Jogo Subterrâneo


Sabe como é: sábado a noite, não saí pra lugar nenhum e nem tinha nada interessante pra fazer, então o jeito é zapear a TV pra procurar alguma coisa boa. Já tinha visto a tarde na TV Cultura o comercial de um filme que eu nunca sequer havia ouvido falar: Jogo Subterrâneo, nacional. Me chamou a atenção pelo fato de ter no elenco os três atores que eu considero os melhores da dramaturgia brasileira atual: Felipe Camargo, Maria Luiza Mendonça e Daniela Escobar (que a cada no parece ficar mais linda!). Decido que ia ver o filme. Assisti e gostei muito do que vi.

Jogo Subterrâneo narra um passatempo curioso que o músico Martin criara para si mesmo: encontrar a mulher de sua vida no metrô de São Paulo, através de um jogo complexo com itinerários do metrô que ele mesmo havia criado.  No seu jogo, Martin escolhia mulheres aleatórias e estabelecia para si que elas deveriam fazer o itinerário que ele traçava. Se o itinerário coincidia ele seguia a tal mulher até enquanto os caminhos coincidissem; mas se em algum momento o destino delas fosse diferente do dele, ele simplesmente descartava a moça e procurava outra. Porém num desses jogos ele cruza com Ana (Maria Luiza Mendonça), uma moça misteriosa que embarca assustada no metrô e que chama a atenção de Martin, mesmo fazendo um itinerário totalmente oposto ao que ele traçara, e o mesmo a segue até que ambos se encontram em plena Praça da Sé. A partir daí surge um relacionamento conturbado, intenso, cheio de segredos e mentiras que podem levar ambos quase à loucura. Porém, paralelo a esse relacionamento confuso ele ainda tem de lidar com os sentimentos que tem por Tânia (Daniela Escobar) que, mesmo sendo casada com um tatuador, se apaixona pelo músico. Além disso Mártin ainda se vê confuso quando encontra a filha autista de Tânia. O único escape de sensatez na vida de Martin é Laura (Júlia Lemmertz), escritora cega que ele conhece no metrô e que acaba virando sua amiga, para quem ele confidencia todo seu relacionamento com Ana. 

A trama é interessantíssima. Tanto pelo ar de filme europeu, mas filmado em boa parte dentro do metrô paulista, como pela interpretação dos atores. A Maria Luiza Mendonça, repito, é pra mim uma das melhores atrizes brasileiras da atualidade. Ela tem uma capacidade de emprestar realidade aos seus personagens que às vezes chega a impressionar, sem falar na perfeição com que ela interpreta personagens polêmicos, as vezes quase transtornados. 

Além disso Jogo Subterrâneo tem uma mensagem interessante: é impossível padronizar relacionamentos. A tentativa de colocar um relacionamento entre duas pessoas dentro de uma regra que sirva para qualquer caso é impossível pelo fato de estarmos tratando com seres humanos, que são completamente diferentes entre si. Prova disso é que a mulher que Martin escolhe para amar não é a que se encaixou perfeitamente no seu jogo, pelo contrário, a cada acontecimento fica claro que não só o jogo, mas a vida de Martin estava cada dia mais fora de controle. 

O filme é meio antigo - de 2004, se não me engano - mas é uma das poucas coisas feitas pelo cinema nacional nos últimos anos que realmente vale a pena assistir. Sim, eu sou um dos críticos do cinema nacional, que parece ter uma dificuldade imensa de produzir algo que não seja um humor bobo e caricato. Jogo Subterrâneo é uma das poucas exceções. 

Recomendo muito. 


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