Mãe de Primeira Viagem


Ana Gouveia - Eu não fui criada pra maternidade, sabe? Aliás, não fui criada pra ser a típica mulher de antigamente. Não sei lavar roupa na mão, odeio limpar casa. Sei cozinhar – e muito bem – porque a genética é forte na família do meu pai. Nunca gostei de brincar de bonecas, nunca me imaginei grávida. Aliás, nunca me imaginei sequer casada! Agora tenho 33 anos, trabalho no que sempre sonhei – publicidade –estou casada há quase 6 anos e estou grávida de 9 meses. E sabe que tô muito feliz com isso tudo? Falando especificamente da gravidez: passam a vida toda te dizendo que é a melhor fase da vida de uma mulher, né? Pois não é bem assim. Ou melhor, é, mas não é. Confuso? É assim que a gente fica! Mulher já é um bicho difícil por natureza, imagina com a explosão hormonal da gravidez? Bem, vamos do começo.

Descobri que estava grávida com 6 semanas, comecei a me cuidar desde então. Não sei se por isso ou pela já citada genética, mas não enjoei, não engordei, não tive desejos nem tonturas. Minha barriga começou a aparecer lá pela metade do quarto mês, mas os seios já vinham imensos desde o começo. Isso me fez curtir um outro lado da gravidez: o da imaginação. Eu sentia meu filho mexendo – e como mexe, esse guri! – e ficava divagando sobre como seria, quem seria, como eu seria quando ele viesse a ser... Sempre com brilho nos olhos, sempre radiante, sempre agradecida. Aí começaram as dificuldades. Surtei. Crises histéricas mesmo, sabe? Tipo uma TPM na enésima potência, algo tipo “o arroz ficou sem sal” e um ataque de choro que me fazia sentar no chão e berrar, provavelmente o que meu filho vai fazer um dia, lá no supermercado (tomara que eu me lembre disso e dê muita risada). A barriga começou a crescer, perdi meu guarda-roupa, perdi a agilidade, perdi o fôlego! Mas o corpo é realmente uma máquina perfeita: nessa fase o organismo libera mais serotonina, ou seja, a gente fica linda! O apetite sexual aumenta, a sensibilidade idem, a gente fica atraente pra burro! O tempo vai passando e a criança vira uma parte sua. Incontrolável, diga-se de passagem. Tô aqui digitando e meu Pedrão tá provavelmente pulando corda com o cordão umbilical. A gente se habitua com o ritmo do bebê, percebe seu tempo e suas reações. E isso tudo é mágico! É algo de... sei lá, até hoje não achei a palavra... divino? Deve ser. Tem uma vida dentro de mim, gerada com todo o amor do mundo, cuidada com todo o zelo. A gente começa a ser mãe quando descobre a gravidez. Na verdade, acho que até um pouquinho antes, porque o instinto nos diz que estamos “prenhas”. Tal qual bichos mamíferos (que somos), percebemos cheiros, cores e gostos de uma forma nova. De repente é pra ter uma visão diferente das coisas mesmo, já que vamos passar vários anos explicando porque o ceu é azul, porque kiwi é doce ou “o leite não vem da caixa, meu filho”. Meu filho. Ontem ele tava hiperativo e eu perguntei “o que foi, meu filho? Assim você machuca a mamãe!” e me deu um pânico. Essa pequena criatura vai depender só de mim, e eu vou depender só do pai dele, aí a gente se acerta e vamos crescendo como uma família unida.

É, família. Eu, que não pensava em casar nem ter filhos, hoje tenho muito orgulho em dizer que tenho uma casa, uma profissão, mas acima detudo tenho uma família feliz.


Ana Gouveia é publicitária e colaboradora do blog Pimentas no Reino.

Um comentário:

  1. ANA, PARABÉNS!FIQUEI FELIZ COM SUA HISTÓRIA. EU ESTOU COM 35 ANOS, CASADA HÁ 10, E AINDA FICO EM PANICO EM PENSAR EM SER MAE, E CADA DIA QUE PASSA, FICA PIOR, POIS SEI DAS COMPLICAÇÕES DA IDADE. ME SINTO UMA PESSOA HORRIVEL, MAS TIVE VONTADE SER MAE. NÃO SEI QUE QUERO, SE VOU CONSEGUIR LIDAR COM ISSO. A SOCIEDADE COBRA A FUNÇÃO DE MULHER, MAS EU NÃO CONSIGO ME SENTIR SEGURA. FICO TRISTE.

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