A Suprema Felicidade


Abrindo minha serie de filmes para assistir em 2011, hoje vi A Suprema Felicidade, do Arnaldo Jabor. E não poderia ter começado melhor.

Uma família de classe média carioca em 1945 que tenta encontrar a felicidade. Paulo, com 8 anos, vê o casamento dos pais não ir muito bem. A mãe (Marina Lima), uma antiga cantora e ainda muito bonita, não pode realizar o sonho de continuar trabalhando porque o marido (Dan Stulbach), piloto de jatos, não a permite. A avó (Elke Maravilha), uma polaca ex-dançarina foge dos padrões de mulher pacata e recatada da época. O avô (Marco Nanini), funcionário público e o típico malandro carioca, toca trombone de vara nas noites cariocas. Paulo cresce, e aos poucos vai descobrindo a vida e o amor com as próprias pernas, enquanto vê a família se desmontar: a mãe passa a ter problemas mentais e ele se aproxima mais do pai, de quem sempre foi distante.

A Suprema Felicidade tem a cara do Arnaldo Jabor: um filme sem limites, que não tem o menor problema em tocar em assuntos complicados, indo da guerra ao amor em segundos, sempre com muito sexo e polêmicas em torno da religião. O resultado é um filme denso, com com cenas fortes e histórias muito profundas, mas altamente biográfico, contando a história do Rio de Janeiro e do próprio Jabor. Não é filme pra se assistir apenas para relaxar na poltrona do cinema e depois sair com cara de paisagem comendo o que sobrou da pipoca. É um filme que incomoda, que faz refletir, que impressiona. Não tem uma história específica: mostra a vida de um garoto que cresce rodeado pela vida carioca ao mesmo tempo tradicional e libertina: durante o dia reina a religião, os costumes familiares, mas à noite a vida boêmia toma conta da cidade. Marco Nanini, pra mim o destaque do filme, é o avô que aproveitou a vida e casou com a primeira prostituta que lhe ofereceu carinho, que vê o neto crescer e o acompanha com sua sabedoria de vida ("o amor é foda, meu filho, mas ame mesmo assim"). A Suprema Felicidade é um filme de saudades: saudade dos tempos antigos, da inocência antiga, do cinema antigo.

O elenco é um dos melhores: Marco Nanini (que pra mim se confirmou como um dos melhores atores do Brasil), Dan Stulbach (idem), Elke Maravilha (não sabia que ela é boa atriz assim...), Maria Flor, Jayme Matarazzo, Mariana Lima, entre vários outros.

Recomendo. Se prepare psicologicamente e vá ver o filme.

Veja o trailler:

Um comentário:

  1. Tá bom, entendi, vou ver o filme! kkk
    Eu já queria mesmo assistir, agora então!
    Sua percepção do mundo me encanta cada dia mais.
    Um grande beijo.

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