dariam uma lista se não interminável pelo menos muito grande. Mas curiosamente esse preconceito, que carregamos as vezes sem perceber, não nasce conosco, ou seja, não é uma característica humana. Quer a prova? Essas duas crianças que vi brincando. E não só elas duas. Qualquer criança que você encontrar com certeza não carrega nenhum desses preconceitos. Crianças não perdem tempo perguntando a religião da outra, qual o estilo musical ela gosta ou se é filha de pais gays. Coloque duas crianças que nunca se viram antes dentro de um mesmo quarto e em menos de um minuto elas estarão correndo em alguma brincadeira, assim como aconteceu na empresa em que trabalho. Sabe por que? Para elas a companhia do outro é mais importante do que a bagagem que ela carrega. A criança não está preocupada em saber se o outro crê em Deus Pai Todo Poderoso. Ela quer apenas brincar, e brincar é muito mais importante que qualquer outra coisa. Criança não pede tempo com bobagens como o time de futebol da outra. Criança quer alguém para brincar. Encontrou, ela brinca. Só isso. 

Sendo assim repito a pergunta: em que fase da vida aprendemos a ser preconceituosos?

Acho Jesus Cristo um cara fascinante pela forma simples como ele via a vida. E em um de seus ensinamentos ele falou exatamente sobre ser como criança. Narra a Bíblia que os apóstolos chegaram a ele para perguntar quem seria o primeiro a entrar no ceu - olha a pergunta! Jesus então colocou uma criança entre eles e disse que "quem for como uma criança entrará no ceu antes de todos os outros". E o que ele quis dizer com "ser como criança"? É ver a vida com simplicidade. É entender que se preocupar com o estilo de vida que o outro leva é perca de tempo. De que me interessa saber se a fulana leva homens ou mulheres para a cama? O que vai mudar minha vida se o outro gosta de um estilo musical diferente do meu? Precisamos aprender a viver com as diferenças. E não falo em ser "tolerante", pois pra mim a tolerância é o disfarce usado pela arrogância para parecer algo bom. O tolerante vê o mundo de cima e diz "eu aceito que você seja assim". Eu não tenho de aceitar nada. Cada um faz suas opções. Eu tenho de saber viver com a diferença. Quero desaprender o preconceito. Quero pessoas diferentes de mim. Quanto mais diferente, melhor, até porque não sou muito contente com o que sou, por que iria querer alguém igual a mim? Quero pessoas, não espelhos. 

Hoje em dia é tão difícil encontrar pessoas legais nesse mundo que quando encontro uma nem perco meu tempo perguntando sobre as escolhas da vida dela.  Quero mais é conviver, fazer amizades, estar rodeado de gente. 

E viva as crianças! 

Não te quero mais


Sim, não tenho dúvidas de que Deus criou a comunicação para melhorar os relacionamentos humanos. O diabo, para estragar o que Deus fez, criou o SMS, o malditos torpedo que por várias vezes faz jus ao nome: explode e detona tudo o que encontra pela frente. Inclusive os relacionamentos.

Ela: Renato, preciso falar com vc

Ele: Pd falar, amr,

Ela: Ñ dá + pra gente continuar juntos!

Ele: !!!

Ela: Depois conversamos melhor, mas acabou. Dskupa!

Ele: posso saber pq?

Ela: Dskupa, acho que sou eu, mas não te quero mais.

Ele: tá bom, fazer o que!

Ela: !!!

Ele: qfoi?

Ela: É só isso que vc tem a dizer?

Ele: pq, o que mais eu deveria dizer?

Ela: Renato, to falando que não te quero mais. Vc vai concordar assim, de boa?

Ele: bom, então vamos lá. Letícia, lembra de quando começamos a namorar, há mais ou menos um ano, e eu te disse que eu era diferente da maioria exatamente por não correr atrás? Eu te falei que não faço o tipo que se rasteja pela atenção de ninguém. Até o momento em que você me quiser, estarei aqui pronto para te dedicar todo o meu amor. Quando você não quiser mais, irei entender e agradecer pelo momento em que você me permitiu estar ao seu lado. Bom, esse momento chegou. Você disse que não me quer mais. O que você quer que eu faça? Brigue, discuta, vá até a sua casa com flores e chocolates e te implore um amor que você não tem mais? Quer que eu te peça mais uma chance, até que você fique comigo por pena de mim e de meu sofrimento piegas? Não, não vou fazer isso, Letícia. Não foi o meu amor que acabou, foi o seu. O meu continua intacto. Se você não me quer mais, não tenho o porque implorar que você continue comigo. Sim, vou sofrer muito. Mas vou sofrer calado. Aqui comigo, na minha cama, que é lugar quente. Durante o dia vou vestir a máscara de vida social e seguir em frente. Repito: meu amor continua o mesmo. Caso o seu renasça de novo, estarei aqui. Enquanto isso, seguirei em frente. Tchau!