Lena Olim



Assisti hoje o filme A Insustentável leveza do ser, de 1987, baseado no livro do mesmo nome de Milan Kudera, que eu também já li. O filme, como era de se esperar, é impecável, tanto pela direção brilhantíssima do grande Jean-Claude Carrière como pelo elenco também brilhante. Uma das minhas atrizes preferidas está no filme: Juliette Binoche interpreta a jovem e confusa Tereza. Mas, mais do que isso, quem me chamou mesmo atenção foi uma outra atriz que eu desconhecia até hoje: Lena Olim interpreta a jovem Sabina, um dos grandes amores de Tomas.

Pra quem não ainda não leu o livro nem viu o filme, Sabina é uma artista plástica que se relaciona com Tomas, mas não um compromisso como entendemos. Ela tem - não só com ele, mas com todos que se aproximam dela - uma espécie de relacionamento aberto, onde ela está livre para sair a hora em que quiser - "eu adoro ir embora", ela mesma diz. Ao saber do relacionamento de Tomas com Tereza ela pede para conhecer a namorada de seu "amante", mas não em tom ofensivo, mas como uma amiga. E, ao conhecer Tereza, Sabina percebe como sua vida é regida por uma leveza inexplicável: conhece e se torna amiga da namorada do homem que ela acredita também amar. Sabina viaja, sua vida dá voltas enormes, mas vez por outra sempre cruza com Tomas, nem sempre em boas circunstâncias. 

A atriz Lena Olim, que interpretou Sabina no filme, me chamou a atenção pela perfeição com que ela fez o papel. Ela não apenas fez uma encenação, mas é como se ela tivesse encarnado Sabina e dado vida à personagem emblemática de Kundera. Cada gesto, os olhos "de cigana oblíqua e dissimulada", como diria Machado de Assis, a forma como se comporta, a forma dissimulada como age, a sensualidade natural ao posar para as fotos de Tereza, cada detalhe de Sabina parece ter sido feito para Lena Olim. Parece até que Milan conhecia a atriz quando criou sua personagem do livro. 

Em poucas vezes vi uma atriz encarnar tão bem o papel de sua personagem. Na época da gravação do filme a atriz tinha 32 anos, uma jovem lindíssima e sensual. Não havia atriz melhor para encarnar uma personagem tão complexa e profunda como Sabina.

Como em todo filme feito à partir de um livro, quem não leu o livro pode se perder em certos trechos do filme, além de detalhes importantes do livro simplesmente não existirem no filme, mas nada disso apaga o brilho de Lena Olim e Juliette Binoche - que também estava tão novinha no filme que quando comecei a assistir levei mais de 15 minutos para identificá-la... 

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