Eu, político?

Os poucos que acompanham o que escrevo nos blogs onde colaboro já devem ter percebido que eu gosto de SP. Não digo que amo porque essa cidade não dá muitos motivos para ser amada, tanto por causa de algumas pessoas que aqui vivem como por causa de alguns políticos que dispensam comentários. Mas gosto de SP, acho essa cidade um lugar incrível, onde as pessoas conseguem criar coisas fantásticas em meio ao caos, onde a gente se impressiona ao ver uma mísera árvore no meio do asfalto, onde um dos mais agradáveis parques da cidade, o Parque Trianon, está localizado exatamente no meio da avenida mais "acimentada" de SP, a Avenida Paulista. SP é como o quarto da gente: uma "bagunça organizada", onde a gente se acostuma a viver e se achar no meio da confusão. Aprendemos a viver em meio ao trânsito, adaptamos nossos horários de acordo com a lotação dos ônibus, criamos estratégias pra não ser esmagados no metrô ou pra não ser jogados como saco de cimento na estação Luz da CPTM. Em SP nos acostumamos a fazer fila para tudo (até pra usar o banheiro) e formamos fila até quando não ha ninguém orientando a fazer isso. Nos acostumamos a não falar com pessoas na rua e a comer lanche em pé na calçada. São particularidades bem paulistanas como essas que me fascinam e me fazem gostar daqui.

É por isso que gosto de pensar soluções pra SP. Sempre procuro escrever sobre problemas de São Paulo, ver o que outras pessoas pensaram sobre a cidade, avaliar sugestões, ouvir o que as pessoas dizem na rua, enfim, pensar na cidade como alguém que quer achar soluções pra facilitar um pouco a vida por aqui. Gosto disso, e tenho muita vontade de ir em frente e tentar aplicar algumas dessas soluções.

Mas pra isso eu precisaria de uma instituição conhecida no Brasil inteiro pela sua podridão generalizada: a política. Fora da política, o máximo que posso fazer é sugerir e brigar, ou na pior das hipóteses, bater cabeça contra paredes que nunca vão cair. Dentro da política se tem a chance de realmente fazer algo mais do que pedir: a política dá o poder de mudar, de fato, alguma coisa (ou pelo menos te dá chances reais de tentar). Mas e aí, quem em sã consciência e mão no coração se filiaria a um partido político no Brasil?

É bem verdade que há muita gente boa na política. em todos os partidos há pessoas boas e ruins. Tem muita gente na política que merece nossa admiração. Gente como o deputado estadual Carlos Bezerra Jr, que usa a política pra combater a pedofilia no estado de São Paulo, ou como o vereador da capital Gilberto Natalini, que usa o mandato de vereador pra trabalhar pelo organizar eventos que recebem lixo eletrônico, pra evitar o descarte errado desse material, ou ainda o secretário de Cultura Andrea Matarazzo, um dos que mais admiro na política pelo trabalho sério e antenado com a realidade que vem fazendo no Estado, e pelo ótimo trabalho que fez quando secretário de subprefeituras de SP. Inclusive fiquei sabendo esses dias que ele pretende sair candidato à prefeitura de SP em 2012. É um bom nome.

Mas mesmo com tantos bons exemplos na política, a ideia de filiar-se a um partido é algo que assusta. Isso porque todos os partidos brasileiros tem um dono específico, que usa o partido de acordo com suas conveniências. A estrutura política brasileira está viciada, e não vejo a menor perspectiva de mudança. Nós, pobres mortais que estamos aqui fora, não sabemos metade do que se passa nas reuniões políticas internas, nas eleições de diretórios estaduais, nas comissões, nas brigas por cargos e títulos.

PT está fora de cogitação, tanto porque não consigo entender qual ideologia o PT atual segue. Simpatizo com a ideia da Social Democracia pelo mundo, mas no Brasil o que o PSDB faz não é social democracia nem em sonho. Botei confiança no PV, quando da eleição de 2010 em que a Marina Silva saiu candidata. Mas o PV se mostrou ser igual a todos os outros. O resto (PR, PP, PTB, PDT e tantos outros P's) é resto. Até no PSOL eu já pensei, mas a ideia de me tornar um socialista rabugento que vive de endeusar Karl Marx não combina comigo. Quem sobra?

Ainda simpatizo com o PPS. Gosto da postura do deputado Roberto Freire, principalmente quando o assunto é fazer oposição ao Governo, e gosto também da Soninha Francine e do jeito prático como ela lida com a política. O PPS carrega a história do "partidão", o PCB dos movimentos estudantis que combateu a Ditadura, lutou com todas as forças mesmo na clandestinidade e, depois de restabelecida a democracia no Brasil e com o mundo caminhando num mesmo rumo, soube reconhecer que o comunismo russo não combinava mais com o mundo globalizado, e se reinventou. Mudou de nome, deixou de ser o Partido Comunista para se tornar o Partido Popular Socialista. Concordo muito com a ideologia de socialismo do PPS - ou a que o site diz ser a oficial: um socialismo antenado com a realidade, pé no chão e ligado com  a economia mundial. Só nunca concordei com a posição submissa ao PSDB que o PPS vinha mantendo há alguns anos - na verdade o PPS vinha atuando como um segundo tucanato fora do PSDB - mas algumas declarações do dep. Roberto Freire me chamaram à atenção. Entre elas, a proposta de reposicionamento do PPS, pra passar a caminhar com as próprias pernas.

Ainda não sei o que eu faço, se me filio mesmo há algum partido político, se espero pra ver onde esse novo "movimento" da Marina Silva vai dar. O fato é que eu tenho muita vontade de poder colocar ideias em prática. Só me falta o meio certo de fazer isso.

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