"Intensidade é um diferencial": entrevista com Camila Paier @camilapaier

Ela segue o mesmo caminho de escritoras que vem fazendo sucesso como Martha Medeiros e Tati Bernardi, mas com uma diferença importante: se as outras são mulheres maduras que fazem de um tudo para entender a cabeça das adolescentes, Camila Paier é tão jovem como a maioria de suas leitoras. Gaúcha de Porto Alegre, Camila estuda jornalismo e trabalha em uma agência de comunicação. E ainda assim encontra tempo para se dirigir a corações adolescentes sedentos de uma palavra amiga. Aliás, “amiga” talvez seja a palavra que melhor defina Camila Paier entre suas leitoras: meninas de todas as idades a procuram em busca de um conselho, de um comentário, ou simplesmente em busca dos textos postados semanalmente em seu blog pessoal, o Calmila – uma junção de “calma, Camila”. É quase impossível não se identificar com um blog que desde o título já deixa claro que tem como objetivo compartilhar crises e trocar experiências.


Blog Novas Ideias: Muitas de suas leitoras te tratam como mais do que uma blogueira. Algumas têm em você uma amiga. Como é sentir isso?
Camila Paier: É gratificante. Escrever e saber que, pessoas te lêem, literalmente, e se identificam é um dos motivos que me faz continuar.


Percebi que garotos visitam seu blog. O que você acha que os leva a visitar um blog feminino?
Acredito que, a maioria do meu público "masculino" é trazido até o Calmila por suas amigas, namoradas, confidentes. Muitos meninos querem ler o que a garota compartilhou no Facebook ou Twitter, e diz ser perfeito para ela, ou que se enquadrou completamente. Alguns outros, são garotos que também, de alguma forma, se identificam. Acho as duas vertentes bárbaras.


Acha que as adolescentes de agora são mais românticas do que foram nossas mães?
Acho que o romantismo mudou sua face, talvez. Nossas mães (a minha, ao menos) escrevia em diários onde recortava, colava e fazia o que dava na telha afim de ficar bonitinho e sentimental. Esperavam ligações sentadas no sofá, não beijavam cinco caras numa festa. Tudo isso, de certa forma, influenciou o romantismo, sim - na minha opinião. Quem é romântico no dia de hoje, é com convicção, com intensidade (o que acho mágico, delicioso). No meio de tanto sentimento banalizado, quem ainda consegue amar e exprimir isso se torna quase especialista.


Algumas pessoas dizem que as adolescentes de hoje são muito “dramáticas”, pois lidam com experiências simples como se fosse “o fim do mundo”: um namoro que não deu certo, um ‘não’ que ouviu de alguém. Você sente isso nas suas leitoras?
Sinto, e sou também. Sei que dramatizo e dou uma importância indevida a fatos pequenos, situações que deveriam ser tratadas racionalmente e com cautela. A verdade é que quando algo importa para gente, é difícil anular a parte que nos faz sentir na pele o aperto e a loucura. O drama hoje é quase uma bengala para que a sociedade pare um pouquinho e olhe atentamente essas moças que sentem demais, amam demais e choram demais. Intensidade também é outro grande diferencial nesse mundo de superficialidades.


Um dos livros da escritora Tati Bernardi se chama “A Menina que Pensava Demais”. Você acha que as meninas de hoje pensam demais?
Falo por mim, que com certeza, penso demais. E graças a Deus, consigo exprimir toda essa minha obssessão pensativa em forma de palavras. Alivia.


Como você define o “homem perfeito”? Acha que os homens de hoje estão mais atentos ao que as mulheres pensam?
Difícil falar, estou comprometida no momento. Acho tudo tão maravilhoso no meu namorado que poderia dizer que é ele, mas seria um equívoco, talvez. Temos nossas diferenças. Por fim, não existe homem perfeito, na minha opinião. O que existe é cara bacana, momento ideal, duas vontades parecidas e sinceridade no olhar. Não sei se atualmente há esse olhar direto masculino sobre as necessidades da mulher. Acredito que nós, meninas, é que andamos mais sinceras e diretas, sem medo de dizer o que queremos, precisamos ou desejamos.


Quando surgiu a idéia de criar o Calmila?
Não surgiu, apenas criei. No início, era mais um diário com desabafos sinceros e minha identidade preservada. A coisa foi tomando uma tal dimensão que, um certo dia, resolvi investir no que pessoas que nem ao menos sabiam meu nome ou viam meu rosto admiravam. E tem dado certo.


Você teve alguns problemas com plágios em seu blog. Conseguiu resolver?
Ainda é complicado falar de plágio no Brasi. É triste. As leis brasileiras não prometem, não preservam e nem fazem jus aos ótimos escritores, blogueiros, criativos e afins maravilhosos que o país possui. É complicado você sentir tudo que está escrito ali, colocar pro papel (ou no meu caso, no rascunho do Word ou Blogger) e do nada, vir um indivíduo que acha tudo aquilo lindo mas em momento algum o venera a tal ponto de creditar suas idéias e sensações.


Pensa em lançar algum livro?
Sim, já estou com projeto em editora e tudo. Não só um, as ideias que possuo para publicar mais além são diversas. Complicado é parar, ter tempo e de fato redigir. Depois disso, só falta plantar uma árvore e ter um filho para meu legado pro mundo ser completo.


Pra encerrar, gostaria de deixar alguma mensagem aos leitores do Blog Novas Ideias?
Amem, amem com vontade e sem medo. É do que o mundo mais tem precisado. Vários beijos!

2 comentários:

  1. adorei a entrevista \o
    Com toda certeza nós vemos na Camila mais do que mais uma blogueira, mas sim uma amiga que através de palavras nos faz repensar nossas atitudes e nos ajuda a encontrarmos o caminho certo ao qual queremos seguir.
    A intensidade da moça faz toda diferença, é um diferencial.
    Obaaa queroo livro da Camila \o/\o/\o/

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  2. Adorei a entrevista. Camila, como sempre, super atenciosa e querida. s

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