SÃO PAULO: Meu Bem, Meu Mal - por @davidalencarbs

@davidalencarbs - Há mais de 20 anos ouvi de uma amigo, cientista político e professor na UFPernambuco, seu espanto com a postura política do Estado de São Paulo. Na época estávamos saindo da ditadura, às vésperas das primeiras eleições presidenciais depois de décadas e, São Paulo, ou boa parte de seus eleitores, ainda cultivava uma admiração por Paulo Maluf. Isso assustava meu amigo. “Por que São Paulo é tão atrasado politicamente? Tão fora de sintonia com o sentimento do resto do Brasil?”.

Hoje o quadro continua interessante e revelador do espírito paulista. No cenário nacional cada vez mais se avizinha a vitória de Dilma(PT), possivelmente no 1º. Turno. Em São Paulo pinta uma vitória maiúscula de Geraldo Alckmim(PSDB), também no primeiro turno.

Eu que sou paulista, filho de imigrantes, e que, portanto, carrego o apego a meu estado natal onde construí toda a minha história e, ao mesmo tempo, o pé na cozinha do nordeste brasileiro.

Quando garoto ouvia com freqüência dos paulistas e paulistanos mais antigos sobre a importância de São Paulo. Era comum ouvir defesas apaixonadas da separação de São Paulo do restante do Brasil para assumir a condição de país do 1º. Mundo. Diziam esses paulistas de quatro costados que, na Revolução de 32, São Paulo tentou separar-se do Brasil e todos os outros se uniram e não permitiram, sufocando os intentos paulistas. Claro que a história da Revolução Constitucionalista não foi bem essa, mas foi isso o que ficou na mítica e na memória dos paulistas.

Aparentemente, desde então, as forças econômicas e políticas de São Paulo, e aqueles “incluídos” a partir da educação e do trabalho, passaram a considerar um caminho independente, mesmo que federativamente ligado aos Estados Unidos do Brasil. A locomotiva do Brasil seria isso mesmo: o único estado com energia própria e responsável por carregar o restante do Brasil.

É natural que, com esse quadro, os estratos sociais não advindos da migração interna, passassem a considerar que o Brasil era um problema e não a nação da qual fazemos parte. A reação eleitoral é uma das janelas onde visualizamos essa ambigüidade paulista.

Mas o quadro está mudando! São Paulo tende a ser cada vez mais Brasil. Seja pelo enrraizamento já de terceira e quarta geração de filhos de migrantes, seja pela percepção crescente de descendentes de quatrocentões que o desenvolvimento tem que ser do país inteiro para que São Paulo continue em frente.

São Paulo estaria muito pior se o Brasil não tivesse melhorado tanto nos últimos oito anos! Ou melhor, a aprovação ao atual governo paulista, que se reflete nas pesquisas que favorecem o candidato da situação, deve muito ao sucesso do governo federal que levou inclusão e dignidade a milhões de brasileiros não paulistas.

Talvez esta eleição de 2010 ainda reflita muito de mentalidade antiga paulista mas há novas forças, integradoras e renovadoras, em marcha, em acúmulo, que hão de se manifestar nos próximos anos em nosso estado.

São Paulo tem e terá um grande futuro, quanto mais se torne líder em solidariedade, fraternidade e inclusão social, tanto quanto já lidera no trabalho e na economia.

 
David Alencar


David Alencar é Teólogo e Pedagogo – email: david.alencar@hotmail.com

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