Graciella, Cravo e Canela



Para os homens ela é a personificação da utopia de mulher perfeita: incrivelmente linda, gostosa, atraente, simpática, a perfeição inatingível que só se vê nas revistas. É o mulherão que tem força para desmontar qualquer machismo e fazer até o mais truculento dos homens se comportar como um garotinho que pede atenção. É a deusa grega capaz de desestabilizar qualquer Olimpo e provocar guerra entre deuses que a disputam como o grande prêmio a ser conquistado. Nas mulheres provoca inveja - a típica inveja entranhada no psicológico feminino que faz com que mulheres igualmente lindas a vejam como rival a ser destruída; seu poder de atração sobre os homens incomoda suas iguais, que sabem que seriam facilmente derrotadas numa simples comparação com ela; isso desperta a ira, uma ira que muitas vezes toma forma de poder maquiavélico, poder esse que faz com que as que se sentem ameaçadas tentem derrubá-la a todo custo, nem que para isso a mentira seja usada como arma principal. Nos moralistas desperta raiva, a raiva típica dos que a desejam, mas que por força da imagem de "defensores do bem estar social" se veem obrigados a conter seu desejo e usam a repulsa para espantar seus próprios fantasmas. Nos "liberais" ela trás a alegria de saber que ainda há no mundo pessoas de mente aberta, bem resolvidas com o próprio corpo o suficiente para se despir para fotos e ensaios, sem a hipocrisia do "politicamente correto" e sem a mordaça da "moral e os bons costumes".

Tal qual a Gabriela de Jorge Amado ela chama a atenção e divide opiniões. Causa alvoroço onde passa. É motivo de discussões e debates. Pessoas falam sobre ela, tentam entendê-la, defini-la. Impossível. Ela não se define nem pode ser definida. Sua beleza exuberante chega sempre na frente e faz com que alguns digam que ela é apenas um rosto bonito (não só o rosto, diga-se de passagem), mas logo atrás sua simpatia e o carisma calam a boca dos críticos. Ela tem a força e a garra do brasileiro, mas a doçura e simpatia de uma criança. É ao mesmo tempo maliciosa e ingênua. Forte e indefesa. Ela é o definição plena do que se entende por "mulher".

Ela é Graciella, a nossa Gabriela.

A Gabriela que não tem vergonha de exibir o próprio corpo e faz um ensaio sensual. Ao invés das paisagens naturais exuberantes ou mansões luxuosas iguais as que estamos acostumados a ver como cenário, ela fotografa num quarto comum; algumas fotos foram feitas em um fundo amarelo como cenário, e nada mais. Nada de roupas extravagantes ou lingeries super sensuais de marcas caríssimas - em algumas fotos apenas uma calcinha roxa. Em vez de jóias brilhantes enormes e caríssimas, uma simples corrente que quase passa despercebida. Maquiagem discretíssima. Ela não precisa passar pelo milagre dos retoques digitais para corrigir imperfeições. Ela dispensa qualquer complemento, qualquer "algo a mais". Por que? Oras, ela é a arte. Qualquer coisa além dela é desnecessário. É apenas ela. Graciella, a nossa Gabriela. A que usa a força  infalível da sensualidade para mostrar a fragilidade e singeleza que o nu expõe. A que, ao tirar a roupa para uma sessão de fotografia, tira também a capa da conveniência social e se expõe de pele limpa e dá a cara a bater, sem se importar com a opinião de terceiros. Sua seminudez expões sua força e fraqueza. É a menina indefesa, que pede proteção e apoio, e a mulher autoconfiante, que não tem medo de nada e vai à luta custe o que custar. Ali, seminua, ela é apenas a Graciella e nada mais. Ou, se olharmos por outro ponto de vista, ali ela é a grande Graciella e todo o peso que sua personalidade carrega. 

Ela é a Gabriela que não se submete à regras impostas por outros. Ainda não nasceu o Nacib capaz de encabrestá-la. Ela entra e sai quando quer. Dispensa e atrai novamente. É cortejada pelos que antes a julgaram. Quem a dispensou agora a chama de volta.

Assim é ela, nossa Graciella, Graciella Cravo e Canela.

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